Sanctifier foi formado em 1987, mas foi no começo de 90 que a banda gravou seus primeiros registros com o nome Sanctifier, sendo o: Demo tape  “Ad Perpetuam Rei Memoriam” - o debut cd “Awaked by Impurity Rites” - split 10’’ MLP, em vinil, “...In Deathmetallic Brotherhood...” e participando de algumas coletâneas, a banda retomou suas atividades em 2011 no evento Dosol e para este ano de 2012 lançará mais um full length intitulado “Daemoncraft” pela Dying Music tendo sua formação estabilizada com Rogério Mendes (vocais) -  Alexandre Emerson (guitarras)  - Adriano Sabino (baixo) - Marcelo Costa (bateria). Conversamos com o vocalista Rogério para saber um pouco mais sobre o “Daemoncraft”.

Arena Metal – Caros amigos da Sanctifier é um prazer entrevistar vocês e devo completar dizendo que é ótimo ver a volta da banda neste ano de 2011. Mas pra começar quero saber como foi voltar a destruir nos palcos em um grande evento que é o DOSOL?
Rogério Mendes - Não estava previsto tocarmos em 2011. Queríamos apenas nos dedicar aos ensaios e às novas composições. Levamos um tempo para compor a formação que, apesar de experiente, estava há muito tempo sem ensaiar e tocar ao vivo. Acontece que o Dosol  é o maior evento de musica independente do Rio Grande do Norte e ainda oferece uma estrutura razoável e certa visibilidade, o que para nós, que estávamos voltando as ativdades, seria interessante. Além das questões práticas houve também o reconhecimento trabalho do Sanctifier ao sermos chamados para tocar. Banda tem mais de 20 anos e não havia sido chamada para tocar no festival apesar de seus 10 anos de eistência. Foi como voltar em grande estilo, “em casa”, diante de nosso público-primeiro; num grande evento diante das pessoas que nos viram crescer como personalidade e músicos incluindo-se o pessoal de Recife, com quem temos uma grande ligação. Fazemos questão de mencionar nominalmente, como uma forma de agradecimento àqueles que compareceram ao Festival para também nos ver: Daniela e Wilfred Gadelha (Cruor); Alcides Burn, Miguel Dantione (Inner Demons Rise), Paulo André (Cachorros); Washington Pedro (The Ax), Marco Antonio e Jean Marcel (Decomposed God) além de outros amigos. O show foi muito legal. Tocamos seis musicas, sendo duas do “Awaked By Impurity Rites (2004/Dying Music) e quatro do “Daemoncraft”. A recepção foi muito boa. Da formação do “Awaked..”restou apenas o Alexandre Emerson. Apesar da drástica mudança o publico pareceu receber bem o “Novo Sanctifier”, o que nos deixa felizes e estimulados para apresentar novos projetos. A resposta positiva veio de uma geração nova e antiga de headbangers e bandas. O que mais valorizou a nossa volta às atividades no Dosol é que veio de um público bem heterogêneo. Após alguns anos e retomando às atividades a sensação e a responsabilidade é grande mas está sendo tranqüilo administrar. O que as pessoas precisam entender é que não esperem do Sanctifier hoje o que foi ele em outros tempos.

Arena Metal – O momento é bastante interessante pra banda, 25 anos de banda, e o que vem por ai pra essa comemoração?
Rogério Mendes -
O CD “Daemoncraft” foi gravado e neste momento está sendo mixado e masterizado no Estúdio Flames (RJ), por Victor Fabio (Ex-Sanctifier; Ex-EYH; ex-Lord Blasphemate; ex-Terrorzone) e que recentemente produziu o Nervochaos. O CD está com previsão de saída para o primeiro semestre com programação visual de Alcides Burn. Ele deve sair ainda no primeiro semestre, via Dying Music, a depender da Fonográfica. Estamos pensando em lançar um EP com algumas músicas em português e um DVD. Também queremos fazer bons shows.

Arena Metal – Já que tocamos no assunto “Daemoncraft”. Qual a temática que abordará o mesmo?
Rogério Mendes -
A temática do “Daemoncraft” será uma espécie de continuidade do assunto abordado no “Awake by Impurity Rites”. Quem está a frente da escrita das letras é o Alexandre Emerson, especialista no assunto, juntamente com o americano Tannes Ahrens. O foco é o estudo mito de Cthulhu a partir da livre interpretação da obra de H.P. Lovecraft que sugere o “mito” de Chutulhu como fronteira/resultado da relação humana com o “horror”. O horror como metáfora do que representa a natureza subjetiva das pessoas por meio da intuição, do instinto e do desconhecimento do Universo oculto e ex(s)otérico que permeia a relação do corpo e da alma. O horror que gera ficções e realidades e ao mesmo tempo une pessoas a dimensões abstratas numa demonstração de como somos complexos e desconhecedores do que pode significar nós mesmos e a vida. É por essa força psíquica que nos tornamos anjos e/ou demônios de nós mesmos e afirmarmos um sentido de realidade entre várias possibildades.

