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Poucos são os shows de Metal, em Recife/PE, que tem seu início no horário indicado nos cartazes, mas este foi incrivelmente iniciado quase na hora correta. E a primeira banda dar o ponta pé e arrombar tudo foi a ODDIUM, por ser de casa e contar com integrantes bastante conhecidos da cena local, questão suficiente para que os metalheads preenchessem o teatro Mauricio de Nassau, local do evento. É difícil definir o rótulo da banda, mais ela não sai do Thrash/Death.

O vocalista Jorge Picasso após a terceira música já solicitava aos metalheads para agitar e pouco a pouco o mesmo apresentava as músicas da Oddium ao público, de forma que as traduzindo, talvez para norteá-los sobre o que se abordava, dentre elas: Shadows of all fears, Perfection, Impurity... a banda conta com apenas um guitarrista, que rendeu perfeitamente a necessidade da proposta executada pela banda, com riffs, solos e arranjos que também foram enriquecidos pela cozinha, que conta com Bruno Barbosa, baixo, e Eduardo Torment, bateria.

Foi possível notar que a banda solta as lapadas nas horas dos berros de Jorge e explora as melodias nas horas em que não se canta. Vale também destacar que o baterista, Eduardo, já fez parte da banda Oddium, mas com a repentina saída de Fausto, Eduardo voltou e mostrou estar preparado para qualquer batalha. A Oddium tentou soltar um bônus para o público, que pediu, mas devido ao longo cast não foi possível.

Com uma brevíssima troca de cenário para outra banda do cenário pernambucano, que na verdade não se apresentou, pois aquilo merece ser chamado de SHOW, a ALKYMENIA veio com todo gás e trouxe consigo o lançamento do seu Full-length Dark and Nebulous. A banda estava com todo carga e energia extra para tocar a noite toda. Foi simplesmente eletrizante. Após uma breve intro Denis Kreimer, baterista, já mostrava que algo viria, Lalo, vocalista e baixista, anuncia a banda, Denis chama em seu caixa e começam as lapadas, de cara veio uma forte música, Nebulous Flash.

A banda soa tal qual em seu CD e poderíamos dizer que melhor, pois é possível ver a energia da banda soando ao vivo. Denis Kreimer deu trabalho ao seu rodier, que tentava ora segurar a bateria, ora ajeitar algumas peças que se soltavam. Sandro único guitarrista da banda sustenta firme as bases das músicas e na sequência veio a música de abertura do CD, a Gates of Hell, o guitarrista ainda encontra espaço para algumas harmônicas. O público ficou a observar o show que a banda Alkymenia fazia, e nos apresentou boas músicas do seu lançamento, não será possível falar sobre todas para não ficar uma resenha cansativa. Eles nos mostraram em 34 minutos, exatamente, que vêm encarando o Metal com profissionalismo, e assim encerraram seu SHOW com a música Sacrifice in Vain.

Nervochaos a terceira banda ir ao palco e em relação ao último show da banda aqui no Recife o número de bangers, desta vez, foi superior. Uma das músicas que abertura foi Pazuzu is Here, justamente tema da flamula que se apresentava atrás do baterista Edu Lane (único músico remanescente da banda) era tema do Battallions of Hate. Eles tocaram músicas de seu material vindouro. As músicas novas tenham a mesma essência das anteriores, nada de extraordinário, “basicão”, mas empolgada para abrir roda e “bangear” (se é que essa palavra já virou verbo).

Uma observação a ser comentada, é que: noite anterior, em Maceió/Al, a banda tocou com a bateria camuflada e em Recife não. Isso a banda pode encarar como uma crítica minha, pois senti falta desse adereço. A banda parecia estar meio cansada e justamente no decorrer da música Putrid Pleasures que a corda da guitarra estourou (aos 10min de apresentação), mas não atrapalhou muito, o chato foi esperar a troca da corda, esfriou um pouco o público e encurtou o set da banda. Em 6min a troca foi realizada e eles voltam ao set, tocam mais música do álbum de 2010. Com um curte set, de apenas 40 minutos, a banda encerra sua apresentação.

A quarta banda foi a Inner Demons Rise (IDR), banda esta que muitos estavam ansiosos para ver. Sem muitas apresentações a Inner Demons Rise começa sua apresentação Primeira música a ser apresentada – Children’s Sight, a segunda foi justamente a segunda faixa do seu Debut Drachenorden, a faixa The Storm, que de fato Artur pareceu dar uma nova roupagem a música, particularmente achei que a música soou melhor, ficou com mais cara de Death Metal. Diferente ao que ela era, Heavy com Death Metal (ou para alguns Death Melódico), o próprio Alcides cantou a música com menos gutural e mais rasgado. Tal peso empolgou mais os metalheads, acredito que esse seja o melhor caminho a ser traçado pela banda. Até que o front man apresenta a nova formação, na bateria Arthur Lira (ex Cangaço) e na segunda guitarra Alejandro (ex Decomposed God) ainda de suporte no baixo pudemos ver o guitarrista da banda Cruor Túlio Falcão “alcatrão” – palavras do vocalista Alcides -, ou seja, a banda tem time renomado, pois se completa com Alcides Burn (vocal) e Miguel Dantione (guitarra). Toda essa mudança mostrou ao público um novo Inner Demons Rise, ou seja, com mais peso.

Algo que dificulta muito algumas bandas é no decorrer de sua apresentação as pessoas ficarem palpitando na altura dos instrumentos, acredito que a banda deva ter alguém para fazer essas observações, esse tipo de palpite acontecia quase que com frequência nesta apresentação. Mais a IDR continuou seu set com músicas novas e antigas, porém nos palpites de aumenta e baixa a altura da guitarra o que se viu foi a guitarra de Miguel muito mais alto do que a de Alejandro, tanto que até os arranjos sobressaiam das bases (NR comentei isso com Wilfred – vocal da Cruor -, que estava ao meu lado).

Foi apresentada uma nova música Beneath the Suffering, justamente após esse nosso comentário houve um problema na aparelhagem do guitarrista Miguel. Problema resolvido o show continuou e o som melhorou ao menos pra mim, que estava abaixo do palco. A banda mostrou que está bem mais pesada, isso é fato. Parabéns a nova formação.

Última banda da noite, Unearthly, banda esta que vem divulgando seu CD Flagellum Dei e não seria pra menos o set da banda ser trabalhando quase que por completo em cima deste artefato. A sonoridade da banda era praticamente bateria e não seria pra menos, Leghor Suppay vem se destacando cada vez mais na cena nacional como baterista. A banda soltou as músicas: 7.62 - Baptized in Blood - Flagellum Dei (faixa título) – Black Sun ..., acredito que o tempo foi suficiente para a banda, pois o público já se encontrava cansado, mas ainda de pé para ver os guerreiros que se apresentaram a caráter, tanto em roupa como em uso de um singelo corpse paint (vide fotos). Ainda tocaram músicas dos materiais antigos. Em minha opinião, a banda mostrou porque vem tendo um ótimo reconhecimento da mídia especializada e ministrando e erguendo a bandeira do Black Metal nacional. Foi ótimo ver que a cena Black Metal continua viva. Muitos comentários que a banda está parecendo e soando como a banda Behemoth, eu acredito que a linha para quem faz Black Metal War é essa. Parabéns ao Unearthly por suas músicas e apresentações, tanto em Maceió como em Recife.

Esperamos ver outros shows com um cast tão bem elaborado como foi àquela noite.

- Resenha por Hugo Veikon 
- Fotos por Hugo Veikon e Willian Headbanger

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