GALERIA DE FOTOS (por Willian Headbanger)
Texto Kassius Leandro

Dia 30/08/2013

Como cidadão de Caruaru é uma honra escrever sobre um evento desse porte, que aconteceu nesta cidade e ainda mais com shows que eu nunca imaginei ver por essas terras, do agreste pernambucano.  Depois de uma edição taxada como falida, o Agreste in Rock preparou o terreno e chegou com tudo este ano, mostrando que os erros do ano passado não poderiam acontecer novamente. E ainda bem que não aconteceram!

O primeiro dia, que foi voltado para atrações de um porte mais leve, trouxe no cast as bandas Dentes Azuis (Caruaru – PE), La Cambada (Caruaru – PE), Rhudia (Recife – PE), Rosa de Pedra (Natal – RN), Dr. Sin (São Paulo – SP), Casa das Máquinas (São Paulo – SP) e Lobão (São Paulo – SP).

Mas como o foco é um som mais pesado vamos para os dois grandes expoentes da noite, que foram o Dr. Sin e o Casa das Máquinas.

Quem já conhece o trabalho de Andria Busic, Ivan Busic e do Eduardo Ardanuy já sabe que qualidade, musicalidade e comprometimento são itens que sobram nesta banda. Com 10 álbuns lançados, sendo o último disco, Animal de 2010, muito elogiado pela crítica especializada. O Dr. Sin foi a quinta banda subir no palco do Palladium. Começaram logo com a música título do ultimo álbum. “Animal” fez todo mundo agitar e curtir o som que os caras mandaram. Uma observação ser feita é que a qualidade do som do evento estava muito boa. Ponto para o pessoal do Agreste in Rock. Na sequência mandaram “Fly Away” e “Lady Trust” para depois cair no que pode ser considerado o grande hit desta banda, “Time After Time”, onde todo mundo que estava presente cantou junto com eles. A partir daí o show foi só de clássicos bastante conhecidos como “Fire” e a balada “You Stole my Heart”. Para alegria de todos ainda rolou um cover do Rush onde a banda executou “Limelight” perfeitamente. Os timbres chegaram a ser muito parecidos, incluindo a voz do Andria que pode ser comparável à de Geddy Lee.

Depois mandaram “Miracles”, “Isolated”, “Zero” e, para finalizar, “Emotional Catastrophe”. Mesmo sendo um show curto, de aproximadamente 45 minutos, o Dr. Sin agradou muitos dos que estavam presentes que pediram ainda por outro clássico Futebol, Mulher e Rock’n Roll, mas aparentemente por motivos de tempo de apresentação, a música não foi executada. Muito simpáticos jogaram palhetas, baquetas e outros materiais para os fãs e ainda liberaram acesso ao backstage para quem queria bater uma foto com eles.

Logo depois a banda Casa das Máquinas subiu no palco. Pra quem não sabe Casa das Maquinas é uma banda brasileira de Rock and Roll fundada em 1973, que chegou a gravar três álbuns pela gravadora Som Livre. Finalizaram os trabalhos em 1978 e retornou aos palcos em 2007 (com o Andria Busic do Dr. Sin assumindo o baixo e o antigo vocalista do Hangar, Nando Fernandes, nos vocais). Na plateia, muita gente cantou junto com a banda a primeira música “Essa é a Vida”, que conta com o famoso refrão grudento que fez quem conhecesse a banda cantar junto a todo o momento. Algumas músicas antigas ganharam uma nova roupagem como “A Natureza” e “Trem da Verdade”, o que não deixou a desejar em nada, pois todo mundo gostou bastante dos novos arranjos das músicas. Destaque para o atual vocalista, João Luiz, que detonou e cantou muito bem. O tecladista Mário Testoni também tocou muito, com direito a alguns solos e uma atmosfera criada apenas com os sintetizadores. O fato desagradável do show ficou por conta da guitarra que passou uma boa parte da apresentação dando defeito. Ainda não se sabe se foram problemas com a produção do evento ou do instrumento, mas se não fosse isso, a apresentação teria sido impecável. Para aqueles que gostam de rock’n roll clássico e rock progressivo cantando em português o Casa das Máquinas é um prato cheio e tem tudo para continuar fazendo história como uma das grandes bandas do cenário nacional.

