Texto por Léo Quipapá e Hugo Veikon
Fotos por Hugo Veikon e Willian Headbanger

Desde o começo do ano muitos rumores sobre a programação do APR 2014 explodiam nos ciclos de conversas e redes sociais muitos já tinham a seguinte impressão: ESTA EDIÇÃO SERIA HISTÓRICA.

E foi!

Logo ao chegar no Chevrolet Hall via-se que o público seria diferenciado e grande, já que era possível ver caravanas de vários estados do Nordeste. O cast, com quatro bandas gringas, várias bandas históricas e renomadas proporcionou uma oportunidade única (sem contar o ingresso com preço muito bom). As “tribos” deram shows à parte e a harmonia ocorreu durante todo o evento (salvas algumas tensões causadas por rodas, álcool e rixas pessoais), mas nada que saísse de controle e precisasse de intervenção da segurança ou polícia.

A abertura do evento ficou para a pernambucana DUNEHILL, que faz uma linha de Hard rock e oportunamente lançou seu debut oficial intitulado White Sand. A banda teve um tempo curtíssimo para apresentar seu set list de seis músicas, mesclando com músicas já conhecidas do seu EP “Big Bang Revolution” de 2011. A banda ainda contou com a participação especial de um amigo (Tiago) em uma música e prestou sua homenagem ao produtor Lula, que faleceu dias antes do show. O público ainda tímido chegou a agitar e sem dúvida gostou da sonoridade da banda.


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Sem demora a banda potiguar MONSTER COYOTE abriu as cortinas do segundo palco com sua linha de som mais moderno, estilo Stoner Metal, e mostrou músicas de seus álbuns lançados em 2011 (Stoner to the Boner) e 2012 (The Howling). Como o público veio de diversas regiões do nordeste, inclusive do Rio Grande do Norte, a banda garantiu um bom número de público e acompanhamento da galera que se fez presente na apresentação da banda.


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Quando o KROW subiu ao palco, o clima ficou “tenso”, pois os caras mandaram um Death Metal muito pesado e técnico. Foi a primeira apresentação deles aqui e os caras deram tudo de si agradaram o público, a banda mineira agitou muito em cima do palco com uma grande performance, praticamente fazendo um circle pit ao alternarem suas posições em cima do palco, um bom exemplo disso foi quando executaram a música Before the Ashes. Pena que o tempo do set foi curto e o material fonográfico da banda não ficou pronto a tempo para reforçarem no novo merchandising, mas eles abriram várias portas para retornar com um show próprio e com maior duração.


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O DESALMA veio na sequência com seu Death Metal mais moderno, com afinação baixa, mas um peso fora do comum. Diferente do show de 2011, agora eles têm um vocalista (Dartelly, ex Offendidos), fato que dá mais liberdade aos demais músicos para detonarem músicas como “Corpo Seco”,“Carnificina”, “Mais um Tempo” e “Filho da Puta Alcoólatra”, do seu recém-lançado CD, intitulado Foda-se. A tão comentada participação do grupo afro Bongar foi bem interessante, apesar de se resumir a apenas a música “Gira”. Confesso que a proposta foi interessante, mas ficou muito parecido com o estilo praticado pelos cariocas do Gangrena Gasosa. E o público esperava bem mais músicas com a participação do grupo de percussão.


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Os americanos do CONQUEST FOR DEATH fizeram um show enérgico e muito bom. O Hardcore praticado por eles agitou bastante a galera e mostrou que foi muito bem planejado colocá-los no cast. Tanto no palco como na plateia, os caras deram também um show de simpatia. Foi comum ver o vocalista e o guitarrista japonês transitando no meio da plateia, enquanto o restante da banda ficava no stand de merchandising.


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Um show muito esperado era o da banda OLHO SECO. Os caras já estão na estrada desde o começo do movimento Punk Rock no Brasil. O líder, o ícone vocalista Fabão, é um cara com longa história e contribuição inegável para toda a música nacional. Vê um senhor com seus, sei lá, mais de 50 anos e com tanta energia num palco foi emocionante. Os caras repassaram mais de 30 anos de banda com sons como “Isso é Olho Seco”, “Castidade”, “Viva Nós”, mas nenhuma emocionou tanto como “Botas, Fuzis e Capacetes”, que Fábio ofereceu ao amigo, ex-integrante e ícone Rédson, do Cólera, falecido em 2011.


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Depois de um bom tempo sem vir a Recife, o MUKEKA DI RATO veio com pé no acelerador e freio quebrado. A banda é totalmente descompromissada, mas faz um show excelente. Os caras repassaram boa parte de sua extensa discografia, inclusive com a execução de algumas músicas gravadas pelo ex-vocalista Bebê, como “Maconha” e “Viva a Televisão”, do excelente álbum “Acabar com Você”.  Com um set de aproximadamente 25 músicas curtas, diretas e divertidas como “Atletas de Fristo”, “Quer Ir? Vai!”, “Zé é Mau”, “New Wave Índio”. “Pasqualin na Terra do Xupa-Kabra”, “Carne” e “Mickey”. Pena não terem dado ênfase em músicas mais grindcore, talvez causada pelo descompromisso de Sandro em interpretar. Mas foi ótimo o show.


