(Entrevista por Hugo Veikon)

 

Arena Metal – Opa Amanda! Vocês montaram a Seeds of Destiny e rapidamente ganharam uma notoriedade no estado. Quais fatores você aponta para essa rápida aceitação?
Amanda Lins - Eu acho que podemos atribuir ao fato de que nosso som pende pra uma vertente do metal que não dispõe de tantas bandas em atividade por aqui. Creio que isso despertou certa atenção por parte do público, principalmente daqueles que curtem esse tipo de som e sentiam ausência de coisas novas. Acredito, também, que nosso empenho em fazer um material de qualidade, dentro das possibilidades que dispúnhamos, tenha influenciado para o reconhecimento do público.

Arena Metal – Visto essa carência, vocês não acham que por serem praticamente a única (não sei de outra banda em atividade nessa vertente) poderiam participar mais de shows como foi o de Tarja, por exemplo, em vez de se inserirem nos shows com vertentes mais extremas?
Amanda Lins - ...rsrs... É curioso, mas acredito que temos feito parte do mesmo cast que bandas mais extremas justamente pelo fato de que não temos visto eventos mais direcionados a bandas do nosso segmento, justamente por essa carência. Mas eu acho isso muito positivo, pois promove a interação entre os músicos e públicos de diversos estilos. A própria banda é composta por apreciadores de metal extremo também, então, mesmo que não tenhamos essa influência tão evidente em nosso som, não nos sentimos inseridos em um espaço que não nos caiba.

Arena Metal – O que você acha que falta pra vocês se inserirem nos palcos maiores? Atualmente vejo que algumas bandas de abertura não têm nada a ver com alguns eventos.
Amanda Lins - Em minha visão particular, honestamente, eu acho que falta ampliarmos nosso repertório pois, no momento, embora estejamos trabalhando em músicas novas, apresentamos em shows apenas cinco músicas do EP e, vez ou outra, algum cover. O que se complicou ainda mais, com a mudança de tecladista, pois a nova integrante encontra-se naquela fase de familiarizar-se com as músicas já existentes. Isso dificulta um pouco a inserção de novas músicas, pois precisamos, primeiro, estar todos bem afiados com as antigas. Por nossas músicas terem uma duração relativamente "longa", nosso atual repertório tem sido o suficiente pra segurar eventos com uma maior quantidade de bandas participando. Mas, pra abrir um show maior, acredito que não funcionaria, nessa fase atual.

Arena Metal – O que houve para que Vinícius saísse? Se não me falha a memória ele é um dos fundadores, não?
Amanda Lins - Sim, você está certo, ele é um dos fundadores da banda, que se mostrou corresponder a algo que sempre foi desejo em comum entre ele, o ex-guitarrista Hyllo, e eu, desde projetos realizados muitos anos antes de conseguirmos levar a Seeds adiante. Não houve, absolutamente, nenhum motivo interno para a saída dele. Nossa relação com o Vinícius era muito boa. O seu desligamento partiu dele próprio. Segundo ele, "precisava respirar novos ares musicais".

Arena Metal – E quem foi que assumiu seu posto? Pergunto isso porque não vi nenhuma nota oficial, nem recebemos nenhuma nota sobre a saída do mesmo ou da entrada de um novo integrante.
Amanda Lins - Recebemos a Thais Lopes, que foi convidada por Vinícius, imensamente recomendada por Luciana Lima (que já conhecia a Thais pessoal e profissionalmente), e prontamente acatada pelos demais membros, devido às fortes referências, o que se confirmou ao termos oportunidade de vê-la em prática. Há algum tempo, declaramos na página da banda no Facebook que o Vinícius havia tomado a decisão de sair e que a banda seguiria com os projetos, até o surgimento de um novo membro para o posto. Mas ainda não declaramos, oficialmente, a entrada da Thais. Nos encontramos em fase de adaptação, onde estamos tendo a chance de sentir como ela trabalha, e ela, de ter uma percepção mais concreta sobre o projeto, embora, por unanimidade, tudo indique que ela foi uma escolha muito acertada para a Seeds.