Trata-se de uma temática que se relaciona com o poder da imaginação que é responsável por tudo o que o homem materializa, por meio do que ele mesmo desconhece por meio das forças ocultas da mente. O horror é uma criação pessoal que nos minimiza, nos distancia, nos torna ausentes e ao mesmo tempo próximos a uma dimensão “negativa”, nossa, que evitamos.

Por quê? Essa é a grande questão que motiva as letras e o nosso questionamento. O horror somos nós mesmos; algo que existe apenas a partir de nós situando-nos mínimos entre o encantamento e a dúvida.

Arena Metal – Esse CD e DVD vindouro serão vendidos separadamente ou vocês têm uma tática melhor pra esse marketing?
Rogério Mendes -
Serão vendidos separadamente. Primeiro, virá o CD. A Dying Music já sinalizou que poderá ser confeccionado e distribuído um pôster e será também confeccionada uma camiseta, em policromia, em tiragem limitada e especial, com a arte do CD. Depois, pensaremos um DVD com shows, fotos, entrevistas, making off além de depoimentos de pessoas e bandas que curtem e/ou acompanharam a carreira da banda. Há o desejo de produzirmos um clip que poderá ser feito pelo Nicolas Gomes (Violator, “Futurephobia”). Mas isso não é certeza e apesar da possibilidade real ainda são devaneios. Marketing para nós é tocar e compor. Em breve vocês terão contato com nossas composições e queremos tocar! Achamos que essa é a melhor estratégia de marketing: seduzir o público e para isso a receita é simples: escrever boas composições e apresentá-las bem.

Arena Metal – Vocês, como eu, vivenciaram a era demo tape e vinilzão, mídias que bandas iniciantes usavam e a outra que bandas mais profissionais usavam, resumindo pirataria quase não existia, porém hoje o novo público usa mesmo é o meio internet, consumindo bastante o download. Qual a estratégia que a banda junto a Dying Music fará para poder vender ao target? Existe a possibilidade de uma edição especial vinil?
Rogério Mendes -
Vemos essa mudança com bons olhos porque exige-se que se desenvolva outras habilidades estratégicas para desenvolver um trabalho. Desenvolver-se intelectualmente é sempre importante. Não existem mais a gravadora que decide: o que existem agora são parcerias, o que é importante porque evidencia-se a liberdade criativa das bandas. O CD como formato material hoje representa algo simbólico, quase um souvenir. É indiscutível que o formato mp3 é mais ágil, mais prático para trabalhar, divulgar e vender em razão da realidade virtual o que não se quer dizer que o CD não tenha um papel relevante porque nele estão contidas informações importantes como as letras, ficha técnica e a representação artística do registro, o que é muito significativo porque são idéias. Ao contrario do que muitos pensam, a nova realidade não é excludente, e sim, inclusiva: tem-se alternativas que, se bem administradas, podem ser uma opção exitosa na apresentação do trabalho. Deve-se investir em todas as alternativas possíveis porque o público é fragmentado e possui um perfil muito diversificado e temos que chegar até eles.  O que não deve ser esquecido é a qualidade técnica sonora e da apresentação do resultado a ser apresentado. Esmero é fundamental: basta colocar-se na posição de público, não tem segredo. De nada adianta investir em estratégias e apresentação se o resultado final é ruim. Na Europa e EUA é cada vez mais comum investir nas tiragens dos CDs faixas-bônus, vídeos, invólucros especiais, brindes aliados a um preço justo. O que é muito legal.

Pode-se fazer muita coisa. O que é complicado é que quer-se muito lucrar no Brasil mas muitas vezes não se quer apresentar contrapartidas para satisfazer as pessoas.
No caso da Dying Music a edição do Daemoncraft virá com um pôster e está sendo preaprada uma tiragem limitada e especial de um camiseta exclusiva em alta qualidade. Acho que não sairá uma edição nacional em vinil, mas há a possibilidade de sair fora, mas nada é certo. Vamos buscar soluções criativas para difundir a banda.

