(Entrevista por Léo Quipapá)

Arena Metal - O novo cd é o quinto da carreira da banda (além dos quatro singles, um ep e uma demo)  algo até incomum hoje em dia devido a fatores econômicos e logísticos. A tese do "mineirinho quietinho e eficiente" é bem aplicada a vocês?
Marcelo Benelli (baterista): Em parte sim, mas o Lothlöryen não está exatamente quietinho, estamos a mais de 10 anos na estrada fazendo barulho por aí.

Arena Metal - Quais as principais diferenças foram inseridas neste trabalho em comparação aos demais? A idéia de vocês seria mudar mais ainda?
Leko Soares (guitarrista): Acredito que a diferença básica é que levamos alguns elementos que já vínhamos explorando nos álbuns anteriores para o nível seguinte. Dessa vez, conseguimos mesclar de uma forma mais uniforme as referências que permeiam nosso som, como o Folk, o Prog, e o Hard Rock a uma sonoridade mais moderna.

Arena Metal - Outro fator não tão comum atualmente é o fato do álbum ser conceitual. Por que esta escolha? Foi questão de planejamento ou alguém veio com essa idéia formada e os demais abraçaram? E porque exatamente contaram a história de Giordano Bruno?
Leko Soares: Sempre fui fissurado por álbuns conceituais. Dois exemplos que me veem à cabeça são “The Lamb Lies Down on Broadway” (Genesis) e o “The Wall” (Pink Floyd); obras que possuem uma áurea especial em torno delas que com certeza não existiria caso não houvesse um conceito que as unisse. Foi em busca dessa ‘áurea’ que resolvemos embarcar na ideia de um álbum conceitual. Em relação ao tema escolhido, acredito que a figura do Giordano Bruno merecia ser apresentada de uma forma mais ampla ao mundo do Metal já que se trata de um personagem um tanto quanto obscuro do Renascimento, cujas ideias ecoam em importantes estudos científicos ainda nos dias de hoje.

Arena Metal - Caso eu esteja errado, me corrijam, mas a sequencia das músicas do cd não são sequenciais como os fatos. Isso foi proposital para viajarmos no tempo?
Leko Soares: Elas são sequenciais ao enredo da história que criamos. Há, porém, idas e vindas no tempo. Por exemplo: Em “Time Will Tell” saímos da execução de Giordano Bruno, viajamos mais de 300 anos à frente para explicar a manipulação da “Frequência Universal” pelos nazistas às vésperas da Segunda Guerra Mundial e em seguida voltamos em 1585 para relatar o encontro entre Giordano e John Dowland, momento em que o filósofo tem a revelação por parte do alaudista da existência dessa mesma “Frequência Universal”. Então, apesar da viagem no tempo, existe um fio condutor sequencial ao tema.

Arena Metal - Ao ouvir este cd eu notei que a similaridade com o Tuatha de Dannan diminuiu um pouco. O fato da parte lírica ter mudado proporcionou esta mudança?
Leko Soares: Vou um pouco além: diria que essa similaridade existiu somente no “...of Bards and Madmen”, álbum de 2005. Um pouco pelo fato de sermos da mesma região e termos feito muitos shows juntos nesse período e também por conta da participação do Bruno Maia em algumas faixas, o que automaticamente levou a mídia em geral à relacionar a banda ao Tuatha. Nos últimos 3 álbuns, porém (Some Ways Back No More, Raving Souls Society e o novo álbum) a sonoridade de ambas as bandas são muito distintas, desde o tipo de afinação usada nas músicas, andamentos, abordagem dos arranjos, timbre dos vocalistas até o conceito e intenção de cada uma.
Marcelo Benelli: As mudanças no Lothlöryen ocorrem naturalmente, nada é forçado ou planejado. Mesmo que a parte lírica não estivesse se alterado, ocorreria a mudança no som, com certeza.

Arena Metal - Outro detalhe que notei foi que há várias melodias de violino no trabalho mas não consta o nome do músico deste instrumento nem entre os integrantes nem como convidado (como constou Anderson Bardo no Raving Souls Society). Quem exatamente executou este instrumento no Principles...?
Leko Soares: Não há créditos porque o som de violino do álbum foi sintetizado pelo nosso tecladista, Leo Godde. Sim, o cara é um mestre dos timbres.

Arena Metal - Contando com estes numerosos trabalhos anteriormente citados, vocês pensam em lançar algo ao vivo, seja em cd ou dvd?
Leko Soares: Sempre tivemos essa ideia, mas ainda não conseguimos conciliar a logística de um show relevante e com boa estrutura e a aparelhagem necessária para registrar esse concerto em DVD. Mais uma hora rola!

Arena Metal - O Principles... ainda está quentinho e recém saído do forno, mas vocês já teriam algo guardado para futuros lançamentos ou vão degustar um pouco mais este atual trabalho?
Leko Soares: Definitivamente, nada guardado! O “Principles” demandou um esforço enorme por parte de toda a banda desde o processo de composição até as gravações e por fim, a campanha no Crowdfunding. Ficamos um ano e meio fora dos palcos para nos concentrarmos nesse trabalho e agora é o momento de divulgarmos esse novo Lothlöryen para o máximo de pessoas e lugares possíveis.

Arena Metal - Gostaria de agradecer o tempo cedido e deixo aqui este espaço à vontade para vocês deixarem suas mensagens para os elfos e bardos brasileiros.
Leko Soares: Agradeço em nome da banda a oportunidade e o espaço precioso que o Arena Metal nos proporciona para a divulgação do nosso trabalho. A mensagem que deixo para aqueles que chegaram até aqui é que continuem prestigiando o trabalho das bandas independentes e também dos veículos de imprensa em geral:blogs, zines, podcasts, programas de rádio, enfim, são vocês que mantém a cena viva e pulsante.
Marcelo Benelli: Galera, esteja sempre presente nos eventos e ativos no meio, pois são vocês que mantém a chama viva.Valeu!!!!
Folk you!

[RESENHA]

 

por Léo Quipapá

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