Banda: IMPERATIVE MUSIC XII

Categoria: Coletânea

Ano: 2016

Lembro quando a Planet Metal fazia suas coletâneas e lá conheci várias bandas, mas eram outros tempos, onde o mundo digital ainda não fazia tanta parte de nossas vidas. Mesmo nos dias de hoje, lançar um material com tamanha qualidade como são os lançamentos da IMPERATIVE MUSIC é um risco, embora tenha tamanha distribuição dentro e fora do Brasil, como é o caso.

Desta vez, em sua 12ª edição, não trouxeram banda “top mainstream”, como fizeram em edições passadas com a banda Kreator, Obituary e por aí vai. Mas trouxeram algumas bandas gringas e várias nacionais muito boas e sempre com um tratamento de áudio pra manter o padrão nivelado. A masterização contou com Gwen Kerjan e a arte se manteve na beleza, com o trabalho thrash de Julio Souza.

Sempre me surpreendo com as bandas vindas do Japão pois é uma atração particular pelo trabalho musical nipônico. Desta vez foi o Power trio ALICE IN HELL, que faz um thrash flertando com speed. A banda é relativamente nova, com um único material lançado, até o presente momento, mas que tem uma qualidade musical muito boa, nervosa e muito bem mixada. Já que estou no Japão, vou falar logo de outra banda que gostei de lá e que integra nesta compilação: a HIDE BOUND, com seu Death Metal técnico e guitarras marcantes. Outra gringa foi a INFACT, de Luxemburgo, banda de thrash com nuances de melódico, que pra mim finaliza em um som bastante moderno e bem tocado, mas achei muita gritaria.

A primeira banda brasileira nesta edição é a gaucha CAVERA, que já teve sua resenha aqui no Arena Metal. A banda faz um Thrash bastante clean, vocais também não muito agressivos. A faixa escolhida foi “Controlled by the Hands”. Na sequência, outra banda gaúcha, AS DO THEY FALL. Da Suíça veio a NIHILO, com um death metal cru e direto, cuja música foi lançada em 2014. Outra brasileira que se fez presente nessa compilação foi a DEATH CHAOS, na oitava faixa, com a música “Atrocity on Peaceful Fields”. Quem não conhece o som dos caras, trata-se de um som calcado no Death bem trampado, que chega a flertar com um thrash e com o heavy, mas bem levemente.

E agora um doom/dark cavernoso do DARCRY, outra banda da terra do sol nascente, com som arrastado, vocal super sujo, guitarra saturada e é justamente esta saturação que eu vejo que eles poderiam melhorar, mas se esta for a proposta estão no caminho certo. A americana THE HOLY tem ótimos guitarristas e baterista, o som é bastante interessante, lembrando algumas bandas antigas de death metal, mas precisava ter feito uma gravação mais profissional. Já a brasileira TRIBAL fez uma gravação mais bem cuidada e com ótimos trabalhos de guitarra, destaque para essas cordas. Gostei bastante da PHANTASMAL, oriunda dos EUA. Apesar da gravação crua, até isso deu um charme no som dos caras, que me fez lembrar o Venom com pitadas de Nocturnal Breed. Uma outra dos EUA é a METANIUM, que pra mim já soa interessante quando eles começam a cantar, porque enquanto bandas do mundo inteiro querem fazer música em inglês esta banda canta em espanhol e você pode pensar que boa parte da banda deve ser de país colonizado pela Espanha, mas não, só uma pessoa não é dos Estados Unidos. Mas enfim... a banda tem um som legal.

BASTTARDOS é outra banda que frequentemente aparece aqui em nossas linhas. Não por menos, os caras sabem trabalhar, fazer os corres e já temos dois álbuns deles no site (um de 2013 e outro de 2015). Interessante que a música que faz parte nessa coletânea é justamente a qual nosso colunista fez comentários positivos, chamada “Exilados”. O som dos caras é um rock and roll, mas nesta música eles preenchem com mais peso. THE WILD CHILD é da Itália e representou legal o pais e a vertente heavy metal tradicional, som claro, guitarras bem definida e o instrumental bem audível. Dos países baixos veio o ARMED COLD com um som que mescla o heavy com industrial mas em alguns momentos a banda me fez lembrar até mesmo o Rush.

Mais um brasileiro no cast foi o guitarrista carioca EDUARDO LIRA, que apresenta aqui sua carreira solo. A localização da música dele fez todo sentido, pois ficou justamente onde tem as bandas mais heavy / hard. E por fim os portugueses da GODVLAD vieram com seu gótico/death bastante moderno. Não é um som que tenho muito conhecimento pra comparar com alguma outra banda. Mas o som tem uma ótima mixagem e fica nítida a competência da vocalista Vanessa Cabral.

Mais um ótimo trabalho da Imperative Music que vale ser conferido.

 

(por Hugo Veikon)

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