Arena Metal – Bem, a Sanctifier surgiu assim que o Heavy Metal estava em seu advento aqui no nordeste. Vocês acreditam que antes fosse encarado de forma menos profissional?
Rogério Mendes -
Lidar com “musica pesada” naquela época, independente de gênero, era algo complicado porque ainda não havia a cultura e o reconhecimento da importância da musica independente no Brasil. Estávamos à margem. Não havia condições para desenvolvimento para o heavy metal. Não haviam estúdios, lojas, gravadoras ou público suficiente para garantir as bandas. Tudo acontecia de maneira muito gradual. As dificuldades antes eram muitas mas existia paixão e por vezes talento. Hoje as coisas são diferentes. Hoje heavy metal é uma cultura, uma economia e há uma indústria por vezes perversa atuando. Há sempre empresários que, como sempre, viabilizam seus interesses e, no caso específico, predileções, filtrando uma participação mais democrática das bandas e públicos na mídia, nos festivais, o que muitas vezes obstrui novos nomes.  Eu apontaria isso como falta de profissionalismo. O problema é que quando se fala em falta de profissionalismo o que se entende quase sempre pelos “metalers” é a limitação de estrutura para shows. A compreensão do conceito de underground é estranho e prejudica a profissionalização das bandas. As bandas se sujeitam a tocar em qualquer estrutura e por isso os produtores continuam, quase sempre, oferecendo condições insuficientes para os shows e estranhando quando as bandas fazem algumas reivindicações que se relacionam, quase sempre, diga-se de passagem, a qualidade da infra-estrutura dos eventos. Uma banda quando vai tocar ela é atração, responsável por muitos estarem prestigiando o evento. Ensaiam duro, consomem tempo compondo, ensaiando e investindo e não têm o reconhecimento dos produtores. Muitas vezes até para as bandas conseguirem água para ser consumida nos shows é uma dificuldade. Argumenta-se muitas vezes: “Underground é isso mesmo!”. Não sei se é. Por conta disso a idéia de profissionalismo que se tem é ficar calado diante de absurdos que não são normais e chegar pontualmente aos locais de apresentação. Isso pode acabar se o público começar a apoiar as bandas locais. Consumir, prioritariamente, o merchandising das bandas locais e freqüentar os shows dessas bandas, criando novos nichos de público e sustentabilidade. As bandas também precisam parar de reclamar e trabalhar investindo em tecnologia, aprimoramento da técnico etc. Para cada época existe uma noção de profissionalismo. Tem-se que fazer uma leitura do mundo de hoje para pensar uma maneira de atuar direitos e deveres. Achamos que deve haver um integração orquestrada, harmônica para que se mude uma mentalidade caduca e que se arrasta até os dias de hoje prejudicando a maturidade do que se convencionou chamar “cena underground”.

Arena Metal – Confesso que muitos produtores de eventos underground usam esse argumento, e privilegiam bandas extra estadual ou estrangeiras, qual sua crítica quando uma banda headline tocar na mesma aparelhagem de uma banda prata da casa, porém quando a prata da casa vai tocar o som fica uma bosta?
Rogério Mendes -
Não haveria desconforto se houvesse um maior investimento em colocar uma boa aparelhagem para qualquer banda que subisse ao palco e também houvesse bons engenheiros de som na cidade. Não temos bons técnicos. Quase sempre eles são intuitivos e isso não importa porque não é seguro, não é profissional, não basta. Por outro lado muitas bandas locais, e que muitas vezes são “estrangeiras” quando saem do estado, tocam por qualquer pedaço de pizza, em qualquer lugar, de qualquer forma... logo, toca-se em qualquer som. Muitos produtores sabem disso e quando a banda vai discutir com a produção as condições técnicas mínimas dos shows a reação é quase sempre as piores possíveis. Quase sempre execra-se a banda como se os produtores estivessem fazendo um favor as bandas. A solução é modificar a cultura. Se o público prestigiar as bandas consumindo shows e os produtos (CD, camisetas etc) e apoiando as bandas quando a aparelhagem é insuficiente as coisas podem mudar. Em alguns casos os produtores não podem e muitas vezes não querem fazer investimentos porque diminuiria a margem de lucro. O curioso é que muitas vezes eles têm bandas mas fazem dois discursos diferentes: quando respondem como banda exigem e acham válido o que estou escrevendo mas quando respondem como produtores o discurso é diferente. Não é uma regra, há exceções, mas pode-se observar que não estou exagerando.

Outra solução é as próprias bandas responsabilizarem-se por suas produções porque elas teriam o lucro que lhes seria de direito além de terem a disposição a técnica necessária para desenvolverem-se sem falar que seria uma grande oportunidade para aprender sobre produção. Precisamos ter mais auto-estima e independência para as carreiras decolarem. Há muita gente aproveitando-se da desinformação e ingenuidade das bandas e pessoas. Não adianta apenas falar. Rock, metal é atitude! Falta atitude, consciência de muita gente.

