(Por Hugo Veikon

 

"Em uma conversa com o guitarrista Nando Moraes, esclarecemos alguns detalhes de sua carreira, bem como entramos em outros assuntos de uma carreira de um músico. Confira!"

Arena Metal: Não é comum entrevistarmos guitarrista em carreira solo. Na verdade, você é o segundo. Visto isso, você acha que quando a carreira é solo dificulta ainda mais se inserir nas pautas de alguns veículos?
Nando: Sim. Sem a mais mínima dúvida! Rock já é mais restrito, Metal é pior ainda, agora rock / metal instrumental ferrou... (rs). Carreira solo pra vocalistas já é bem mais fácil, mesmo assim com um nome de banda no Rock e Metal é sempre melhor, veja o caso do David Coverdale: o Whitesnake é a carreira solo dele após o Deep Purple, mas ele usa um nome de banda. Por alguma razão funciona melhor no rock e metal.
Em todos os gêneros, exceto a  música clássica e jazz talvez, temas instrumentais são menos populares. É simples: as pessoas gostam de cantar junto com suas músicas favoritas, além da força extra das palavras. Ter uma letra é um incremento poderoso. Então se a maioria da audiência prefere músicas cantadas isso se reflete em todo o resto, claro. Mais espaço em gravadoras, casas de shows, festivais e, por fim, na mídia.
Se você observar bem, mesmo os artistas que seguem fortes com trabalhos solo instrumentais possuem também outros trabalhos em bandas com vocalistas, como é o caso do Kiko Loureiro, ou se não tem, é comum que não façam apenas música instrumental, mas cantem também, como exemplo poderia dar o Joe Bonamassa. Até mesmo o Yngwee Malmsteen, pois a maioria de suas músicas conta com vocais!
Caras como o Satriani ou Eric Johnson, que compõe quase exclusivamente música instrumental e tem carreira forte em cima disso sem tocar também em uma banda com vocalista são casos raros no mundo todo. Mas eles também não se sustentam apenas com venda de discos e shows de sua música instrumental, mas muita coisa rola paralelo a isso em termos de trabalho e exposição. É que, por razões óbvias, o público conhece apenas a faceta “artista” dos caras. Então é normal e comigo não é diferente. Não é disso que vou ficar reclamando, porém com mais divulgação tenho certeza que mais gente descobriria que gosta de música instrumental. Muita gente nem sabe se gosta ou não, pois não tem nenhum contato. Aí entraria a mídia com uma posição realmente informativa, trazendo o que ainda não é conhecido, mas existe e você acredita que quem te lê vai gostar se conhecer.  Mas ao contrário, na maior parte do tempo, a mídia apenas mostra o que já é conhecido, o que já tem público e fãs pra comprar a revista, ouvir o programa. Não creio que algum dia isso mude então faz parte do desafio.

Arena Metal: Você era da banda Lethal Fear, (aqui vale dizer, que banda!).O que te fez sair da banda e encarar a carreira solo?
Nando: Obrigado. Realmente gosto muito da banda, tenho muito orgulho do trabalho que fizemos ali e saber que ainda hoje é conhecida e respeitada por quem realmente acompanha metal no Brasil. É muito gratificante. Agora respondendo a pergunta, na verdade isso não aconteceu, digo, eu não saí da banda para começar carreira solo!
Eu sai da banda em meados de 2009, e comecei meu trabalho solo em 2013! Quando saí da banda não tinha plano algum nesse sentido. Deixei a banda por outros motivos, sendo um deles que nessa época (2008/ 2009) eu havia começado a engrenar um projeto que agarrei com unhas e dentes porque aquela era a hora, o momento perfeito, que foi o que acabou se tornando a Adagio, a escola de música que dirijo aqui em Amparo. Eu cai de cabeça nisso. Foram cerca de 5 anos trabalhando 17, 18 horas por dia! Insano! Escrevi métodos, montei um curso de áudio do zero que hoje é um sucesso aqui na região, miontamos apresentações. Produzi muito e trabalhei muito e era tudo o que eu precisava depois da última fase com a Lethal Fear. Depois da escola estar estruturada com equipe formada e andando firme, chegou a hora de voltar a produzir novas músicas com uma banda e tudo o mais. Mas depois de tantos anos sem lançar nada, tempo pra mim era fundamental. Eu precisava que tudo fluísse e isso é mais difícil com uma banda onde tudo é mais lento pra se chegar a consensos, dividir tarefas, etc.
Eu já tinha composições para um trabalho instrumental desde a época que eu ainda tocava na Lethal, com o qual já tinha até chegado a participar de um festival onde toquei essas músicas com uma banda de apoio usando meu nome mesmo, do jeito que está agora, mas na época acabou sendo apenas um projeto paralelo. Agora esse parecia ser o caminho perfeito a seguir e assim foi e tem sido ótimo! Um verdadeiro sonho realizado tal qual foi o Lethal Fear.
Mas vale dizer que, embora não pretenda mais abandonar meu lance com música instrumental pretendo ainda trabalhar novamente com banda, com vocais e tudo. Tenho muita lenha pra queimar ainda nesse formato! Estou aberto nesse sentido.

