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A Sexta-feira, 15 de abril de 2011, prometia ser uma noite inesquecível, pois o Abril Pro Rock 2011 teria sua noite pesada. Desde ‘pivete’ eu não imaginaria ver um show do D.R.I em terras pernambucanas menos ainda dividindo o palco com The Misfits e acompanhado do Torture Squad e Facada.

A noite começou com uma grande massa de fanáticos pelo rock pesado, dentre os estilos Crossover – Thrash Metal – e suas vertentes. O público compareceu em massa, o preço bastante justo, afinal o número de gente confirma que o valor estava bastante acessível, visto ter público pernambucano junto as caravanas de diversos estados adjacente, mas sabia-se que boa parte das pessoas estava ali para ver os gringos do D.R.I e The Misfits.

Por volta das 20h foi permitida nossas entradas e as 21h o Cangaço iniciava sua apresentação. A banda é supercompetente musicalmente, mas, às vezes, a mistura é exagerada e deixa o som um tanto que “sem alma”. A influência de bandas técnicas com Sadus, Atheist e Cynic são evidentes, mas tudo misturado com baião. A saída de Arthur e entrada de André na bateria tiveram prós e contras. André tem mais técnica, mas a pegada é diferente.

Coisas que, com o tempo, podem ser alterados. A banda de abertura mostrou em seu set list músicas que foram se alternando entre seus dois primeiros “demo” de 2009 e 2010, mas foi com as músicas do seu EP de 2011, Positivo, que a banda mais chamou a atenção, com faixa em português e com a ausência das misturas rítmicas que eles exploravam mais em tempos atrás.

A banda seguinte era uma de minhas mais esperadas e, sinceramente, superou minhas expectativas. O som estava alto demais e, até embolava o som. O show do Facada foi magnífico. Imagine 19 músicas em pouco mais de meia hora de show. Foi lapada na orelha. Iniciaram com três músicas do mais recente cd, “O Joio”: “Podem vir” chamou a galera; “Tu vai Cair” foi apresentada como “Recife, tu vai cair” e a faixa título. Mesclaram músicas da demo, do primeiro cd, “Indigesto” e do novo cd. “Apocalipse Agora” e “Inferno do Meio Fio” são motivos mais que suficientes para qualquer um sair do chão e enfrentar a roda punk. Durante “Distinction to Gain Respect” um fã subiu no palco, cantou uma parte, driblou os seguranças e caiu nos braços da galera. Tudo bem que ele deixou o microfone mal posicionado, mas a banda pouco se importou com isso e continuou mandando “facada na goela” da galera. Membros de diversas bandas como Decomposed God, Inner Demons Rise, Expose Your Hate e Siege of Hate foram prestigiar a Facada como outras bandas. O final do show foi para matar qualquer fã de grindcore. “Descendo Sangue Igual Torneira”, “Chovendo Baratas” (com sua parada em homenagem ao Napalm Death) e a tão pedida “O Cobrador” terminaram aquele que tinha sido um show maravilhoso.

Após um show matador do Facada,  sem muita  demora, alias demora nenhuma, o Desalma sobe ao palco do Abril Pro Rock. O Power trio pernambucano mostrou pra que veio, com um bom público presente, os caras mandaram suas obras tais com, “Cacaças”, “Tortura”, ”Fragmentos” e “Desprezivel”, ainda instigaram muitos bangers presentes, o fato do desalma ser uma banda já conhecida no cenário fez com que grande parte do público guardasse sua energias para as demais atrações, não desmerecendo os caras, que fez um das melhores apresentações de sua pequena carreira, vale salientar ainda que o som tava na medida, e com uma performance que não deixa nada a deseja, próximo do fim de apresentação os caras mandaram a faixa que dá nome a banda, “Desalma”, e encerraram com “corpo seco”.

Violator, classificados como banda de empolgação, os jovens músicos destruíram muitos naquela noite com alegria, competência e vigor. O clima Thrash Metal proporcionado por eles é empolgante ao vivo. Tudo bem que títulos como “Brainwash Possession” soam meio malucos, mas quem ali estava se importando com isso? “Addicted to Mosh” também levou a galera a loucura. Durante o show houve a “confissão” de Poney, que disse ter feito sua primeira tatuagem com o símbolo do DRI. Ao dizer isso, o irreverente baixista do DRI, Harald Oimoen, que de estrela não tem nada, pois foi visto várias vezes transitando entre o público, pegou o microfone, elogiou o Violator e até tocou um pouco quando a correia do baixo de Poney caiu e ele deixou o baixo largado. A banda vários momentos elogiou o público insano do Abril Pro Rock e terminou sua apresentação com vários aplausos de todos.

