Entrevistamos o Técnico de Som do Studio da Tribo (SP), TREK MAGALHÃES, para esclarecer e comentar um pouco sobre a carreira de uma pessoa que trabalha por trás da música e dá toda qualidade e peso necessário aos que ouve o Metal, tanto na bolacha quanto no PA.

Arena Metal - Blz, Trek? Vou começar essa entrevista agradecendo por você ceder seu tempo, que é corrido e vamos deixar de ‘frescura’ e começar. Cara, eu conheci seu trampo quando te vi no Musikaos (finado programa que divulgava bandas de Rock e Metal) e se não me falha a memoria você estava trabalhando com a Torture Squad, ou seja, você tem um ‘puta’ tempo de carreira. Gostaria que você me dissesse como você começou suas atividades de Técnico de Som?
Trek Magalhães - Veio na real tudo começou com KRISIUN e o STUDIO DA TRIBO mais ou menos em 98. E ‘pow’ que saudades do Musikaos ...rsrsr... Veio aquele dia foi tudo improvisado era pra ser uma banda Alemã não lembro, mas era entre Kreator, Sodom ou Destruction enfim, deu rolo no voo, estávamos na galeria do Rock, no Toninho, e o Gastão ligou pro Toninho, pra encaixar alguma banda. Teria de ser naquela hora, e o Torture [A.M.: Se referindo ao Torture Squad] nessa época ‘trampava’ na galeria dai foi só chamar a ‘vagabungem’, no bom sentido, e lotou o programa . Mas esse dia eu estava de folga, fui pra curtir acabei ganhando por coincidência a marmita Musikaos, vários itens entre eles o picture do Torture, que eu tinha ajudado Ciero a gravar no Datribo [A.M.: Estúdio conhecido em São Paulo, o qual o mesmo trabalha]. Foi meu primeiro registro oficial, e olha onde fui ganhar pra mim vale como Oscar, saca? Massa mesmo veio! Como e quando mais ou menos começou.

Arena Metal - Pode parecer uma pergunta idiota, mas eu vou fazer. Você acredita que pra quem quer trabalhar nessa área de Aux. Técnico de Som ou até mesmo ser Roadie é necessário ter conhecimento de instrumentos musicais, quero dizer sabe-los tocar? Porque, apesar de aqui em Recife/PE não ter muito futuro nessa área, mesmo assim, fui fazer um curso de Roadie e na ficha eles solicitavam que o aluno soubesse tocar algum instrumento.
Trek Magalhães - Veio o Téc. de Som precisa sim conhecer instrumentos, diferenciar os timbres pra mixá-los certo? Imprescindível, o Roadie não precisa saber tocar, mas ele tem que ser num mínimo um bom luthier, pra saber afinar, entonar, regular... enfim. Tem que ter uma relação estreita com o instrumento. Mas sabendo já ajuda, com certeza. E na estrada mais ainda, pois nem sempre o músico pode passar som, daí O Roadie tem que passar, então tudo tem que aprofundar pra sair bem feito quanto mais souber melhor rsrsr...

Arena Metal - Bem, após ter visto você no Musikaos te vi dando suporte ao Clautrofobia, em 2001 em João Pessoa/PB, e novamente em 2010 eu vi você Auxiliando os caras em um Show no Recife/PE. Como rolou o convite pra você ‘trampar’ com essa banda até hoje?

Trek Magalhães – Aaah! Veio o Claustro [A.M.: Se referindo ao Claustrofobia] somos muitos amigos, irmão mesmo de verdade. Rolou porque na hora tínhamos disponibilidades de datas e foi fantástico... muitas mas muitas histórias rsrsr. Toda vez que rolar datas vamos estar juntos com certeza.

Arena Metal - Então, você acha fundamental uma banda ter seu Técnico de som, digamos que, quase permanente, para que esse profissional conheça perfeitamente a sonoridade da banda? Porque foi o que pude observar quando te vi trabalhando com a Claustrofobia, você foi lá mexeu no som por completo e quando a banda tocou, parecia outra aparelhagem.
Trek Magalhães - Com certeza, se não for permanente tem ouvir a banda conhecer sua sonoridade e timbres, fundamental pra mixar bem um show. Conhecer a banda ajuda e muito mesmo.