Arena Metal – Se não me falha a memória, depois do “Awaked by Impurity Rites”, vocês só fizeram split, que foi um 3 way, em 2005. Por que não lançaram mais nada oficial?
Rogério Mendes -
O último lançamento da banda foi em 2007. Foi um split EP 10”em vinil com o Headhunter d.c intitulado “...In Deathmetallic Brotherhood...” lançado gravadora francesa Legion Of Death. A idéia era cada banda gravar três musicas: uma musica inédita, uma faixa ao vivo e  um cover. Tocamos “Am I Crazy?”, do Headhunter d.c, do “Born, Suffer, Die” e ele tocaram “The Cicle of the Entity”, do “Awaked By Impurity Rites”. Depois sofremos algumas baixas na formação que impossibilitaram a continuidade dos trabalhos. O tempo passou e necessitou-se de uma nova formação. Reunimo-nos há 9 meses e resultado desse novo tempo foi o “Daemoncraft”. Não lançamos nada antes porque a banda resolveu dar uma parada por tempo indeterminado só voltando agora e com um novo trabalho, o “Daemoncraft”.

Arena Metal – Como vocês mesmo disseram o Burn esteve por ai, pelo RN, e atualmente o mesmo, junto a outro produtor vem promovendo alguns eventos pelo Recife. A pergunta é bem direta: Há a possibilidade de vermos a SANCTIFIER em Recife ainda no primeiro semestre/2012?
Rogério Mendes -
Alcides Burn, antes de ser produtor, é um amigo pessoal há pelo menos 15 anos. Foi Alcides Burn quem fez a capa do cd  “Awaked By Impurity Rites”, eleita a melhor capa de nacional na época pela Roadie Crew. Somos próximos.

Por questões de agenda ele não participou do “Daemoncraft”. Se ele convocar iremos pra Recife na hora! Temos uma ligação muito grande com a cidade: muitos amigos na cidade. Eu nasci e vivi por 33 anos na cidade e fui membro-fundador do Infected, Elizabethan Walpurga além de ter integrado o Decomposed God. A primeira demo-tape do Sanctifier, que consagrou nacional e internacionalmente a banda, a “Ad Perpetuam Rei Memoriam” (1992), foi gravada em Recife. Estamos finalizando o repertório do CD e queremos, sim, muito, tocar em Recife, sempre!

Arena Metal – E como está a cena daí do Rio Grande do Norte?
Rogério Mendes -
O Rio Grande do Norte é um estado em que sempre teve uma leva de bandas muito interessantes e continua tendo. Há o Expose Your Hate, que está gravando o próximo CD; o pessoal do Comando Etílico, que são muito bons; o pessoal do Kataphero, que está gravando material novo e têm um som muito poderoso; o pessoal do Deadly Fate, sempre muito competentes e do Primordium. Também há os projetos dos amigos como o Tesla, de Adriano Sabino, baixista do Sanctifier. Essa semana, por exemplo, recebi alguns arquivos do projeto do Flávio França, guitarrista do EYH, chamado “Son  of a Witch”, que é muito bacana. O Lord Blasphemate por ressurgir a qualquer momento! Há pelo menos 5 bares onde se pode ouvir e tocar rock de uma maneira geral, incluindo-se metal além de espaços legais para fazer shows como o Cultura Club e o Espaço Dosol. O pessoal de Natal é antenado com o que está acontecendo no Mundo alem de serem competentes, focados e empreendedores no que se prestam a fazer. Têm um perfil ascendente e promissor. Está sendo bacana perceber esse movimento.

Arena Metal – Por fim, gostaria de agradecer o tempo cedido, a honra de nos enviar músicas para nosso programa Insana Harmonia, também no suporte em divulgá-lo. Então por este móvito gostaria que vocês solicitassem 4 músicas para elaborarmos um bloco e espero vê-los em Pernambuco para fazermos um bate papo para nosso programa.
Rogério Mendes -
Nós é que agradecemos o espaço, Hugo. Iniciativas como o programa Insana Harmonia são raras e essenciais, por investirem não apenas na divulgação das bandas mas também nas idéias. Pensar para modificar o que é insuficiente é importante. Na organização underground existem muitas coisas que precisam ser repensadas e isso só pode acontecer a partir da difusão de opiniões e ações das bandas, dos responsáveis pela imprensa alternativa, produtores. Acreditamos nisso!  Não é um trabalho fácil porque muitas vezes não somos compreendidos, nem se tem recursos suficientes e muito menos tempos mas, mesmo assim, insistimos e damos nossa contribuição. Queremos parabenizá-los pelo apoio às bandas locais e regionais (Nordeste). O Sanctifier agradece e pode contar sempre conosco, ok? Esperamos ir o quanto antes tocar em Recife e fazermos um bate-papo para o programa. Quatro músicas para um bloco no programa? Quanto privilégio!!!!! Vamos escolher músicas de bandas de Pernambuco, ok? 1) “Whitechapel”, do Cruor; 2) “The Crematorium Waits for us”, do The Ax; 3) “Dawn of Celestial Shadows”, do Decomposed God; 4) “Mina”, do Inner Demons Rise.

myspace

                                                                                             (Por Hugo Veikon)

<< Voltar ao Site