Banda: HAGBARG

Categoria: Folk Metal

Ano: 2015

Bem, caro leitor, nem precisamos mais apresentar a banda mineira Hagbard. Já resenhamos o último EP deles, “Tales Of Frost And Flames”, e deu pra conhecer bastante a história da banda. Nos últimos dias tivemos a honra de receber o novo álbum deles, “Rise of the Sea King”. Quem lembrar da resenha do EP vai recordar que este álbum é sucessor do EP e foilançado apenas por uma gravadora Russa mas agora ganhou uma versão totalmente brasileira, lançada pelo selo HM ROCK. Desse modo, a Hagbard teve o apoio e vem divulgando cada vez mais o seu primeiro álbum que foi/é um dos melhores discos já lançados no Brasil nos últimos anos.

Que headbanger (seja ele qual for mais familiarizado com qualquer subgênero) não se sente com o ar de alegria ao pegar um disco/cd e ouvir com a encarte na mão? Enfim, ainda mais quando a capa é belíssima e bem produzida como neste “Rise of the Sea King”, o que podemos dizer é que Jobert Mello tem uma certa facilidade para criar capas épicas e que se encaixam perfeitamente com a banda. E dentre toda essa arte, o encarte vem com todas as letras das músicas e fotos dos membros com pinturas nos rostos, estilo War Paint que retrata bem o foco principal da banda nas letras, guerra, luta e glória, voltado a temas nórdicos.

Quando se trata de “epicidade” a Hagbard se destaca, pois, “Rise of the Sea King” é marcado por músicas grandiosas que destacam-se não apenas no folk metal ou viking metal e sim no meio METAL, algo cativante e que prende o ouvinte, deixando-o ouvir o disco do início ao fim sem pular uma faixa. A variação de músicas mais rápidas e outras mais dançantes torna uma esplêndida atmosfera musical que junto com os belos coros complementado pela vocalista Vitória Vasconcelos, enaltece as canções e ainda a mesma canta a faixa “Hidden Tears”.

O disco começa com a intro “Eulogy of Ancient Times” que apresenta sonoridade de águas do mar, isso me remete a pensar sobre o nome da banda e associar a intro ao mesmo poisHagbard era conhecido como um lendário rei do mar na mitologia nórdica e esta introdução se aplica bem a um início de uma batalha. As próximas faixas “Warrior’s Legacy” e “Berserker's Requiem” mostram o que já citei no review do EP da banda. Os destaques individuais ficam por conta de Gabriel Soares (Tecladista) que é responsável por aumentar os elementos épicos em quase todas as músicas do álbum, e o vocal de Igor Rhein que está sempre agressivo e rasgado. Ainda na faixa “Berserker's Requiem” vemos Everton Moreira mostrar suas técnicas e criatividade ao encaixar acentuações de notas em suas pegadas alternadas assim destacando notas agudas do prato, tornando uma passagem meio que black metal na música. E para dar aquela realçada, as guitarras de Danilo Marreta e Tiago Gonçalves dão um complemento mais pesado às músicas com riffs bem elaborados e solos, além de Rômulo Sancho que dar um acabamento especial e fantástico nos acompanhamentos no baixo.

Nas passagens mais calmas temos músicas como “Mystical Land” e “Hidden Tears” onde os elementos mais folks são utilizados, como o uso das flautas por Gabriel Soares (isso mesmo, mais uma vez, o cara canta, toca teclado e ainda flauta) e de violinos que são tocados por participação de Vinicius Faza.

O disco possui outras faixas indispensáveis para audição, porém para não ficar com muitas delongas no texto, deixarei você, caro leitor, na curiosidade de conferir este fantástico material que possui 10 faixas. E darei destaque a uma das minhas faixas preferidas, a “Dethroned Tyrant”, que possui andamentos mais rápidos e mais pesados em relações as outras, também tendo como características suas variações durante toda a faixa, como partes mais lentas acompanhadas por flautas. Outra que também destaco é “Until the End of Day”, que é pesada mas bem dançante e seus backing vocals se destacam bastante, fechando o disco meio que numa coisa bem viking com o trecho: “Drinking and singing with my friends. Until the end of day! Hey!”

Bom o que me faz pensar ao ouvir um disco como “Rise of the Sea King” é que o metal brasileiro continua a gerar músicos de ótima performance e criatividade, resta o reconhecimento por parte de muitos que preferem ouvir bandas do underground da periferia de Mônaco, mas não dar o valor merecido ao que está sendo produzido aqui.

Rise of the Sea King, sem sombra de dúvidas, merecia ser lançado no Brasil e isto aconteceu. A HM ROCK nos deu uma ótima oportunidade de adquirir este esplêndido álbum.

(por Ismael Guidson)

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