Mas depois do ótimo show do Violator, veio o espetacular show do Torture Squad. Tem gente que não gosta dos caras, acha que eles são muito posers ou metidos, mas: os caras são simples, técnicos e profissionais. As músicas do novo álbum, Aequilibrium , funcionou perfeitamente ao vivo, vê-los iniciando o show com “Generation Dead” e seu refrão grudento, foi incrível. Uma banda com o porte deles ter que ficar menos de uma hora no palco é até injusto, pois várias músicas teriam que ser limadas do set. Do cd Hellbound, tocaram apenas duas músicas: “Living for the Kill” e “Chaos Corporation”, deixando de fora outras músicas.

Também tocaram “Horror and Torture” e “Pandemonium”, ambas deste cd, ainda apresentaram seu baterista bastante técnico Amílca, com a música “Chaos Corporation”, Finalizaram com a versão regravada de “The Unholy Spell” e deixaram um típico gostinho de quero mais. Sorte deve ter tido o público de Natal, onde no dia seguinte rolaria o show completo do Torture, vale lembrar também que o abril a banda inaugurava o guitarrista.

Por que peste o Musica Diablo foi colocado com tanto destaque no festival? Ser vocalista do Sepultura supera toda e qualquer importância ou experiência de bandas mais conceituadas? Pobre dos caras do Nitrominds, pois o Musica Diablo pode até ter algumas músicas legais, mas não empolga. As músicas têm peso e técnica, mas a apatia do Sr. Derrick Green coloca tudo a perder. Uma pequena observação: “O português de Derrick melhorou, mas deu pra notar, após o terceiro intervalo entre as músicas, que o vocabulário dele em nossa língua se resume a três ou quatro palavras e trocentos palavrões. Depois de acompanhar Facada, Violator e Torture Squad, ver o Musica Diablo foi um balde de gelo no ritmo do show. A banda divulgou músicas de seu único trabalho auto intitulado, que foi divulgado em mídias como Thrash Metal Old School. Jogada de marketing ou falta de entendimento de quem classificou a banda como tal gênero, pois a banda não demonstrou nada mais do que um Thrash Metal moderno.

Um dos momentos mais esperados, o show do DRI, que começaram com “Snap” e uma energia FDP, os acordes de “Beneath the Wheet” foi o esquente, daí pra frente só roda que ficava cada vez maior, com homens, mulheres, garotos, velhos, “piraia”... Eles investiram em músicas mais crossover (que são maiores) e deixaram de lados clássicos mais hardcore (como “No Religion”). Mas choveram clássicos: Acid Rain”, “Violent Pacification”, “I Don't Need Society”, “Computer Man”, “Hooked”, “Who Am I?” e “Nursing Home Blues”. Não se tinha muito tempo para respirar, os caras impressionantemente não paravam, e mandavam mais músicas, para finalizar o show com “The Five Year Plan”, onde o simpático Harald desceu do palco e foi tocar andando no meio da galera.

O último show da maratona ficou por conta do The Misfits. Faltaram alguns clássicos (“Last Caress”, “Green Hell”, “Vampira”, “American Psycho”...), mas sobraram músicas maravilhosas como “Some Kind of Hate”, “Astrozombie”, “Skull”, “20 Eyes”, “Hollywood Babylon” e “Dig Up Her Bones” e ainda mandaram “Six Pack” do Black Flag (banda onde o baterista Robo e o guitarrista Dez Cadena já tocaram). E foi devido a esse desfile de clássicos, que o show deixou um pouco a desejar. A banda é show de bola, mas Jerry Only no vocal não agradou a muitos. Ele até é competente, mas músicas eternizadas por Danzig e Michael Graves ficaram um tanto quanto sem alma, lentas e sem empolgação. Um exemplo visível disso foi quando tocaram (a também coverizada pelo Metallica) “Die, Die My Darling” e finalizaram o show.

Pode-se dizer que o saldo final foi super positivo, mas que há tempos não tínhamos um Abril Pro Rock tão rico em atrações, mas com alguns deslizes (Musica Diablo, principalmente). Nossa Equipe deixa agradecimentos a Bruno, da Astronave.

Texto por Léo Quipapa, Hugo Veikon e Willian Headbanger
Fotos por Hugo Veikon e Willian Headbanger