Bandas:NOWAY

Categoria: Heavy Metal

Ano: 2014

De todos os cds que chegam em minhas mãos para resenhar, nunca faço distinção ou pré-classificação por capa ou títulos e, por isso, já me surpreendi positivamente várias vezes, mas a estratégia dos paulistas do NoWay em explorar tanto a imagem como a ótima produção não foi muito positiva neste "Rise of Insanity". Os caras investiram uma boa grana para preparar todo este trabalho e isso fica claro no trabalho gráfico do álbum como na produção cristalina. Mas ao tocar o CD, sempre fica a impressão de que falta algo. As músicas não têm uma linearidade ou características marcantes, e isso torna o CD até cansativo. Explorar apenas a imagem não é tudo, pois uma linda vocalista precisa ser bem escudada tanto por bons músicos como por boas composições (vide o Arch Enemy).

Logo na faixa de abertura "Match Through the Fire", pensei que viria um hard rock pomposo, mas os caras mudam o estilo da música, passam pra algo mais heavy metal no início e o refrão tem umas pitadas de thrash, mas o saldo final não agrada. A segunda faixa, "Praying with Bullets" começa com um solo de guitarra digno se uma balada para tocar em FM, mas a música tende para um hard rock, e a qualidade cai novamente. Aí junto algumas peças de um quebra-cabeças e imagino que a ideia da banda tenha sido atingir um público diversificado e, para isso, ousou em misturar tanto as músicas. Uma coisa que notei já nestas duas primeiras, e que se enquadra em várias outras, é que os finais são abruptos do tipo "vamos finalizar por aqui pra não entender demais", aí rola um corte feioso e tchau música!

Mas também tem bons momentos no cd. Em "We Will Take You Down" rola uma pegada meio blues pesadão, com pitadas de hard rock e alguns riffs e solos inspirados de Rodrigo Alves, que ao longo do CD se mostra bem travado, com estruturas muito simples, sem riffs pegajosos ou pegada firme. Pela primeira vez no CD a voz de Diana Arnos encaixa muito bem e dá esperança para o restante da audição.

E isso se concretiza nas faixas seguintes, "Leading Way to Suicide" e "Colateral Murder", sendo que esta tem um ótimo trabalho do baixista Felipe Cabeça. Em ambas o corte final não está bem encaixado novamente, mas não compromete tanto.

Aí os caras caem na burocracia novamente em "Armies of the Night", apesar de Diana fazer um bom trabalho novamente e Daniel Bianchi se destacar pela primeira vez na bateria.

As coisas meio que voltam aos trilhos em "Power and Prejudice", mas os vocais de apoio estragam um pouco a música, que tem uma boa estrutura. Daí pra frente os clichês se repetem pela enésima vez e não surgem novos bons momentos, tornando o final do CD meio repetitivo.

Talvez algumas dicas se encaixassem bem a este CD: uma melhor distribuição das faixas (colocar uma faixa forte logo no começo), evitar repetir demais as fórmulas nas músicas e reduzir um pouco o tempo total para tornar o trabalho menos massivo. O saldo final foi que o NoWay quis atirar para várias vertentes, mas não acertou nenhuma delas.

 

(por Léo Quipapá)

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