Márcia Raquel cedeu entrevista ao site Arena Metal e conta como iniciou sua carreira na extinta banda Empty Book, e logo a vocalista ganhou notoriedade. Em 2008, Márcia entrou na Obscurity Tears de Vitória de Santo Antão e atualmente canta no Light in the Shadows.

Arena Metal – Bem, pela primeira vez que entrevisto uma vocalista, é pra mim é uma honra entrevistar você que tem belo vocal. Na Empty Book você fez um ótimo trabalho como sempre, mas eu notava na época que aquela banda parecia uma disputa de músicos. Você acha que em uma banda, ou música, ou em um determinado material devemos focar mais em um plano (guitarra – bateria – vocal ...enfim)?
Márcia – Primeiramente é uma honra pra mim também, ser entrevistada por você para um site tão bacana e que realmente apóia o metal como o Arena Metal. Em relação ao Empty Book, não entendi a parte de disputa de músicos, mas acho que a banda apesar de ter músicos talentosos e promissores, não tinha muita experiência nem recursos para desenvolver todo seu potencial, além da falta de apoio e produção para tanto. Mas devo a eles muito de tudo que aprendi, principalmente a Ivan Souza, guitarrista, compositor e idealizador do projeto. Nessa banda também aprendi a compor e criei várias das músicas que foram gravadas.

Arena Metal – Muitas pessoas têm referências musicais, e quais as suas influências como vocalista?
Márcia – Para o trabalho como vocalista de metal, minhas principais influências foram: Floor Jansen, Tarja Turunen, Sharon, André Mattos, Bruce Dickson, Liv Cristine, Cristina Scabia, Amy Lee, entre outos.

Arena metal – E quanto a estudo, você fez algum curso de música para cantar e toca algum instrumento? Porque você assina algumas composições.
Márcia – Fiz curso de técnica vocal no conservatório da Várzea, também fiz aulas no curso de extensão da UFPE e fiz aulas particulares com duas professoras de canto. As composições surgem pela influência dos estilos que canto e das bandas que curto também, tenho um pouco de teoria musical, mas componho mais por audição mesmo, depois os meninos escrevem as melodias em partitura ou cifradas, e quanto às melodias de voz, eu crio em cima das letras ou crio as letras em cima de melodias já existentes, tanto faz.

Arena Metal – Putz, você também estudou no Conservatório João Pernambuco, na Várzea? Cara, aquele lugar revelou alguns músicos que hoje atuam na cena Metal. Você acha que conservatório pode estreitar a criatividade das pessoas à música? Apesar dos que eu conheço, que lá estudaram, são bastante criativos.
Márcia – Estudar em conservatório é bom porque você troca idéias, informações, além de te dar boa referência no currículo, mas prefiro aulas particulares, e criatividade se exercitada, ninguém tira de você.

Arena Metal – Quando você entrou na banda Obscurity Tears a banda já tinha um “puta” respeito na cena, por causa do material Songs For A Black Winter, que rendeu ótimos elogios. Como você se sentiu quanto a responsabilidade de concluir o “My Chemical State”?
Márcia – Eu tenho o maior orgulho e sinto-me honrada por ter sido convidada para fazer parte da banda, pois já admirava o trabalho deles. Das quatro músicas do CD, tenho a satisfação de ser compositora da faixa Prisoner in Itself, que eles gostaram e resolveram incluir.

Arena Metal – Fale-me como surgiu seu trabalho com a Light in the Shadows? Porque ela conta com alguns integrantes da Obscurity Tears.
Márcia – A Light in the Shadows na verdade surgiu há anos atrás, por volta de 2005, através de minha parceria com Evandro Araújo. Mas o projeto era de fazer composições próprias, só que não vingou. E recentemente eu quis fazer um trabalho de covers e versões de rock e metal num formato acústico, com violões e percussão, já havia iniciado os trabalhos quando recebi o convite para tocar na segunda edição do Taverna Rock Fest, que acontece anualmente no Pátio de São Pedro, mas o convite era para o Obscurity tocar, como a banda estava parada por tempo indeterminado, resolvi oferecer o LIS que já estava pronto para tocar, expliquei a proposta do projeto à produção e concordaram, então demos uma corridinha e depois tocamos recentemente no Blizzard em Vitória, deu tudo certo, tivemos uma ótima aceitação nos dois shows e já estamos preparando um material para gravar e poder divulgar melhor nosso trabalho. E sobre os integrantes do LIS, nenhum faz parte do Obscurity, apenas dois dos meninos que tocam comigo no LIS têm o mesmo nome do Guitarrista do Obscurity, que é Evandro. Rsrsrsrsrsrsrsrsrs é muito Evandro em minha vida!

