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Finalmente dia 30 de outubro, finalmente um lugar definido. Foi assim a expectativa dos que aguardavam ansiosamente o show do Death Angel, com a abertura do Cruor, pois, a princípio, o lugar anunciado seria o velho Armazém 14 (Recife Antigo), mas por motivos de danificações no local a Blackout Discos preferiu transferir para o Sport Club do Recife e este, por motivo do local ser uma zona eleitoral do segundo turno das eleições presidenciais, também não pode ser utilizado. Então o Clube Internacional foi definido para recepcionar o Death Angel, que provavelmente será a última banda “gringa” de Metal a se apresentar aqui no Recife este ano.

Assim, com o local definido e todos bem informados, faltava apenas o comparecimento do público, que poderia ser muito maior, pois se tratava da Death Angel, banda da Bay Area americana, formada no começo da década de 80 e grande precursora do Thrash Metal.

A frente do Internacional já estava com um bom número de bangers, quantidade esta que certamente entraria e iria conferir esta rara oportunidade. Com um pouco de atraso da organização sobe ao palco a banda de sangue, a Cruor, que de testa chama o pequeno público para instigar, mas não demora muito para o resto dos bangers entrarem e ver a destruidora performance da banda, que executa de início e sem intervalo:

“Whitechapel” e “Septem Sermones ad Mortuos”, duas músicas do seu EP Unburied lançado no início de 2010.

Em menos de 10 minutos o público já se destruía, abrindo roda de polga e cada vez mais a banda convidava a todos a instigar mais.

Daí é quando Wilfred apresenta um hino da banda, a música “Slow Death Machine”, do álbum Insane Harmony de 1995, executada com mais velocidade que a versão original e desta vez solada por Túlio Falcão, único guitarrista do line-up atual que preenche tudo sozinho. É nesta hora que vejo lá no canto do palco Rob Cavestany (guitarrista da Death Angel) apreciando a banda e seu desempenho.

E “Not To Day” mais uma faixa do Unburied, que vem com toda potência e já arrancando o refrão, cantado pelos bangers, sem esquecer a fidelidade de arranjos do baixista Jairo Neto. Uma pausa para Wilfred comentar a honra de tocar no mesmo palco com a Death Angel, dizendo ele sobre o sonho de ver estes Headlines e agora poder tocar junto com os caras. Após discorrer sobre tal admiração, já que estamos em um show de bandas da década de 80, por que não tocar mais uma das antigas? É a da vez da Sepultura ser lembrada e “Escape to the Void” receber a versão do Cruor.

A banda ainda toca mais duas músicas antes de fazer outro cover, mas entre essas músicas eles fazem uma versão de sua própria música, ou seja, cantam a música “Tortura” (uma vez que a versão no CD é cantada em inglês e chama-se “Torture”). Hora de cantar a música dos mortos. Estou falando de “Postmorten” do Slayer!

Nesta hora o vocalista ameaça diversas vezes dar um mosh, mas talvez a distância do palco e um abismo de segurança tornaram isso impossível.

Por fim, a banda volta seu set list para 1995 com a faixa “Seca”, em uma versão mais destruidora, mais rápida que o normal. A apresentação durou aproximadamente 35 minutos, suficiente para o Cruor mostrar seu sangue. Eles finalizaram apresentando os músicos da banda.

Após mais uma apresentação devastadora do Cruor, eis que é a hora do DEATH ANGEL. E tudo começa com a “I Chose The Sky”, música do seu recente álbum, Relentless Retribution, lançado em 2010. Logo em seguida, uma faixa antiga, “Evil Priest”, do primeiro álbum (The Ultra-Violence), que causou uma grande e agressiva roda thrash. Continuaram o show com “Buried Alive” (do álbum Killing Season, de 2008) e mantiveram os bangers na mesma energia.

E tome mais clássico com “Voracious Souls”, que inflou ainda mais a roda e só parou na parte mais cadenciada da música. Os caras mandaram mais duas faixas do seu recente álbum: a faixa título, “Relentless Retribution”, e “Claws in So Deep”. E tome mais porrada!

No palco, uma performance monstruosa dos caras, que não paravam de correr de um lado para o outro e passavam uma energia que contagiava a todos os banger presentes. “Seemingly Endless Time” e “Stop” do álbum Act III nos fizeram voltar aos anos 80.

Ainda usaram a máquina do tempo e tocaram “3rd Floor”, música do 2o cd, Frolic Through the Park, que abriu uma roda mortal. Então os caras mandaram mais uma nova, “This Hate”, a matadora “Thrown to the Wolves” (do álbum The Art of Dying) e “Lord of Hate”. Em seguida tocaram mais uma dos anos 90, “Falling Asleep”, e mais uma nova “Truce”. Vale ressaltar que a cada música que os caras tocavam parecia que o show tinha começado naquele momento, pois eles demonstravam uma energia interminável e que transbordava para quem estivesse lá!

Como o que é bom dura pouco, já estava próximo do final do show dos caras e eles tocaram mais um clássico do primeiro álbum (e acho que era uma das mais esperadas faixas dos bangers presentes), “Thrashers”. A energia que foi exposta foi a mesma das faixas anteriores, mas, infelizmente, era a antepenúltima música. Sem muita demora tocaram mais um clássico dos anos 80, “Bored”. Nos primeiros acordes já começou o bate cabeça sem parar. Quando foi anunciada a última faixa, “Kill As One”, nos primeiros acordes não parecia que era o fim do show, mas o fim do mundo! A roda thrash metal mais f...da noite.

Uma apresentação para ficar eternamente em nossa mente, sem falar que os caras estão de parabéns pelo verdadeiro show. Mas eu gostaria de saber: por que o baterista queria quebrar a bateria? Acho que ele não conseguiu, mas que ele tentou, ele tentou. Da primeira até a última música.

 

Texto por  Hugo Veikon (Cruor)) -   Willian Headbanger (Death Angel)
Fotos por Hugo Veikon   -   Revisão: Léo Quipapá