Banda: UNEARTHLY

Categoria: Black Metal

Ano: 2014

Não tenho como não elogiar este novo trabalho lançado pela carioca UNEARTHLY. A banda vem evoluindo e inovando a cada lançamento. O último álbum de estúdio (Flagellum Dei), pra mim, foi um grande passo que a banda deu em quesito de criatividade e acredito que enquanto estavam em tour deste material vieram os insights para este álbum homônimo, lançado no final de 2014 pela gravadora Shinigami, que inclusive foi a mesma que investiu nos dois últimos materiais (Flagellum Dei e Baptizing the East in Blood: Live at Voronezh - Russia). A parte gráfica ficou a cargo do baixista M. Mictian e do vocalista Eregion, e mereceu uma embalagem especial em digipack.

A formação é quase a mesma que elaborou o criativo Flagellum Dei, mas como o baterista que seguiu em tour do "Baptizing the East in Blood" foi o Braulio Drumond, este mostrou-se apto e capaz de assumir tal posto para fazer parte do processo criativo do "The Unearthly". O ritual vem bem recheado com 11 músicas em 48min. A música de abertura, "The Sin Offering", já começa com a demonstração de Drumond e já nesta música a banda nos mostra novos elementos, como pegadas tribais, mas nada de esquecer as partes extremas. A faixa "The Confidence of Faith" vai nesta mesma linha descrita. Outra música que merece comentários a parte é a terceira, que prestou sua homenagem ao orixá Exu, e eles intitularam como  "Eshu". A música já começa com uma vinheta de terreiro de macumba, também vem com elementos tribais e com uma letra bem explicativa sobre quem e o que é o orixá. Incrível é que pela primeira vez a banda expõe uma música em português com um refrão miserável que impregna no juízo. Os arranjos que esta música tem em segundo plano é super interessante, porque enquanto as partes extremas (voz, guitarra base, baixo e bateria) ficam em primeiro plano os arranjos nos rasgam os sentimentos musicais. 

E se na faixa anterior a banda mostrou pela primeira vez uma música em português, eles também emprestam o nome da banda à música. Estou falando da música "The Unearthly".  A música "Agens Mortis" também é uma forte candidata a se tornar uma faixa clássica, tanto pelas partes instrumentais, como pelas partes líricas. Com frases inspiradas em Nietzche, fonte inspiradora para vários que refletem sobre "morte" e "vida". E caso você não tenha percebido, em toda discografia da Uneathly (com exceção das demos e o ao vivo) eles inserem uma faixa instrumental no setlist. Aqui não foi diferente, mas como a temática sonda bastante algo mais voltado para a mitologia africana (em meu ponto de vista), neste play ouvimos um som de agbê e percussão, além das melodias em violão acústico. Outra música que vamos citar algo é a "The Dove and the Crow" que tem uma melodia sensacional.

Me desculpem os mais veteranos da banda (Eregion e M. Mictian), mas Vinnie Tyr (guitarrista) e Drumond têm um destaque a mais neste álbum, seja pela melodia, pelos ritmos, pela criatividade e pela execução em seus instrumentos.

A banda é mais uma que mostra novamente ao mundo que o Black Metal brasileiro tem algo criativo pra exibir.

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(por Hugo Veikon)

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