ENTREVISTA COM

ARENA METAL: Primeiramente gostaria de dizer que é uma grandiosa honra entrevistá-los, tendo em vista que sou admirador da banda desde minha adolescência. De início gostaria de saber o que cada integrante faz hoje.
Manu “Joker”:
Eu sou arquiteto, gestor ambiental e toco em duas bandas. No Angel Butcher, sou baterista e vocalista desde 1986 e no Uganga sou vocalista e estamos na ativa desde 1993. Eventualmente toco em outros projetos como foi o “Tributo Ao Sarcófago”, Eremita etc...Também faço um zine com meu irmão há 7 anos, chamado “Páginas Vazias”. Já estamos na 17ª edição e quem quiser conferir o site e encomendar um exemplar acesse: www.paginasvazias.com.br
Fábio “Jhasko”:
Estou mesmo dedicado à música, estudando e ministrando aulas, sempre envolvido com a cena Metal, é claro! Comecei a tocar com o Pentacrostic  aqui de S.P., mas depois mudei de estado e ficou inviável, não tinha como estar viajando todo o tempo...
Gerald “Incubus”:
Também estou envolvido com a cena, porém somente produzindo. Fora alguns shows com o “Tributo Ao Sarcófago” não tenho tocado muito, pode ser que mais pra frente volte...Também sou técnico em enfermagem.

ARENA METAL: O fim do Sarcófago é algo que gera uma série de controvérsias, gostaria que alguém falasse um pouco sobre isso!
Gerald :
Chegou uma hora que não estava rolando mais, cada um foi pra um lado e a banda acabou. Não teve nenhum fator decisivo pra isso. Acontece...

ARENA METAL: Vocês devem saber do grande público que possuem aqui em Pernambuco e em todo nordeste, é curioso a banda nunca ter passado por aqui o que podem colocar a respeito disso?

Gerald: Nós nunca tocamos muito com o Sarcófago... Na época do “The Laws...”  até poderia ter rolado, pois fizemos várias cidades e até shows no exterior. Infelizmente não tivemos a chance de tocar no nordeste, mas não percam a esperança! Tivemos alguns convites pro Tributo, mas já havia acabado o período combinado pra o projeto. Agora vamos ver o que acontecerá no futuro.

 

Manu: Eu sei que o nordeste é um dos locais mais foda pra se tocar do país, ai vocês realmente gostam de som porrada e no que depender de mim ainda iremos nos encontrar. Não sei se como Sarcófago, Tributo ou outro nome, mas vai rolar!

ARENA METAL: Sabemos que na década de 80 tínhamos um Brasil bem diferente em vários aspectos do que é hoje, como era fazer música extrema nessa época onde a repressão militar ainda era acentuada e o acesso a equipamentos era precário?
Gerald :
Era só pra quem realmente tinha o lance no sangue. A gente era visto como lixo!
Manu:
Eu comecei a tocar em bandas em 1986, cara, era como se fosse outro planeta (risos)! Hoje em dia “nego” já monta banda querendo ser estrela, pegar as menininhas, criar myspace etc... Nada contra, nada disso, mas naquela época “escoteiro” não tinha vez (risos)! Não era só encher a jaqueta de patches e botons de bandas obscuras e pedir pra mamãe apertar as calças (mais risos)! Na verdade nem estávamos preocupados em ser “true”, estávamos olhando pra frente e assim continuamos.

ARENA METAL: Gostaria de saber se vocês conhecem algo da cena recifense e que bandas podem destacar!
Gerald:
Confesso que não me lembro de nenhuma agora. Desculpe.
Manu:
Eu conheço algumas bandas como Infested Blood, Devotos, Faces do Subúrbio, a cena Mangue... Mas se for pra falar uma banda foda cito o Desalma, eles tocaram com o Uganga em Cuiabá e achei o som do caralho!

ARENA METAL: Como aconteceram os shows dos ex-componentes reunidos em um “Tributo ao Sarcófago”? Como foi tudo isso e se o projeto vai se expandir?

Gerald: O Tributo acabou. O projeto foi feito com prazo de validade. Rolou até mais do que inicialmente iríamos fazer. Os fans gostaram. A gente se divertiu muito e pronto. Podemos tocar juntos novamente, mas não como “Tributo Ao Sarcófago”.