Arena Metal: Tocar Metal no Brasil não é recompensador (financeiramente falando), mas temos grandes músicos nesse segmento. O que você apontaria para tal dificuldade desses músicos emplacarem?
Nando: Veja bem, tocar metal em qualquer lugar do mundo é complicado se a intenção é fazer só isso. O estilo é realmente underground, salvo algumas exceções que realmente acabam “vazando”, digamos assim, para o que é mainstream de fato, na casa de milhões de discos vendidos e shows em estádios pelo mundo todo, como o Metallica por exemplo. Então, sinceramente, não é tão diferente nesse sentido. Praticamente todo músico em qualquer lugar do mundo que tenha uma banda de metal não vive apenas dela (venda de discos e shows). Mas aqui é mais difícil sim e isso porque aqui carecemos de algumas coisas básicas e vou me estender aqui em apenas uma que nem citam tanto, mas que é muito importante, que é um sistema de transporte melhor uma vez que o país é imenso! Cara, eu moro a apenas 180 Km da cidade de São Paulo, em uma das regiões mais ricas e desenvolvidas do país e se eu for de ônibus pra lá chego a levar quase 4 horas! Em pleno século XXI não temos trem!
Com esse tempo você passa por vários países usando o trem na Europa. Então como integrar a cena? Como dá pra tocar em outros estados? É muito mais complicado. Os shows vão ser pequenos, para 200, 300 pessoas, sei lá, então como fazer pra tirar 5 caras com equipamentos de São Paulo e levar pra Rio Grande do Sul, por exemplo? O preço da locomoção, o tempo que leva, acaba inviabilizando. A tendência é que os bares e os festivais que a moçada organiza acabem contando com bandas da região apenas. Porque, vale dizer, têm muita banda em praticamente toda cidade do Brasil. E bandas boas, como você disse. Aí quando você precisa avançar pra novas áreas, sair do seu quintal, a coisa esbarra nisso. Esse é um dos problemas. Claro que existem muitos outros. Aqui você precisa chegar famoso, aí consegue vencer o desafio das distâncias porque já vai fazer shows maiores, vai ter uma estrutura pra isso.
É viável pra uma banda européia tocar bastante por lá, não apenas em seus próprios países, mas nos países vizinhos e conseguir fazer seu nome, porque a ordem das coisas é essa: Você toca pra ficar conhecido. Aqui no Brasil esperam que você fique conhecido pra tocar. Aí fica complicado porque simplesmente não é a ordem natural das coisas. Por isso também tantos tentam fazer nome na Europa primeiro e depois tentar rodar por aqui.
Em outros estilos, realmente, a dificuldade é a mesma, mas por serem mais populares no país, você encontra produtores, gravadoras, rádios, etc. Toda a estrutura pra ajudar a vencer isso, justamente por que o retorno financeiro se der certo é grande, então tem gente pra investir. Isso não temos no metal, você certamente vai trabalhar de forma independente.
Mas ficar forte na sua região é possível, e construir uma carreira como músico se você realmente é bom e tem uma banda boa pra te dar visibilidade é perfeitamente possível, e tem muita gente no Brasil conseguindo “emplacar” vivendo de sua música e as portas que ela abre ao mostrar suas qualidades como músico. Então ter uma banda de metal, que é um estilo que mostra bastante suas qualidades técnicas ajuda bastante sim ao cara que quer construir uma carreira no meio musical.

