Texto por Hugo Veikon
foto por Willian Headbnager

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A 14ª edição do Blizzard of Rock, festival tradicional que ocorre na cidade de Vitória de Santo Antão/PE, este ano foi responsável por dar um pontapé inicial no lançamento do CD da Realidade Encoberta, banda que carrega a história do Crossover e também contou com mais uma histórica banda do cenário do estado, a Storms. O cast do evento se completou com a Trimúrti, Hate Embrace e Vocífera.

O festival começou com a banda Trimúrti, de Gravatá, que faz um som bastante psicodélico e Rock progressivo na linha do Rush (prova tanta, que incluíram um cover deles em seu set list). O trio tocou várias músicas autorais e pelo que deu pra entender explorando o português com algumas pegadas ora pesadas, ora mais rock progressivo e também pegadas regionais. O interessante dessa inclusão de pegadas regionais é que não soaram forçadas. Por ser a primeira banda do cast, o número de pessoas ainda não era grande, mas muitos (ainda me arriscaria dizer que a grande maioria) prestaram bastante atenção a apresentação da banda e aplaudiram as demonstrações e intimidade que cada músico mostrou em seus momentos de solo.

A segunda banda da noite foi a Hate Embrace, que explorou as letras vociferadas em português e sendo a mais pesada da noite. A Hate Embrace está em divulgação de seu novo material intitulado "Sertão Saga". E foi um ótimo momento pra eles mostrarem esse material ao vivo, pois não vêm  fazendo muitos shows pela região. A banda não demorou muito para montar sua aparelhagem, talvez isso tenha prejudicado a passagem de som que ficou abafado, deixando alguns instrumentos muito altos, como o som do contrabaixo, bem como o vocal (tanto que pouco se ouvia a guitarra). Apesar do som ter ficado mal equalizado nada prejudicou a apresentação da banda que estava bem entrosada. Apesar deles abordarem um tema lírico regional isso não implica dizer que eles ficaram no "mais mais" dos elementos  na parte instrumental. Eles não aliviaram e diria até que o som ficou mais pesado, se comparado ao álbum anterior (Domination . Occult . Art).

As alterações no palco aconteciam rapidamente e assim vem a banda Vocífera, já conhecida do público do Blizzard. A banda recentemente teve uma baixa em sua formação, mas a vocalista não deixou isso passar batido e apresentou Eveline (a nova baixista) ao público, e de imediato convidando o público a abrir rodas. Nesta hora, o público já estava em maior número e a animação igualmente. O som também não ficou muito bem equalizado no início da apresentação da Vocífera, mas elas seguiram em frente. Ainda no início de sua apresentação mandaram junto a algumas músicas autorais um cover da banda Venom e uma música nova, promessa para um material vindouro. O público ficou agitado e elas mandaram mais um cover, dessa vez da banda Toxic Holocaust. Essa adrenalina entre público e banda se estendeu até o final da apresentação.

Então chegava a hora do lançamento... mas antes disso a Realidade Encoberta levou um bom tempo pra ajustar o som. Apesar da demora o som ficou bem melhor. Mas vamos ao que interessa: o show! Como citamos no começo da resenha, a Realidade Encoberta fez nesse Blizzard o show de lançamento do seu Full Length "Momentos Antes do Caos". Mas, na verdade, o caos foi mesmo naquele momento, pois o público agitava e destruía literalmente o local. O baterista Zk teve de pedir um pouco da calma dos headbangers para conseguirem continuar o show que se concentrou nas músicas do material em questão. O set list seguiu exatamente a sequência do CD, até ser interrompida por uma música antiga "Sintomas de Terror" que arrancou acompanhamento do público. A banda também contou com a participação de Henrique Poço (ex-Anthares), na música Cabeças da Miséria (o mesmo faz também participação na gravação do CD). A banda não tocou nenhum cover, mas agitou 99,9% do público com seu set list totalmente autoral, tanto que repetiu uma música para finalizar sua apresentação.

Apesar das altas horas da madrugada o público ficou pra ver a caruaruense Storms, que mostrou pela primeira vez ao público do Blizzard, sua intimidade com seus instrumentos. Um power Trio pra lá de Thrash Metal. A banda trouxe um setlist de seu EP, lançado em 2013. A Storms manteve o público no mesmo pique que a banda anterior, tanto que foi necessário pedir novamente a colaboração do público para que se controlassem e não destruíssem a aparelhagem. A banda começou com suas músicas como "Devastation" e "Chemical Death" mas logo um cover do fundo do baú ("Over the Wall" do Testament), mais que adequado para uma banda Old School. A música "The Rape" foi também interrompida pela empolgação do público. Outro cover que empolgou foi o do Nuclear Assault. A banda pretendia encerrar àquela noite com a música "The Beginning of the End", mas a galera pediu mais um cover, porém com uma exigência - Destruction, gritava o pessoal. A banda assim fez e encerrou com "Curse the Gods" e assim encerrou mais uma edição histórica do Blizzard.

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