Arena Metal – Vocês têm ideia de quando virá um novo lançamento? Porque uma banda aqui não pode parar muito tempo senão cai no limbo.
Amanda Lins - Eu não daria uma previsão para o lançamento do nosso próximo álbum. Estamos trabalhando nisso e procurando desenvolvê-lo com o planejamento e a tranquilidade que não dispomos muito no anterior, que, sendo o nosso primeiro trabalho, além da inexperiência em alguns aspectos, havia grande expectativa e muita empolgação, que eram um pouquinho mais difíceis de controlar, o que acabou adiantando algumas etapas e fazendo com que alguns detalhes não saíssem exatamente como gostaríamos, mas que, por outro lado, nos proporcionou algumas lições que estamos podendo aproveitar agora. Eu acho que essa deve ser nossa preocupação principal: respeitar o tempo (que não é algo sobre o qual podemos ter total domínio) e o desenrolar natural das coisas, e não querer mostrar produtividade a qualquer custo. Nós apresentamos um material de estreia que teve uma aceitação muito positiva e gostaríamos de oferecer um próximo conteúdo de nível igual ou superior.

Arena Metal – A Seeds of Destiny lançou, de cara, um clipe, que tá legal, mas eu sinceramente curto um clipe com personagens e vocês são de um estilo que casaria perfeitamente um clipe com esta característica. Por que escolher aquele formato de clipe?
Amanda Lins - O nosso primeiro clipe não foi resultante de algo que tenha sido previamente planejado. Após a gravação e divulgação das faixas do EP, certamente, tínhamos a intenção de apresentar um material audiovisual, para que as pessoas pudessem nos ver em ação, em movimento, e com isso, gerar uma interação maior. Mas não tínhamos parado ainda para planejar nada, pois naquele momento, não víamos essa possibilidade muito próxima de nós, devido ao investimento financeiro que é necessário para a elaboração de um videoclipe (por mínimo que possa ser), e não dispúnhamos de tal verba. De repente, o nosso baterista Hector chegou com a notícia de que um amigo dele, o Billy, estava disposto a nos filmar. E, prontamente, como estávamos com um ensaio bem próximo marcado, resolvemos fazer essa filmagem no próprio estúdio, durante o ensaio. Tínhamos consciência de que não seria uma produção de nível altamente profissional, até mesmo, devido às condições do local que escolhemos (pouco provido de iluminação, para citar um exemplo) portanto, não seria viável apostar em grandes produções, roteiro, figurino etc., e decidimos fazer algo mais intimista, com um clima mais "caseiro", mesmo. Apesar das dificuldades, o Billy fez um ótimo trabalho, que, inclusive, até o momento desta entrevista, possui 100% de aceitação no Youtube, utilizando como critério (embora não seja o critério mais adequado) o contabilizador de likes. (Sei que, neste momento, possivelmente, haters verão uma grande oportunidade de terem a "emoção" de darem o primeiro dislike do vídeo. Hehe!)

Arena Metal – Como esta entrevista foi feita como um verdadeiro bate papo, demos paradas, inclusive, deu tempo de acontecer coisas interessantes como a participação de Douglas na Bateria no lugar de Hector no show de estréia de Thais Lopes nos teclados. Oportunamente, como ela se saiu nesta estreia? E como e porque Douglas foi o substituto na batera?
Amanda Lins - Foi o segundo show da Thais conosco. Ela já havia tocado numa ocasião anterior. O primeiro show com ela foi meio "no susto", pois só havíamos tido oportunidade de fazer dois ensaios, visto que a saída definitiva de Vinicius Campos ainda era muito recente. Mas a Thais tem muitos anos de domínio do seu instrumento e uma noção de improvisação muito aguçada, o que faz com que ela sempre se mantenha no campo harmônico mesmo sem saber a música pelo avesso. Isso torna possíveis erros quase imperceptíveis. Esse último show foi ainda mais tranquilo, naturalmente, por ela ter tido mais contato com as músicas. O Douglas Batista (atual Alcoholocausto) é um grande parceiro do Hector, já dividimos palco com a banda dele em outra ocasião, e ele, vez ou outra, pintava pelos nossos ensaios. Quando ficamos sabendo que o show seria na mesma data em que Hector precisaria estar em Garanhus com a Falling In Disgrace, logo veio a sugestão de Douglas assumir as baquetas conosco, e ele, prontamente, topou. Não poderíamos ter feito melhor escolha. Douglas se entregou bastante, é um baterista muito habilidoso e segurou a onda muito bem!

Arena Metal – Por fim, diga ai o que vocês estão fazendo pra poderem expandir mais o nome da banda?
Amanda Lins - Estamos trabalhando nas composições do novo álbum, na parte gráfica dele e planejando um videoclipe para breve. Também participaremos do WRF- Metal Attack, no dia 23 de janeiro de 2016. Mais detalhes poderão ser encontrados na nossa fanpage. Já que estamos finalizando, gostaria de dizer que foi uma honra trocar ideia com o Arena Metal e agradeço imensamente pelo espaço para falar um pouco da Seeds Of Destiny. Valeu!

RESENHA

por Hugo Veikon

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