(Entrevista por Léo Quipapá)

Arena Metal PE - Primeiramente, parabéns pelo "Tales of The Dark Cult". Quem teve a idéia de criar um trabalho dividido em blocos como foi esse??

RATTLE: Val Oliveira: Olá! É uma honra estarmos participando deste renomado site. Obrigado pela ótima resenha. Sobre o cd, estamos colhendo bons resultados de um trabalho que demorou um bom tempo para sair. Mas vamos lá! Eu sou o letrista da banda e crio toda parte conceitual por trás da banda, tanto visual quanto liricamente. A ideia é que o cd fosse uma espécie de trilha sonora e na hora de montar o tracklist foi resolvido que as faixas com ligações temáticas deveriam estar juntas. Então as primeiras falam sobre niilismo e entropia, depois faixas sobre guerras, e por aí vai. Os samplers já usávamos em alguns shows, para criar um clima mais especial, mas depois fomos abandonando e só usamos uma intro atualmente, dando mais atenção às musicas mesmo.

Arena Metal PE - A primeira faixa do cd de vocês foi extraída da famosa citação de Zé do Caixão sobre o existencialismo. Em algum momento vocês pensaram em fazer um cd conceitual apenas sobre a obra dele?

RATTLE: Bem, eu sou fã da obra do grande Mojica Marins. Já pensei em fazer algo relacionado com ele, e cheguei a pedir permissão para a família para usar a imagem, voz dele no cd, e num clipe que está em nossos planos. Por enquanto estamos compondo material novo, mas não temos planos de fazer algo conceitual. O mais provável é que role mais uma faixa dedicada ao trabalho dele, seja como Zé do Caixão, à vasta filmografia dele, ou até mesmo à vida dele, que por si só já merecia um filme ou uma minissérie mais extensa e fiel do que a que foi apresentada no canal Space.

Arena Metal PE - Do som de vocês dá pra notarmos influências de bandas mais old school como Obituary e Unleashed mescladas com coisas mais novas como Torture Squad. Quais outras influências vocês exploram no som do Rattle?

RATTLE: Ouvimos muita coisa diferente, do Hard Rock ao Black Metal, passando pelo Metal tradicional, Prog, Thrash, etc. Mas sempre vamos compondo à partir de ideias e adicionando elementos, sem medo de soar diferente. Creio que bandas como Sepultura, Death, Megadeth, Atheist e Nile podem ser citadas como influências, embora não fiquemos presos a um só estilo.

Arena Metal PE - Em alguns momentos, como em "Whispers", vocês até flertam com algo mais progressivo e lembra King Diamond num interlúdio. Vocês curtem esse tipo de criação ou foi difícil algo assim e não farão futuramente?

RATTLE: Whispers é uma faixa antiga, que por sinal já foi bem maior do que ela é hoje em dia, e sempre teve trechos diferenciados. É algo que pode ser feito novamente, pois adoro o clima de filmes antigos de terror e sempre procuro que as músicas tenham um clima ou citação. Alguns sons novos contam com trechos “calmos”, como interlúdios.

Arena Metal PE - Outra sacada muito massa de vocês foi em "Pay to Enter, Pray to Exit" e em "Hell of The Living Dead". Até que ponto filmes de terror permeiam as composições de vocês? Tem mais algum tema similar sendo trabalhado?

RATTLE: Sim, como fã, colecionador e entusiasta de Histórias em quadrinhos, filmes de terror e ficção sempre faço adaptações ou faço referencias a filmes e tudo o mais. Já faz parte de mim e acaba sendo parte do conceito lírico e temático da banda, e as novas músicas já fazem homenagens a filmes dos anos 70 e 80. Inclusive, na época que lançamos o split “Pain is Inevitable” já tivemos alusões à obra de George Romero, Ruggero Deodato e Lucio Fulci na parte visual do encarte. Quanto às novas faixas, já tem até no youtube a faixa “Blind Terror”, que é inspirada na quadrilogia dos Mortos Cegos, do diretor espanhol Amando de Ossorio. Para quem não conhece, recomendo ao menos o primeiro filme, que é estupendo!