Arena Metal – Quer dizer então que o LIS em breve lançará um material? Este será apenas com músicas próprias ou contará com cover na versão acústica?
Márcia – Exatamente em 2012, ainda não sei qual mês, mas espero que no primeiro semestre, e quantas as músicas, principalmente versões, mas se pintar composição própria boa o suficiente, quem sabe... não vou descartar, apesar da proposta inicial não ser trabalhar músicas próprias, mas se nossa criatividade estiver aguçada o suficiente...!

Arena Metal – Criatividade de Evandro podemos com certeza esperar, pois o cara é um grande músico. Como rolou esse seu envolvimento musical com ele?
Márcia – Qual deles? rsrsrsrsrs no LIS tenho dois Evandros, o guitarrista que é Evandro Araújo ou Evandro Natividade que também toca no Andrommeda?

Arena Metal - kkkkk..... sim o Evandro Natividade que tocava no Torment e hoje é do Andromenda.
Márcia – Através do Andrommeda mesmo, já dividimos palco, sempre admirei o trabalho deles e já realizei um evento em 2006, o Female Vocals e convidei a banda pra tocar, sempre tivemos contato e admiração mútua daí resolvi chamá-lo para percussão e bateria.

Arena Metal – Por que fazer um projeto e não se dedicar mais a Obscurity Tears?
Márcia – A Obscurity está enfrentando problemas, teve dois desfalques recentemente, o baterista e o guitarrista Evandro Andrade saíram da banda, então tá bem complicado para continuar assim, não sei se vão retomar os trabalhos, estou no aguardo.

Arena Metal – Você quando iniciou seu trabalho com a Empty Book, tinha ideia que seria referência em vocal feminino, ou ao menos esperança em um dia ser referência? Porque pra mim você é a vocalista de PE.
[Márcia ficou toda sem graça com a pergunta] e risos ....

Márcia – Rapaz, eu não sabia nem o que era metal, Ivan chegou aqui e pediu pra eu cantar uma música, eu cantei uma música de Roxete (risos).
No outro dia ele trouxe o CD “Decipher” do After Forever e pediu pra eu cantar a faixa 2, eu cantei e daí todos ficaram impressionados, daí começou tudo nem eu mesma sabia que poderia cantar esse tipo de música, isso foi em 2003.

Arena Metal – Se eu pudesse finalizar pedindo pra você cantar seria um diferencial enorme para tecnologia, mas vou finalizar assim: Você pede uma música pra eu colocar no nosso Programa Insana Harmonia e me responde a seguinte questão: Você acredita que as bandas de Metal com vocal feminino vêm rompendo preconceitos e quais você já encarou?
Márcia – Primeiro eu gostaria de agradecer e dizer que sempre fico feliz quando as pessoas me reconhecem ou elogiam meu trabalho, eu sempre me emociono nos finais de shows quando as pessoas vêm até mim, principalmente crianças, e também gostaria de parabenizá-los pela força que vocês dão às bandas locais principalmente.
A música que eu gostaria de pedir é justamente a primeira música de metal que eu cantei, a música que foi minha iniciação, Monolith of Doubt, faixa 2 do cd Decipher do After Forever.

Quanto as bandas de vocal feminino, realmente muitas barreiras foram rompidas, apesar de ainda existir preconceito, mas eu não vejo muito isso por aqui, mesmo porque não existem muitas bandas na nossa cena, infelizmente. Eu tenho um ótimo relacionamento com os metaleiros locais, inclusive com o pessoal do peso! Death, Thrash e Black, me respeitam, me cumprimentam e  a recíproca é verdadeira.
Só lamento o espaço ser tão pouco, quase nenhum convite e quase nenhuma estrutura para o estilo. Mas eu sigo na batalha, na esperança de que isso mude um dia.

www.myspace.com/obscuritytears

www.myspace.com/lightintheshadowspe

www.myspace.com/emptybookpe

                                                                                             (Por Hugo Veikon)

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