Bandas: UGANGA

Categoria: Thrash Metal

Ano: 2014

Meu primeiro contato com o UGANGA foi através do clip de "Meus Velhos Olhos de Enxergar o Mau" e de cara me surpreendeu. Fui atrás dos trabalhos dos caras e vi que tava saindo um cd ao vivo da turnê do álbum, "Vol 3: Caos, Carma, Conceito". Desse álbum eu conclui que os caras tem uma qualidade bem diferenciada. Ao receber este novo trabalho, lançado no final de 2014 via Sapólio Radio e intitulado "Opressor", ficou claro que os caras acertaram bem a mão. Os irmãos Manu "Joker" Henriques, vocal e Marco Henriques bateria, Ras Phael Franco, baixo e Christian Franco, guitarra mais Thiago Soraggi, guitarra, mostram uma coesão absurda num álbum com produção cristalina e bastante enxuto.

Logo após uma pequena introdução os caras já colocaram "Guerra", uma faixa muito forte que tem um clip muito massa. A letra desta já é um caso à parte (Vencer! / antes mesmo de lutar / Saber se preparar. / Lutar! Pra vencer se merecer / a sua guerra!).  E te deixa curioso quanto às demais letras, mas te digo sem medo de errar: Manu é um puta letrista! 

Em "O Campo" os caras tratam o holocausto baseado na visita que fizeram a alguns campos de concentração durante sua turnê européia de 2013. A letra forte cita 'Nos corredores onde nomes eram números!' e marca bastante.

A faixa título não deixa de ser pesada, mas é cheia de riffs e tempos quebrados, além de refrão coletivo. Na sequência os caras pisam no acelerador e soltam um puta hardcore com "Moleque de Pedra", que disseca a mazela causada pelo crack. Já "Casa", que também tem clip é um ótimo thrash.

Uma das faixas mais diferentes do cd é "Modus Vivendi" apenas pelo fato dela ser bem pesada, mas sem velocidade.

A melhor sequência do cd é composta por "Nas Entranhas do Sol" seguida por "Aos Pés da Grande Árvore", cujas letras exaltam as forças e entidades da natureza de uma forma artística e sem forçar a barra. E o que dizer do cover de "Who Are The True" do seminal Vulcano? Homenagem mais que justa a estes guerreiros do metal nacional.

O final do cd demonstra absurdamente a diversidade do som do Uganga, visto que a ultima faixa, "Guerreiro" não estaria de maneira alguma deslocada de um cd do Charlie Brown Jr (confesso até que pensei que era o falecido vocalista Chorão cantando esta, mas a letra simples, emotiva e forte de Manu não seria pra qualquer um cantar). E quando você imagina que o cd acabou ainda tem uma hidden track em forma de rap após o final desta última faixa. 

Ouça sem restrições e, principalmente, sem conservadorismo que você vai se deparar com um dos melhores cds nacionais dos últimos anos.

Cheer!!!!

(por Léo Quipapá)

                                               << Voltar ao Site