Arena Metal PE - Como foi à aceitação do público e da crítica com este cd? Atingiu as expectativas que vocês tinham?

RATTLE: O público tem recebido muito bem, assim como a crítica, com reviews totalmente positivos tanto ao som quanto ao conceito. “Tales of the Dark Cult” tem atingido nossas expectativas. Ficamos no início meio receosos, pois sabemos que não estamos fazendo algo de fácil assimilação, um som muito direto e cru, ou uma sonoridade que esteja na moda, em voga...  Mas a recepção tem sido boa e cada vez mais temos pessoas curtindo o que fazemos e elegendo suas faixas favoritas.

Arena Metal PE - O material foi gravado entre 2013 e 2014. Como vocês estão de novas composições? Podemos esperar algo novo da Rattle em breve?

RATTLE: Esse cd foi um parto para sair, pois enfrentamos muitas dificuldades, desde regravação total da bateria devido a mudança de membro, às já famosas dificuldade financeiras. E assim que ele saiu demos mais ênfase na divulgação dele. Agora estamos compondo material que poderá entrar num futuro lançamento. Pode-se dizer que as músicas novas seguem a sonoridade apresentada no “Tales of the Dark Cult”, sendo que uma das novas composições já foi apresentada ao vivo e teve boa recepção. Estamos compondo sem pressa, para que as novas músicas saiam na mesma qualidade sonora e conceitual das antigas. Então, não temos uma previsão de quando entraremos em estúdio. Mas queremos ainda esse ano, se possível, gravar um vídeoclipe oficial.

Arena Metal PE - Cara, a arte interna do cd é muito boa já a capa eu achei meio estranha pois remete a bandas de heavy metal. Alguém mais foi chato como eu nessa observação? Vocês gostaram do resultado final?

RATTLE: Hahahahaha... não, ninguém falou isso antes... Mas eu posso falar por mim, já que a capa fui eu que pintei, e meu background enquanto artista plástico vem da ilustração fantástica e das HQs, principalmente dessas últimas. Alem de ser fã de artistas variados, como Frank Frazetta, Kent Williams, Derek Riggs, Eartl Norem, Bob Larkin,  também sou fã da arte das capas de vinil dos anos 1980, daí tentei emular um pouco a concepção dela, fazendo alusão à letra da faixa “The Dark Cult”. Já a arte interna resolvi fazer toda digital, já também tendo ligação com as letras.

Arena Metal PE - E como anda a agenda de show de vocês? Como é apresentar as músicas desse cd ao vivo? Vocês apresentam as faixas sequenciadas também ou misturam?

RATTLE: Devido ao momento atual do país, os shows estão meio devagar. Tivemos dois no primeiro semestre e temos duas agendas para novembro e dezembro. Estamos tentando agendar algo fora da Bahia, mas está tudo complicado. Quanto a apresentação ao vivo, é quase uma dor de cabeça montar o set. Quando somos headliners, a depender, tocamos o cd todo e mais algumas outras. Em outros shows reduzimos o set e aí começa a briga pra encaixar as músicas no tempo que nos foi dado, e cada um quer tocar uma ou outra e por aí vai. Mas nunca tocamos na ordem do cd, sempre variamos a ordem, mas algumas já são certas para abrir e fechar, como Embodiment of Evil e Hell of the Living Dead.

Arena Metal PE - Queria agradecer a vocês pelo tempo cedido. Uma última pergunta: Já que vocês mostraram que curtem muito cinema trash, se vocês escolhessem um filme que vocês curtem muito e pudessem fazer uma trilha sonora para ele, qual seria esse filme?

RATTLE: Nós agradecemos o espaço cedido. Para nós é gratificante estar em contato com o público, e esperamos ter a oportunidade de tocar em Pernambuco, que tem uma cena com bandas excelentes. Cara, de minha parte eu faria de Despertar dos Mortos (1978) ou Dia dos Mortos (1985), de George Romero, Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1967), de José Mojica Marins, ou O Enigma do Outro Mundo (1982), de John Carpenter.

RATTLE (Brazilian Thrash/Death Metal )
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por Léo Quipapá

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