Arena Metal: Vejo você compartilhando a venda de seu álbum ‘Ingited!’. Você acha que o mercado fonográfico pra nosso segmento anda quebrado?
Nando: Sim, o álbum está à venda! Sim, ainda vendemos discos! Sim, ainda é muito legal comprar uma mídia física com capa e tudo! Sim, precisamos dessa fonte pra continuar gravando! Sim, espero (e preciso) que vocês comprem meu disco! rs
Mas se está quebrado, bem eu não tenho os números da coisa toda. Mas todos sabem que venda de discos despencou. Porém ainda existe, e tem outras coisas também, como o vinil, que tem, a cada ano, ganhado forças. Então pode vir a ser mais interessante pra uma banda prensar disco de vinil do que Cds no futuro, não sei. Já li diversas vezes que o público do rock é mais forte que os demais para compra de discos, então talvez o problema seja até menor pro nosso segmento. Outra coisa muito boa que ainda não é tão utilizada aqui no Brasil, mas está crescendo é o serviço de streaming, por plataformas como Dzeer, Spotify, etc. Isso é muito bom, pois o artista consegue receber pelas audições e o custo pra quem ouve é baixo!
Inclusive você pode baixar os programas na versão gratuita e não pagar nada pra ouvir! É um formato ótimo.

Mas vamos falar de vender música, seja em que formato for pra nós do meio metal. Cara, aí esbarramos no problema que você levantou na última pergunta, pois você precisa divulgar sua música com shows, aí que você consegue vender seu material, e como fechar shows Brasil afora é aquela complicação, temos um ciclo vicioso.

Mas quem consegue vencer essa barreira deve conseguir vender seu material sim.

Arena Metal: Você é um cara que pode dizer que vive da música?
Nando: Sim! Entendo que na maioria das vezes que se pergunta isso, as pessoas estão de fato te perguntando: Você é um Rock Star? Isso por que as pessoas acham que viver de música seja exclusivamente tocar suas músicas em shows e vender discos. Não é!!! E se você está me perguntando isso, aí a resposta é não. Mas como já tive a oportunidade de explicar em respostas anteriores nessa entrevista, os músicos das bandas que a moçada entende por “bandas grandes” cujos músicos, por consequência, “vivem de música” trabalham com várias atividades ligadas a música, não apenas shows e discos!
Então, exceto se for pra fazer marketing pessoal, pra pose mesmo, praticamente ninguém de banda nenhuma que você fizer essa pergunta (você vive exclusivamente de shows e discos?) vai te responder sim.
A lista de atividades que alguém pode fazer pra viver de música, pra estar no meio musical é enorme, sua banda vai ser uma delas, a mais visível. Sua banda, sua música, vai dar suporte, vai abrir portas a estes trabalhos e eles, por fim, vão permitir que você possa continuar tocando e produzindo com sua banda. É um ciclo virtuoso. 
Inclusive desconhecer essa realidade é o que muitas vezes impede as pessoas de realizarem seu sonho de viver de música. O cara fica pensando que é só “tocar bem”, montar uma banda, fazer um disco no capricho e ficar esperando virar o próximo Kurt Cobain.
Cara, viver de música é possível, mas não é brincadeira. É trabalho sério pra gente preparada. Não têm espaço pra amador. Você tem que saber música, sim! Tem que estar preparado, tem que ser profissional, como em qualquer outra carreira! Além de que você é um autônomo, depois seu nome, o nome da sua banda vai virar uma marca, vai virar uma empresa. Então tem que saber negociar, cuidar de burocracia, saber vender seu peixe, promover shows, eventos, enfim trabalhar!
Tem que ter atitude e batalhar. O cara quer viver de música, mas ao invés de cair de cabeça e investir em estudos, equipamentos, vai fazer uma faculdade sei lá do que (por que viver de música é difícil, então, é melhor garantir, né?...) e nas horas vagas tira umas músicas e ensaia com uma banda. Estranho, não? Imagina alguém ter o sonho de ser engenheiro e ir fazer uma faculdade de veterinária (ou de música!) e ficar nas horas vagas estudando por conta de uns projetos e tentando desenhar alguma coisa própria? Consegue imaginar isso? Claro que não! E por que o cara faz isso quando tem o sonho de trabalhar com música? Pelo que já vi até hoje é em grande parte por lamentável desinformação ou,  na verdade, o sonho é de ser Rock Star. Isso é outra coisa.
Tenha atitude, estude e se prepare, e vá vender seu peixe, como qualquer outro profissional de qualquer outra área.
No meu caso, estudei me preparei e continuo fazendo isso sempre. Componho, gravo, toco ao vivo, dirijo uma escola de música, sou professor.
A música, a que eu componho e gravo, é a alma do meu negócio, é ela que alavanca os outros trabalhos que pagam meu salário. Está tudo conectado. Público vira aluno, cliente. Cliente vira público e por aí vai. A banda é o laboratório pra aplicar tudo que se aprende e se vai ensinar ou a experiência pra você produzir outras bandas, etc. Abrem oportunidades de parceria com empresas de equipamentos ou instrumentos, etc. Tudo isso se junta pra pagar (e muitas vezes, muito bem) o salário do cara. Isso é viver de música, é viver no ramo musical e ter sua banda, seu sonho acontecendo. Mas ficar achando que é só ter uma “puta banda” e depois ficar fazendo só show e vendendo disco, esquece. Vá fazer sua faculdade e arrumar outro emprego e toque apenas por hobby, sem reclamar.

