Texto por Hugo Veikon - Fotos por Miqueias Young

A Academia do Rock é um coletivo que surgiu na capital pernambucana e vem dando certo. Os produtores deste coletivo vêm realizando um show mensalmente e normalmente com um número pequeno de bandas. Desta vez eles fizeram um evento onde anunciava o pré-lançamento do EP da banda Realidade Encoberta. O local mais uma vez foi o New Drive Bar, localizado na Praça do Derby em Recife.

Como banda de abertura eles convidaram a banda Lei do Kaoz, que tem até um pouco do clima da banda principal. A Lei do Kaoz tocou no apertado palco, mas se sentiu em casa. O som não estava muito inteligível, pois a bateria não estava ‘microfonada’, ou seja, estava totalmente acústica e a guitarra pouco se ouvia. Algumas pessoas não se incomodaram e agitaram abrindo roda de pogo na levada de músicas como “Caminho das Pedras”, “Cirrose” e “Possuído pela Cana”. A banda tocou músicas com temas de protesto no começo de seu setlist, mas, como sempre, mais adiante tocaram os temas alcoólicos.

Hora de uma das bandas mais maduras, musicalmente falando, de nosso estado. A Realidade Encoberta, que está lançando o EP “Morte e Progresso”, subiu no palco e após alguns ajustes, que fizeram total diferença, iniciaram o show. A banda está num entrosamento monstruoso, apesar da entrada recente e estreia do baterista Eduardo Torment. Eles demonstraram isso com as músicas novas que encabeçaram o repertório, dentre elas “Lobos da Tirania” e “Rio Mortos”, esta última foi repetida no final do show a pedido de alguns que já conhecem bem as atuais músicas, afinal esta música foi disponibilizada de forma digital e teve um ótimo feedback do público. Em seguida, a banda tocou algumas músicas do seu álbum ‘Momentos Antes do Caos’ e foi possível conferir as pessoas abrindo rodas e ver os escassos ‘moshes’. A banda fez uma ótima apresentação e apesar de não divulgarem naquela noite, mas estão de agenda cheia para esse mês de agosto. 

Só não consigo entender como uma banda como a Realidade Encoberta, que trabalha de forma profissional, tem três materiais bem produzidos, mas não consegue chamar atenção dos “curadores” de eventos de grande porte. Produtores, o que vocês estão esperando? A banda acabar pra depois lamentarem falsamente? Enquanto isso eles fincam seu nome e vão deixando letras de fúria impregnadas na mente dos que, de fato, acompanham o movimento underground. Parabéns a produção da Academia do Rock!

 

 

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