Banda: MALKUTH

Categoria: Black Metal

Ano: 1998


Essa aqui é uma sessão poeira, pois havíamos esquecido esse material antigo, encontrado no baú de nossa fotógrafa Dezza Ganny, artefato este que representa toda a história da única banda de Black Metal pernambucana desde a década de 90.

Aqui falamos do "The Dance of the Satan's Bitch, um petardo que colocou o Black Metal pernambucano na cena do Brasil e do mundo, e quem deu esse ponta-pé foi a horda MALKUTH, nos idos dessa década, o "The Dance of the Satan's Bitch" foi o primeiro Full-length da banda, lançado pela gravadora mineira Demise Records,do conhecido Willson Jr. (horda in memorian).

O CD inicia com a faixa que dá nome a obra, uma singela intro de 1’29’’, com teclados fúnebres e tambores, em seguida um dos clássicos da banda “Canção em Lua Negra de Averno”, uma das poucas músicas que a banda se arriscou a cantar em português. A banda nesta faixa se preocupa incrivelmente em arranjos, ouvi-se diversos arranjos de guitarra no background, talvez umas duas a três guitarras e também teclados. No meio da faixa um solo que nos lembra um clássico da música instrumental (Vôo de Ícaro), coincidência ou não, a melodia é semelhante, mas aqui a Malkuth parte para o lado da harmonia depressiva. No final dessa canção surge o vocal feminino na voz de Daniela Nightfall, vale também comentar de Cyber Necro Daemon que assumirá os teclados.

Só essa faixa comentada acima pagaria o álbum, mas como dizem que não julguemos um artefato por uma única faixa, demos continuidade.

Logo, o material traria apenas clássicos, desta vez do Demo Glory and Victory, de 1995, a faixa “Azimã: The Doctrinator of the Sexual Arts” mais uma faixa que decorreria sobre o fator sexual, com uma atmosfera carregada em teclado com efeito de chorus e riffs de guitarra que lembra a escola grega, elemento que sempre acompanhou a Malkuth.

Em, “Além dos Jardins Nosferáticos”, a banda mostrou mais um lado de exploração de harmonias, do guitarrista Priest Vampyr Ashtaroth, um faixa curta, mas que transmite toda uma depressão.

“Poderoso Sangue de la Serpiente” é uma das faixas mais pesada do álbum, com ótima colocação de vocais, com oscilações do tradicional vocal rasgado que pede o Black Metal e um Gutural que dá o peso, mais uma colocação de vocal feminino, uso de efeito de órgão nos teclado pra decair a levada da música, quando decai mais ainda e é executada acordes acústicos, lembrando até mesmo a behemoth no começo de carreira.

Mais uma faixa de grande título, “The Great Black Goat God (The Lord of the Flies)”, aqui é realmente a faixa mais pesada do stuff, mais exploração de velocidade no caixa e bumbos da bateria de Maniac for War, mais uma vez oscilação de vocal.

Uma faixa instrumental, “Drink your own Blood (Necromantical Desires...)” com um som de violão, a banda coloca nas últimas faixas do material.

De forma bem diferente a banda inicia a faixa “Under Delight of the Black Candle”, pois aqui quem começa a cantar é Daniela Nightfall, seguindo a melodia guia do teclado. Então a essência da perversidade toma espaço, seria o vocal de Nightfall predominando transmitindo um sentimento perverso e a banda torna a usar levadas mais rápidas tanto de guitarra, quanto na batera. Uma forte exploração de harmônicas de guitarra, algo bem típico do Black Metal grego.

Hora de encerrar o álbum e pra quem não conhece esse material, ele foi finalizado ao som de um órgão bastante fúnebre, para poder dar toda essência da reverência a Onipotência do Black Metal, a faixa é “Reverência ao Bode (Outro)”, precisa falar mais alguma coisa? Se precisar, compre essa raridade onde você ver - onde você estiver - pelo valor que tiver - para poder ouvir Daniela Nightfall dizendo com todo louvor a essência do Black Metal, como tudo deveria ter sido mantido. Infelizmente alguns não entenderam, ou não quiseram entender e foram modificando. Black Metal é Moral e Honra!

 

(por Hugo Veikon)