Dia 31/08/2013

Este foi o tão aguardado dia para os headbangers de Caruaru e região adjacente, bem como de estados vizinhos. No cast do evento só tinha porrada como o Psych Acid (Caruaru – PE), Sertão Sangrento (Caicó – RN), Warcursed (Campina Grande – PB), Kriver (Recife – PE), Suprema (São Paulo – SP), Devotos ( Recife – PE), Ratos de Porão (São Paulo – SP) e a atração mais esperada da noite: Sepultura (Belo Horizonte – MG).

Gostariamos de deixar uma observação logo aqui no início: as bandas Suprema e Devotos não se apresentaram no festival. Motivos? Oficialmente até agora não se sabe, pois nenhuma das partes envolvidas emitiu notas oficiais acerca do ocorrido. O Devotos não chegou nem a comparecer ao evento, já o Suprema subiu ao palco, passou som, montou a produção de palco e quando estava aparentemente tudo certo começaram a retirar tudo  anunciado que por motivos técnicos eles não iriam se apresentar.

A primeira banda a se apresentar foi o Psych Acid, banda que desbravou o Thrash Metal em Caruaru nos anos 90 ao lado do Extreme Death, quando não se tinha muitas bandas do estilo na cidade. Os caruaruenses contaram com um público fiel, que curtiu o som, bateu cabeça e vibrou com a apresentação dos caras. Nato e companhia mostraram que não estão pra brincadeira. Com a banda muito bem ensaiada e com uma presença de palco muito bem elaborada eles não deixaram a desejar de forma alguma, e no final do show rolou um mosh pit do baixista Fábio. Muito boa a apresentação deles, com destaque para os guitarristas Bruno Amorim e o Anderson Diniz, que desceram a madeira sem pena.

A segunda banda a subir no palco foi o Sertão Sangrento de Caicó que tocou seu Horror Punk/HC com umas pitadas de Thrash fazendo com que todo mundo fosse à loucura. Cantando em português, os potiguares mandaram músicas com uns títulos bem curiosos como “Gosto de Matar”, “Seu Coração é Todo Meu”, “Satanás te Cuida”, “Prostitutas S.A”, entre outras. Com muita agressividade e peso no som os caras “botaram pra torar” pra felicidade de todo mundo que curte aquela velha roda.

Logo depois o Warcursed chegou chutando o pau da barraca e já levantou poeira.  O pessoal de Campina Grande/PE desmembrou tudo quando começou a tocar seu Death/Thrash muito bem executado com passagens pesadas e riffs “cavalais”, que foram feitos pra moer o pescoço de quem estivesse presente. O som estava um pouco alto e em alguns momentos embolava um pouco, mas nada sério a ponto de comprometer a apresentação dos caras. Nunca tinha visto a banda ao vivo e pra mim foi uma das melhores apresentações da noite com destaque para o baterista Marsell Senko, que só não quebrou tudo por que só tinha dois pedais.

Logo depois os recifenses do Kriver plugaram seus instrumentos, mandaram bala e não deixaram a desejar no meio dos Thrashers. Apesar de ser uma banda mais melódica, não deixa de ser uma banda de peso, e massacraram tudo com muita técnica e desenvoltura.  No começo alguns problemas no som indefiniram um pouco a voz do Rafael Gorga que estava um pouco baixa, mas com o passar das músicas a banda chegou numa sonoridade de qualidade surpreendente, fazendo com que todos os músicos soassem muito agradáveis aos ouvidos. Tocaram as músicas do seu mais novo EP, Torrential, e levaram o público a cantar junto com eles ao anunciarem a música “Gambling With the Reaper”, que agitou todo mundo que estava lá. Meu destaque vai pra o Rafael que mostrou que temos vocalistas que se preocupam com a qualidade e prezam por uma música sem exageros e firulas, mas sim diretas sem perder o requinte. Cantou muito o cara.

