Banda: INSANE DEVOTION

Categoria: Symphonic Black Metal

Ano: 2016

Não é de hoje que a INSANE DEVOTION investe nessa linha de Black Metal Sinfônico, investimento este que tem um feedback positivo dos apreciadores antigos, bem como dos novos que eles conseguem prospectar pela tamanha qualidade de som. Sou suspeito em falar, pois me enquadro nos que seguem a  banda desde seu debut (o split In Inferioribus Terrae). Mas não teço elogios por colocar meu gosto nesta redação, acima de tudo pela real qualidade.

São músicas de áureas que te tele-transportam a um lugar nebuloso, pois o teclado te dá essa sensação, o vocal dobrado te passa aquela ideia de exorcismo e a batera (programada) é mesclada entre o extremo e a cadência. Você percebe isso fortemente na música de abertura, “Son of Hate”. E que não entenda errado, sinfônico aqui não significa que você ouvirá aquelas músicas alegres ou depressivas, a Insane Devotion passa longe disso.

Eles têm um ponto intrigante, que é uma guitarra suja com palhetadas travadas e ora cortantes, que soam firmemente como Death Metal, executada por A. Mauricio (também Scorner). Algumas músicas têm guitarra e bateria rápidas, mas o teclado de Fernando Nahtaivel e o vocalista Moloch dão uma quebrada deixando o som inteligível.

A música “The Ritual of Winter” nos traz aos velhos tempos da banda, onde há uma exploração do sinfônico e transparecem cenários frios de batalhas. A faixa “Standard Operating Procedure” tem bastante velocidade, mas o charme da música fica justamente pra os andamentos menos rápidos que são dosados na medida certa entre instrumental com vocais, ou seja, Moloch deixa as partes instrumentais aparecerem mais, cantando menos.

A última faixa faz um pouco do que eles fizeram no começo da carreira, com experimentações de ritmos, mas sem deixar de lado o peso e velocidade essencial da banda. E que música! “Mass Murderer” junto à “Son of Hate” é mais uma que eu destacaria deste álbum, com refrãos fortes e pegajosos, adicionada a um trabalho instrumental de 12min simplesmente espetacular.

O atual trabalho, Infidel, é muito bom, mas aquele debut deles vai ficar pra história e acredito que sempre será citado.

Aos desavisados, este álbum tem, de fato, apenas seis músicas inéditas, pois as outras sete são do antecessor (que devido a problemas de lançamento vieram agora como bônus, pois antes ficaram apenas disponíveis virtualmente).

Então da sétima faixa em diante o material se trata do “Slaves Will Serve” gravado em 2002/2003 (lembro-me disponível no site da banda) e você já nota pela qualidade de gravação. Não vamos aqui resenhar esta parte, até porque acredito que o atual lançamento seja o foco. Mas vale agradecer a banda por tais bônus, afinal, esperamos muito por este lançamento.

(por Hugo Veikon)

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