Banda: TERRA PRIMA

Categoria: Heavy Metal

Ano: 2016

Após uma longa espera de 7 anos, os recifenses do TERRA PRIMA acabaram com toda a ansiedade dos nordestinos e muitos fãs de todo o Brasil que esperavam o tão aguardado segundo álbum da banda, que já vem ganhando muitos apreciadores por onde passam, por seu alto nível de composição musical, com músicos extremamente profissionais, bastante técnica e mentes brilhantes para criação. Talento e profissionalismo andam juntos nesta banda. Batizado como “SECOND”, o segundo full contem 11 faixas, que mesclam várias vertentes musicais do metal à música brasileira que já vem na essência da banda levantar a bandeira nacional e principalmente a estadual, tanto é que todos já tiveram oportunidade de ver a banda ao vivo, percebeu que o vocalista Daniel Pinho sempre carrega uma bandeira de Pernambuco consigo.

Parte do disco foi gravado há algum tempo no estúdio Mr. Som em São Paulo, trabalho projetado por Marcelo Pompeu, masterizado e mixado por Heros Trench enquanto os backings e bateria foram gravados no SB Music Studio em Recife/PE. O disco além de chamar atenção pela fantástica gravação que deixa todos os instrumentos audíveis e sem nenhuma sobreposição, chama ainda mais atenção a capa bem diferenciada, feita por Kin Noise, que expõe carrancas, que são esculturas típicas nordestinas.

A sonoridade da banda neste "Second" foi ainda mais longe em termos de ousadia, mesclando diversas influências, sempre com o power metal (de lei) junto com gêneros que poucas pessoas um dia pensaram em somar ao metal. “Once Upon a Time” abre o disco com bastante variação na sonoridade com riffs pesados de Diego Véras e Otávio Mazer e que depois dá um pegada mais leve com entrada do vocal Daniel Pinho, que continua firme e forte com sua ótima linha de vocal dando sempre destaque no trabalho. Sobre as variações musicais citadas, já é possível ouvir as pegadas jazz/blues principalmente na hora dos solos. “You Won't Stop Me”, uma das faixas mais energéticas do disco, com andamentos mais alternativos em alguns momentos que no refrão são substituídos por algo que gruda no cérebro, ganhando destaque a bateria de Tiago Guima, que é bem encaixada com os solos de baixos de Gabriel Carvalho.

O que chama atenção no grupo é que, os músicos não se prendem as influências de apenas uma banda. “Wheels of Time” é um exemplo disso, pois mostra passagens de bandas como Freedom Call e até mesmo com pegadas Iron Maiden, ainda contando breaks bem encaixadas, afinal de contas a TERRA PRIMA sabe inovar. Seguindo com “Caming Home” que fica claro os elementos de músicas brasileiras, o maracatu, que ainda somado as vozes do renomado vocalista Fabione Lione (Angra/ Rhapsody of Fire) tornou uma das músicas com mais destaque do quinteto. “SOS” e “Thomas” são outras de grande destaque, que chamam atenção com peso e o refrão bem colocados, que tornam músicas bem clássicas, baterias com duplos fantásticos junto com os riffs (em SOS), com refrões tão épicos que a banda no final da faixa  colocou o vocal isolado dando mais ênfase. Em “A Stranger in Town”, a banda trouxe uma variada rítmica grande, com uso de outros instrumentos pouco comum, ainda com destaque na bateria sempre presente, soando algumas vezes com contratempos. A faixa acompanha sons de sirenes que dão ‘up’ na música, fazendo o ouvinte entrar ainda mais no clima da canção. O disco conta ainda com “Fever”, que varia o peso com partes mais tranquilas, “Last Minute” e “Blame”, que trouxe mais uma vez elementos de músicas típicas brasileiras, com batuques sempre usados na cultura nordestina. O cd encerra com “The Final Act”, que aparenta manter andamentos mais lentos por conta dos violões no começo, muda a tranquilidade  com guitarras dando uma adição de peso, finalizando no mesmo nível que o disco inicia, com solos bem trabalhados e melódicos marcando presença.

Falar de Terra Prima é falar de nordeste e a banda é apenas um exemplo de qualidade e profissionalismo que surgem na região, que muitas vezes, muitos fecham os olhos (ou tapam ouvidos) para o que está sendo produzido por aqui. "Second" trouxe o quinteto ainda mais seguro e profissional para representar o Brasil mundo a fora, com criações admiráveis que, sem sombra de dúvidas, será citado por muitos como sendo um dos melhores discos de 2016.

 

(por Ismael Guidson)

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