Arena Metal: O material tem uma equipe muito boa, mas as composições foram criadas por ti. Porque não explorar a criatividade dos que tocaram?
Nando: Obrigado! Realmente todas as composições são minhas nesse primeiro disco, mas eu aproveito sim o potencial criativo dos caras, sempre! Ouço suas sugestões e, inclusive várias delas entram nas composições. Como exemplo dessas participações cito a introdução de teclado da música Ignited. O Bruno (tecladista) trouxe essa intro pronta e eu adorei, entrou pra música. Também posso vir a gravar alguma música que não seja composição minha ou parcerias. Tudo pode acontecer nesse sentido, não sou avesso a nada disso, muito pelo contrário.

Arena Metal: O projeto solo tem como meta também tocar ao vivo?
Nando: Sim! Componho pensando no palco. Música é isso! É a energia do palco. Gosto de tocar as composições ao vivo antes de grava-las. Sempre que tenho uma nova música já toco ao vivo na primeira oportunidade. Tem que servir pro palco, tem que funcionar ao vivo, se não, não presta. Não são exercícios ou demonstrações. Não sou “guitarrista de You Tube”. Uso essa ferramenta pra divulgar meu som, como qualquer banda, mas ter visualizações na net não é o objetivo final. Sempre componho pensando em um álbum pra ser ouvido do jeito que um bom rock é ouvido: Em alto e bom som, de preferência, no palco. Não precisa você ter que ficar olhando as nossas mãos pra música ser bacana só por que é instrumental. Você pode cantarolar junto as melodias e riffs e agitar em um show.

Arena Metal:   Está mais difícil fechar show com carreira solo, ou quando era com banda?
Nando: Fechar shows de rock/metal com música autoral no Brasil, que passa já há uns bons anos por uma fase de predomínio de bandas covers, nesse meio é difícil pra qualquer formato. Mas é mais difícil sim, por que se nos bares que rolam shows, os covers estão dominando a cena. Pelo menos tem os festivais, que embora também role muito espaço pra bandas cover ainda são predominantes as bandas autorais.
E é mais difícil entrar nesses festivais que priorizam bandas com vocais. Cara, vou desabafar um lance aqui: Eu realmente acho que o excesso de guitarristas de Youtube realmente nos dá uma má fama, sendo sincero. Essa moçada que fica no quarto gravando solos em cima de playbacks com baterias eletrônicas, fazendo malabarismo pra outros guitarristas aficionados por fritação ficarem olhando. É um troço tão chato, que entendo o pessoal achar que se trata daquilo e não querer marcar. É foda conseguir que o cara te ouça pra ver que não é aquilo! Até porque, infelizmente, algumas empresas brasileiras têm entrado na onda e dando um espaço grande pra isso em seus canais e eventos,  patrocinando, etc. Até o Régis Tadeu (crítico) mencionou isso em um texto em seu blog. Então tem publicidade, aí todo mundo acha que é aquilo quando um guitarrista diz que está com um trabalho solo. É foda... rs. Se consigo marcar presença todos se surpreendem. Então por aqui tem vários complicadores, mas tem espaço sim, tem que ficar em cima e garimpar.