Arena Metal - Cara, como é o mercado de trabalho pra quem tem essa formação?
Trek Magalhães - Difícil falar, porque depende muito, tem curioso e tem o teórico, enfim. Tem que gostar de verdade, daí conhecer o processo todo rola com o tempo, e o mercado é grande com certeza. Tem espaço, basta saber chegar e saber o que tá fazendo. Como falei antes o mercado é bom e reconhecido tem faculdade tem tudo dai e só acrescentar talento individual pra sobressair ...rsrsrsr...

Arena Metal - A evolução da informática vem ajudando algumas bandas na hora de fazer sua gravação e a banda Krisiun fez sua última gravação de forma analógica, qual sua opinião sobre os tipos de qualidade?
Trek Magalhães – rsrsr simples e direta ANALÓGICO. Cara tem muitas diferenças e praticidades processo ANALÓGICO tudo artesanal, orgânico e sem edição. Coisa pra gente grande ou é músico ou não grava. No digital entra a praticidade de editar de manipular timbres auto tune, nas vozes, enfim. Manteiga, basta saber usar computador soft qualquer desse de mercado, sai um disco pronto. O Krisiun gravou uma obra prima pra ficar pra história como Metal Church, Iron, Motor, ACDC... Quanto mais você ouve, mais você quer ...rsrsr... sinto que no digital não acontece essa longevidade, portanto tem muitas diferenças, mas não discuto gosto. Apenas aprecio a arte de gravar.

Arena Metal - Já observei que você também trabalha em estúdio, Studio da Tribo. Pra você qual o melhor e qual a diferença, que vale apena comentar, em trabalhar em Studio e em Show?

Trek Magalhães - Sim veio tem uma bela diferença, no STUDIO temos todo tempo menos a grana ...rsrsr... mas fazemos pré produção, corrigimos erros em comum acordo, mudamos algum ‘reef’ se precisar. Ao vivo, mano o bicho pega, se der errado já era, já passou. Por isso conhecer a banda e ‘equipo’ não tem preço ...rsrsr...

E a diferença no STUDIO: o disco é eterno, já ao vivo fica gravado só na memória se a banda e o som foi legal o show fica inesquecível. Acho que é essa a diferença.

Arena Metal - Quais os equipamentos e softs que vocês usam no processo de gravação e edição?
Trek Magalhães - 9 pro tools e Logic Audio.

Arena Metal - A precariedade de algumas bandas menores faz com que as mesmas procurem estúdios mais “home”, dessa forma usando softs mais simples ou velhos mesmo, quais você indicaria para se obter um resultado agradável?
Trek Magalhães - Na real são uma serie de fatos, não são os softs velhos ou novo, mas microfones, cabos, cordas, peles pelifericos etc... Índico primeiro que conheça um STUDIO de verdade pra entender um pouco o processo e gravar consciente.

Arena Metal - Eu já observei que em bateria a galera normalmente aponta o microfone nas bordas, para talvez não atrapalhar o músico, mas eu sinto que a nota fica mais aguda, quais dicas você mencionar para no processo de gravação?
Trek Magalhães - Como falei antes, peles novas batera afinada e as posições de mics o téc. e produtor vão ao longo das timbragens achando a melhor posição até todo mundo bater o martelo e começar a gravar.

Arena Metal - Trek, no mais é isso, fico nessa e peço que diga o nome de algumas bandas que você já trampou, pra todos conhecerem um pouco mais de seu trabalho e se você tem previsão de visitar nossa terra Recife mais uma vez.

Trek Magalhães - Veio se eu escrever todas vai demorar uma eternidade. Só no STUDIO já participei mais de 80 discos entre eles krisiun, Ratos de Porão, Claustrofobia, Subtera, Torture Squad, Pandora... nunca vou lembrar todas rsrsr.
E na estrada: Vader, Incantation, Dismember, Enthroned, Marduk, Cannibal Corpse... Não lembro todas também, mas fiquei um tempo na Tumba com o Edu [ A.M.: Nervochaos] e viajamos com muitas bandas. E espero continuar por muito tempo. Hugo, valew mesmo a entrevista e espero que tenha ajudado a entender um pouco de gravação, studios e show ao vivo, bem resumido. Mas acho que valeu, foi de verdade ...rsrsr... Saúde e paz.

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                                                                                             (Por Hugo Veikon)

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