Como citado no começo do texto era pra ser a vez do Suprema que estava lá desde o dia anterior, esquentando para o show, mas que não tocou por problemas técnicos ainda não divulgados. No microfone o organizador do evento, Danilo Lúcio, falou que a decisão de não tocar foi do guitarrista Douglas Jen, e que, com isso, a próxima banda a se apresentar seria o Ratos de Porão. Uma pena, pois muita gente que estava lá queria ver a banda em ação e a grande maioria do púbico ainda não conhecia o trabalho dos caras ao vivo. Seria realmente uma boa oportunidade, mas que não aconteceu. Então vamos aguardar os fatos se apurarem e alguma das partes envolvidas se manifestarem para que possamos realmente saber o que aconteceu.

Sendo assim, o Ratos de Porão entrou no palco mostrando a velha energia e desenvoltura já conhecida do pessoal que curte a banda.  Pela primeira vez em Caruaru tocaram as velhas músicas conhecidas e fizeram a roda mais insana do evento.  “Aids, Pop, Repressão”,  “Beber até Morrer” e “Igreja Universal” fizeram a felicidade das centenas de pessoas que entraram na roda loucamente. Até o fim da apresentação seguraram a mesma pegada e não desanimaram um segundo sequer, mesmo com as reclamações de João Gordo acerca do som.  Com isso o RDP fez uma apresentação destruidora e mostrou que ainda tem o público e o respeito que os precede.

Logo após o palco foi rapidamente alterado para a apresentação da banda mais aguardada do AIR, o Sepultura. Com uma intro bem pesada, os caras já entraram batendo na cara de todo mundo tocando a clássica “Troops os Doom”, que já fez com que a galera chutasse o pau da barraca e abrisse uma roda enorme no meio do Palladium que, com certeza, nunca teve um show de metal desse porte acontecendo lá dentro. Logo depois mandaram “Refuse/Resist” e a “Kairós”, música que intitula o mais recente álbum da banda.  Depois o Andreas comentou sobre voltar a Caruaru 27 anos depois de ter tocando aqui pela primeira vez.  Depois só saiu porrada como  “Convicted to Life”, “Atittude”, “Escape to the Void” entre outras. Tecendo elogios a quem estava na roda, eles tocaram o grande clássico do Titãs “Polícia”, fazendo com que a galera ensandecida deixasse as críticas a nossa polícia fluir dentro da roda gigante que se formou.  Logo depois fizeram todo mundo cantar com outro cover, “Orgasmatron”, clássico do Motorhead que ficou eternizado na voz do grande Max Cavalera. Os momentos finais do show ficaram por conta de “Slave New World”, “Territory” e “Arise” que criou um clima de euforia em todo mundo que estava presente. Depois de um breve intervalo a banda voltou pra tocar as duas últimas, “Ratamahata” e “Roots”, que fez todo mundo pular e bater cabeça com esses dois grandes clássicos tribais do Sepultura. Destaque para o baterista Eloy Casagrande que literalmente massacrou na batera. Nunca tinha visto o moleque tocar ao vivo, e não deixou nada a desejar. Com um kit de bateria “simples”, para o que era visto antes com o Igor Cavaleira, ele não deixou a peteca cair e simplesmente virou o coração do Sepultura. Sempre batendo cabeça e muito empolgado com todas as músicas ele já é parte do Sepultura. Além do som de bateria super limpo, o baixo e a guitarra estavam show.

Depois de 27 anos longe da capital do forró o Sepultura não deixou a desejar, fez um show surpreendente e mostra porque ainda é o maior nome do Metal nacional, representando o Brasil em diversos festivais pelo mundo. As outras bandas também não decepcionaram em nada, principalmente as da região, que exibiram muito profissionalismo, qualidade e carisma com todos os presentes.

Espero que o Agreste In Rock, mesmo com todas as falhas e problemas que foram apresentados, consiga se superar, como conseguiu do ano passado para este e entre para o calendário de grandes festivais que acontecem na região. Quem ganha somos nós, que temos a oportunidade de ter mais um festival na cidade voltado para o público banger, como também o município por se destacar e tornar-se mais uma via para os grandes shows sem dever nada aos grandes centros. Melhor ainda é rever os amigos, novos e velhos, e festejar ao lado deles como pretendo fazer pelo resto da minha vida. PARABÉNS!

Texto por Kassius Leandro
(publicitário por formação e headbanger de coração. Baixista das bandas Storms e Perpetuo Insigne)

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