Arena Metal: Numa crítica ao álbum, falei que a música “Once in a Shuffle Time” merecia um arranjo de voz. Você sentiu isso em alguma das músicas?
Nando: Fiquei muito feliz com esse comentário! A coisa mais clichê é um guitarrista que vai fazer um disco solo falar que não vai ficar só na fritação, que vai ter melodias, etc. Mas na hora do vamos ver, quase sempre o cara enfia mais notas do que precisava, e fica só na promessa. É o que eu estava reclamando na resposta anterior. Você acha que vai pintar um tema e a coisa rapidamente já se transforma em mais um solo. E como isso tem espaço, é uma pressão pra entrar nessa onda, mas eu realmente não gosto de tocar assim, até porque não gosto de ouvir isso. As músicas têm que ter essa estrutura de música com vocal mesmo, têm que ter o “verso”, o refrão”, etc... tem que ser “cantável”. Vão ter os momentos do instrumental quebra tudo, das passagens “fodonas”.. rs, mas não pode ser o tempo todo. Tem que ter os temas e o tema tem que ter essa caraterística que você falou. Tem que ter riffs! Rock sem riff não existe! Repare na músicas de Youtube que falo como não há riffs! Sempre já começa com um solo e não pára mais. Então, na resenha você dizer que daria pra colocar uma letra naquela melodia acabou de me dizer que consegui fazer o serviço do jeito certo. Sinto isso sim, em todas elas, todas têm um tema que daria pra adaptar um voz com letra. Essa é sempre uma parte importante da composição na qual eu trabalho bastante.

Arena Metal: Noutro comentário que fiz, falei que a faixa ‘Ingited!’ não ser merecedora de emprestar seu nome ao álbum, porque escolher esta faixa para batizar o discão?
Nando: Entendi o que você quis dizer. Claro é questão de gosto, você citou a "Worth Fighting For" como sendo a merecedora da honraria. Também acho ela ainda mais épica que a "Ignited"! E daria pra batizar o disco sem dúvida! Fiquei feliz de você ter curtido ela tanto assim e realmente também pensei nela como faixa título. No entanto, na hora de batizar o álbum conta também a idéia da arte da capa e o contexto todo do disco. O Lucas Audi, que foi quem fez a arte da capa, apresentou aquele trabalho por conta, pois eu havia sugerido outra coisa. Mas curti tanto o que ele fez que fechei na hora! Só que assim que vi a arte o nome "Ignited!" me veio à cabeça, toda aquela energia que a capa passa e Ignited é exatamente isso: Ligado, aceso, em ignição. Achei que casou perfeitamente o nome com a arte e a música! Eu também queria passar essa mensagem de energia, nada parado, nada de tocar sentado na cama! rs. E no mais, eu pessoalmente adoro a Ignited! rs

Arena Metal: Por fim o que você diria pra um guitarrista que desejar seguir em sua carreira musical aqui no Brasil?
Nando: Eu diria tudo o que, por fim, acabei dizendo ao responder sua pergunta sobre eu viver de música. Que resumindo é: Acredite, mas trabalhe, estude! É possível sim viver de guitarra no Brasil. Não entre na besteira de achar que só por que inventaram programas como o Guitar Pro, você não precisa estudar música. Estude, se prepare, seja profissional. Procure aprender outras coisas que podem se somar ao seu trabalho como músico, como produção, por exemplo. Fazer sucesso com sua música, sua banda é um sonho, vale a pena correr atrás disso, mas realmente arrebentar na cena vai depender de muito mais que ter uma ótima banda. Vai depender de sorte também, é inegável. Depende de estar no lugar certo, na hora certa, de muito investimento também, que trabalhando de forma independente pode não ser possível, então o meu conselho é: sonhe com o que depende de você! Sucesso, se vir, esteja preparado pra ele também. Eu não me preparei, não estudei pra ser famoso, pra ser rock star, me preparei pra ser músico, pra saber tocar, compor, gravar. Não sou famoso, mas sou completamente realizado como artista, como músico e como profissional. Pra mim, isso é sucesso. Fechou. Agora, se eu começar a sair nas capas das revistas vai ser muito bom também! (rs)

por Hugo Veikon

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