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Os gaúchos do HÍBRIA vieram com seu Power Metal muito forte e uma atitude de louvar as bandas nacionais: muito profissionalismo! Tecnicamente muito bons, simpáticos e firmes, eles ganharam novos fãs com esse show. Os destaques mais claros da banda são o baixista Benhur Lima, com uma técnica excelente, o baterista Eduardo baldo, que aparentava tocar com muita disposição e o vocalista Iuri Sanson, que tem uma técnica e um carisma acima da média. Começar com a música “Silent Revenge” já garantiu o acompanhamento do público e terminaram com um cover de “Rock n’Roll”, do Led Zeppelin, em uma versão mais pesada e característica. Este show certamente afiançou o retorno da banda a essas terras.


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Depois de mais de 20 anos sem tocar em Recife, era a vez dos lobos do CHAKAL! Lendas vivas do cenário metal nacional. Ver a segurança de Guilherme Wiz, a técnica de Mark (Como sola esse “veinho”!), a áurea de Korg, além da disposição de Andrevil na guitarra e Filipe Duarte no baixo. Abriram com “Christ in Hell”, do Demon King, de 2003, emendaram com “Exorcise Me”, do novo, Destroy! Destroy! Destroy! e nos brindaram com um show histórico. Quais dos fãs antigos não se arrepiaram com “Jason Lives” e “Demon King”e vibraram com a faixa-título do novo cd. Pena que o set foi curto e faltaram alguns clássicos no set, mas nos presentearam com o cover (perfeito em termos de execução) de “Evil Dead” dos mestres do Death.


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Os americanos do HAVOK vieram com seu Thrash tradicional e não deixaram a peteca cair. O cansaço já estava chegando, mas eles nos surpreenderam com uma aula de old school. Mesclando Kreator com Destruction e Testament, eles fizeram um show competente e cheio de energia. Trazendo em seu set uma combinação de músicas do álbum Time is Up, de 2011, como a já tão conhecida “Covering Fire” (que convidou o público mais jovem a abrir rodas e cantar junto com a banda) com músicas do Unnatural Selection, de 2013. Um fato curioso foi que a Havok foi uma das poucas bandas usar um backdroppróprio, por traz do baterista Peter, que por sua vez destruiu perfeitamente seu instrumento e a cada marretada que acertava em seu caixa garantia uma polgada na roda.


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Os canadenses do KATAKLYSM eram outra atração que muitos aguardavam ansiosamente para ver. Mesmo sabendo que o set deles se baseia apenas na fase do atual vocalista Maurizio Iacono, alguns dos fãs mais fieis tinham esperanças de ouvir algo da fase onde ele era apenas baixista, mas isso não aconteceu. Mas isso não fez muita diferença porque os caras detonaram. Abriram com a boa “Push the Venom” do Heaven’s Venom e depois detonaram faixas como “Fire”, “Like Animals” e “Elevate”, do novo álbum Waiting for the End to Come. O novo baterista, Olivier Beaudoin manteve bem as pegadas de faixas mais técnicas como “Cripped and Broken” e “As I Slither”. Durante “In Shadows and Dust” eles empolgaram novamente o público. Nem o fato de algumas bases de guitarra serem pré-gravadas ou faltarem algumas músicas fortes de ambas as fases ofuscaram o show, visto que a garra dos caras é fora do comum.


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O coração dos “véios” bateu mais forte quando a cortina baixou e os americanos do OBITUARY subiram no palco. O cansaço já tinha batido na “pivetada” que não poupou energia. Mas a grande maioria estava ali era mesmo presenciando uma lenda viva do Death Metal mundial. John e Donald Tardy, Trevor Peres e Terry Butler estão na ativa desde os anos 80 (sendo que Terry já passou pelo Death, Six Feet Under e Masacre), além do novato Kenny Andrews fizeram, sem sombra de dúvidas, o melhor e mais barulhento show da noite. Como era do conhecimento de boa parte do público, o set se basearia nos clássicos três primeiros álbuns mais algumas faixas novas. Quem viu os shows do Rio e Salvador comentou pessoalmente e nas redes sociais que ambos foram acima da média. E esse do APR também foi! Aos primeiros acordes de “Internal Bleeding” já se via que a trilha sonora da nostalgia bateria forte. E não faltaram clássicos como “Gates to Hell”, “Infected”, “Dying”, “Chopped in Half” introduzindo “Turned Inside Out”, “Killing Time” (com uma guitarra esmagadora de Trevor Peres) e, para minha surpresa e felicidade, “Back to One”. Os caras mandaram duas novas nesse meio tempo e posso dizer que se o CD novo seguir a linha delas, os Red Hairs não nos decepcionarão! Com o jogo ganho, eles ainda tinham cartas nas mangas e mandaram as excelentes “I’m in Pain”, “The End Complete” e fecharam com a ultra clássica e essencial “Slowly We Rot”. Sinceramente, um show deles com os três CDs na íntegra somada as faixas de outros CDs ainda seriam “pouco”, perto da importância que o Obituary tem na cena mundial. Vale dizer que John Tardy tem gogó para mais tempo no palco visto que estas faixas tocadas sábado foram gravadas quando o cara tinha 21 anos e mesmo no auge de seus 46 anos atuais não perderam em força, volume e carisma.


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Para o ano que vem? Desafio, certamente. Opinião unânime entre os jornalistas é que a noite “Pop” tá fadada enquanto à noite “Metal” surpreende a cada ano (dizem que o público do segundo dia foi três vezes maior que o do primeiro). E se Paulo André conseguir superar esse ano, fiquem certos que ano que vem ele verá 4 vezes mais. Quem sabe um Slayer (tão sonhado) ou um Cavalera Conspiracy com Jairo Guedes? Ficam as dicas.

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