Banda: HAGBARD

Categoria: Folk

Ano: 2016

Após três anos do lançamento de seu primeiro álbum, os mineiros da Hagbard voltaram  mais épicos, pesados e com elementos que enaltecem ainda mais o folk metal, com este segundo full-lenght “Vortex to an Iron Age”. Sempre com a mesma proposta de entrar a fundo, explorando o folk metal e abordando outras vertentes ligadas ao heavy metal. Digamos que desta vez o lado sinfônico foi bem mais trabalhado e lapidado comparado com os lançamentos anteriores, com melodias que tornam uma atmosfera bastante agradável ao ouvinte.

Gravado em Juiz de Fora (MG), “Vortex to an Iron Age” assim como “Rise of the Sea King” foi masterizado e mixado por Jerry Torstensson (Dead Dog Farm Studio) em Säffle (Suécia), ficando claro mais uma vez uma mixagem bem feita, onde os instrumentos, vocais principais e backings vocals são todos audíveis de maneira que nenhum se sobrepôs em relação ao outro (instrumento ou vocal), o que tornou a mixagem bastante equilibrada e o cd bem coeso.

Com uma pequena mudança, diferente dos outros trabalhos lançados, desta vez a arte gráfica ficou a cargo de Marcelo Vasco, brasileiro que já tem experiência com trabalhos no meio heavy metal, mundialmente reconhecido, onde atuou recentemente nos álbuns do Slayer, Borknagar, entre outras bandas. Outro fato que marca o lançamento de “Vortex to an Iron Age” é que desta vez o álbum será lançado no Brasil pela Heavy Metal Rock Records, selo que em 2015 também foi responsável por dar oportunidade aos brasileiros adquirirem o álbum debut, que antes só tinha sido lançado na Rússia. Sem dúvidas, um merecido apoio do selo para com a banda, que tem um potencial grande de profissionalismo e autenticidade, e tende a crescer cada vez mais.

Com 11 faixas inéditas, onde a sonoridade apresentada fora bem diferente do lançamento anterior (o EP “Tales of Frost and Flames”), o mais novo full trouxe faixas mais pesadas, com teclados e violinos mais alegres, ou melhor expressando, uma sonoridade bem mais medieval com todo equilíbrio obscuro que vem da essência do grupo. A “Intro” remete elementos de músicas folclóricas com violinos dançantes e todos os instrumentos no mais perfeito compasso. Com uma faixa curta e direta, “Never Call The Sage To Drink In Your Home” a banda enfatizou a junção de peso e sonoridade medieval, além dos guturais abundantemente agressivos de Igor Rhein que seguem durante a faixa “Bridge to New Era”, já que a proposta é fazer passagens por vertentes do metal. Também é notória a pegada death/thrash na bateria de Everton Moreira em alguns momentos da faixa.

As letras do disco, assim como a sonoridade citada, remetem eras antigas (medievais), onde a honra e o orgulho era bem cobiçados e assim era necessário o uso da força e ferro. A capa do disco traz toda essa referência com os instrumentos de guerra utilizado naquela época. “Iron Fleet Commander”, é uma das faixas mais pegajosas instrumentalmente, pois conta com linhas marcantes de teclado de Gabriel Soares no início e são completados com violino de Vinicius Faza Paiva, que teve participação especial e essencial durante todo o disco. Observa-se ainda nesta música referências direta as obras de George R. R. Martin, cujos temas foram inspiração do EP anteriormente lançado. Em “Last Blazing Ashes” há toda ‘melosidade’ que a banda sempre vem mostrando nos trabalhos anteriores, com músicas que trazem uma sonoridade mais lenta com atmosfera bem gélida e calma, uso de vocais limpos de Gabriel Soares e violão bem arranjados de Luqui di Falco. Em “Death Dealer” os backings vocals se sobressaem tornando a música mais épica, completando com os solos direto de Danilo Marreta.  Seguindo com “Relic of the Damned” fica mais nítido os elementos de guitarra utilizado durante o CD, que é a técnica de palm mute que consiste no abafamento das cordas e tornou o som das músicas mais denso, ou seja, mais 'escuro'. “Inner Inquisition” teve participação da vocalista Livia Kodato, que tornou uma canção com um lado voltado para o metal sinfônico bem lapidado, trazendo vocais que fazem lembrar Simone Simons e uma fase de sua carreira. “Deviant Heathen” e “Shield Wall” seguiram na mesma proposta do disco, com os ótimos acompanhamentos de baixo de Rômulo Sancho, o que torna tudo ainda mais empolgante durante a audição. “Outro” encerra o disco com toda epicidade que o disco merece.
Uma banda coesa e direta com enorme potencial, que segue trilhos que levam através da sonoridade a culturas distintas... “Vortex to an Iron Age” é um disco enérgico, sombrio e frio. O que trouxe uma Hagbard ainda mais profissional em suas criações cada vez mais com características próprias.

 

(por Ismael Guidson)

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