 

Fábio: Foi um período excelente, muita coisa boa rolou, reencontrar o pessoal de tanto tempo, antigos fãs que não abandonaram a cena, foi realmente gratificante.
Manu:
A experiência de voltar a tocar com esses loucos foi muito foda. Era pra ser só BH no Warfare Noise Festival, o que por si só já seria demais... Eu estava há 16 anos sem ver os caras e nos encontramos numa sala de ensaio poucas horas antes de tocarmos juntos novamente... O  GG (Gerald) já tava com o baixo na mão quando o vi (risos)! Na real, pra mim não teve essa de Tributo, eu estava ali pra tocar com o Sarcófago, com ou sem o Wagner, e foi o que fiz... Por isso que sou contra também continuarmos sob esse nome ou usarmos o nome da banda sem o Wagner... Acho que no futuro faremos algo novo, porém com o mesmo estilo. Se for pra tocarmos juntos é pra fazer metal extremo mineiro. É isso que vai sair.

ARENA METAL: O que vocês acham sobre a atual cena Metal Brasileira? O que mudou? Melhorou ou esta pior?
Gerald:
Com certeza hoje me dia está tudo mais organizado, mais profissional. Porém mais desunido e pasteurizado também.
Fábio
: Acredito que tudo começou com a vinda de dinossauros para tocar no Brasil, como Alice Cooper, Van Halen, Kiss... Nessa época eu era bastante garoto, mas essas bandas realmente deram o pontapé inicial para o desenrolar da cena Metal. Começaram a surgir as primeiras bandas, como Centúrias, Salário Mínimo, mais tarde com os lançamentos do Vulcano, Dorsal Atlântica, Overdose e Sepultura, o Metal se consolidou de vez... Hoje a coisa anda como bola de neve, ou seja, o Metal brasileiro imortalizado!
Manu:
O Brasil sempre vai produzir bandas de qualidade, hoje em dia existem grandes exemplos disso. A diferença maior é que com o lance da internet aumentou demais o número de bandas e somos obrigados a nos deparar com muita merda. Mas o lance é procurar as agulhas no palheiro, pois com certeza tem coisa de “responsa” sendo feita hoje e será assim sempre.

ARENA METAL: O sarcófago é sem dúvidas uma das maiores referências para o Black, Thrash e Death Metal do Brasil e em minha opinião é injustiçada, porque deveria ter sido bem maior. Na opinião de vocês a que se deve a história não ser tão generosa com vocês?
Gerald:
Acho que a história foi generosa com a banda, somos vistos como um dos maiores nomes do metal nacional, Temos fans no mundo todo e vendemos um número razoável de discos. A banda durou o que tinha que durar e conquistou o que era pra ela, nada mais nada menos.

 

ARENA METAL: Uma pergunta que acho que todo Banger brasileiro gostaria de fazer focando que varias bandas antigas voltaram depois de muito tempo foram desenterradas e estão botando pra fuder... A questão é... Existirá retorno com a formação oficial?
Gerald:
Sinceramente não sei, pergunte pro Wagner.
Manu: Eu acho que seria muito legal, contanto que fosse algo natural, sem pressão e com tudo bem claro pra todos. Amizade e respeito antes de tudo...

 

E nada de falar uma coisa e depois fazer outra... Voltar à formação clássica só pra fazer uma grana não seria tão interessante. Poderíamos até queimar o filme com isso... No caso eu nem estaria na bateria, mas como sei que o D.D. Crazy não toca mais sou o próximo da lista (risos). O que posso dizer é que nos shows que fizemos recentemente a maior motivação foi o amor pelo passado da banda e respeito aos fans. Desafio qualquer produtor que fez shows com o Tributo a falar que tocamos visando grana. Claro que não fomos de graça, mas com certeza eu ganharia mais ficando aqui no meu escritório do que fazendo essa tour. Não me arrepende de nada, não corro dos fans e estou sempre na ativa tocando.
Fábio:
Foi muito bom subir nos palcos novamente para relembrar os velhos tempos, tivemos uma ótima receptividade por parte do público, muitos caras gritavam que isso não era um tributo, mas sim o próprio Sarcófago...

ARENA METAL: Sou grato pela entrevista e deixo o espaço aberto para as ultimas considerações e para dizerem algo ao imenso publico pernambucano?
Gerald:
Obrigado pelo apoio todos esses anos e um abraço aos nossos amigos do nordeste!
Fábio:
Agradeço o espaço  e desculpem pela demora em responder (risos).
Manu:
Um salve a todos os irmãos e irmãs do nordeste. Tenho total convicção que ainda tocaremos os clássicos da banda por ai. Um salve pro Elvis e todos de Recife. Força e honra hoje e sempre!!!

 

 

                                                                                                   (Por Elvis Oliver)