Os cariocas do Killrape estrearam com o excelente "Corrosive Birth" (2010) seguido por "Corrosive Legion" (2011). Liderados pelos irmãos Nilmon Filho (guitarra) e Rodson Lemos (voz), a banda vem mostrando uma ótima qualidade tanto pela criatividade quanto pelas equalizações. Conversamos com os representantes da banda para esclarecer algumas dúvidas.

(Por Hugo Veikon)

Arena Metal - Caro Nilmon, é um prazer enorme entrevistar um dos representantes da KILLRAPE. Bem, tenho todos os álbuns da banda e observei que a banda trabalha muito bem tanto a parte instrumental quanto a parte lírica mas, mesmo com tantas qualidades, eu achei um ponto negativo: Por que tão pouco investimento em divulgação da banda, principalmente aqui no Nordeste? Você não acha que além de colocarem as informações na net não seria melhor articular uns contatos com produtores, lojas, zines, blogs e sites, que possibilitaria a banda visitar essas terras?
Nilmon Filho: Fico feliz que tenha curtido os nossos dois álbuns. O foco principal da banda era registrar as músicas que só estavam em fitas demo gravadas desde 1994. Algumas mudanças foram feitas nas partes instrumentais e nas letras, mas a estrutura básica das músicas já existiam. Então, acabamos não montando um banda para cair na estrada. O Havok entrou para a bateria e o Rodson gravou o baixo.

Rodson Lemos: É, fizemos poucos shows pelo Rio de Janeiro com outros parceiros que assumiram bateria, guitarra base e baixo... fiquei só no vocal. Mas ainda pretendemos montar uma banda para fazer shows e divulgar o terceiro álbum. Com certeza vamos negociar para sair do Rio.

Arena Metal – Considerando que o Brasil é um pais extenso, atualmente vemos mais bandas tocando cada vez mais em regiões fora de seus estados. Você acredita que o público vem consumindo mais as bandas brasileiras?
Nilmon: Com o avanço da tecnologia e com uma situação financeira não tão caótica, hoje em dia conseguimos ter gravações realmente boas e com excelentes equipamentos, até nas demos. Acho que isso, além do fato que hoje as pessoas terem mais informação e aprendem a tocar bem mais cedo, ajuda na produção de um material bom. Com isso, o pessoal consome mais. Mas ainda acho que o que conta mesmo é a inspiração e a composição. Tem muita gravação boa mas bandas boas mesmo.. bom, isso continua raro. Aqui e lá fora.

Arena Metal – Bem, já que eu falei ao longo do Brasil. Como anda a divulgação fora do Brasil?
Nilmon: Mandei muitos cds pra fora. Vejo muito comentários em blogs e comunidades de todos os lugares. Fico muito feliz de saber que o que compusemos em nossos quartos hoje é ouvido pelo alemão, chinês e árabe. Essa divulgação nunca termina, porque você consegue comprar a versão digital dos álbuns em qualquer itunes ou amazon pelo planeta.

Arena Metal - Cara, o Corrosive Birth ainda é um material muito bem recomendado, isso, óbvio, porque as músicas são de altíssima qualidade. Em seu ponto de vista, você acredita que o Corrosive Birth (2010) ou o Corrosive Legion (2011), teve mais alcance no Brasil?

Nilmon: Por incrível que pareça, acho que o Birth tem maior longevidade. Apesar de achar o Legion mais bem acabado, o Birth contou com um lançamento mais organizado. Teve banners, permutas, lançamento com o álbum inteiro em web radio... Com certeza, esses dois foram a preparação para o terceiro, que terá só material novo para vocês e para nós.

Arena Metal - A banda ainda gravou um clipe da música Sacrifice of Blood do Corrosive Birth (2010). Achei o clipe bem simples, porém nervoso, como a música, cheio de cortes secos e adereços que incorporaram legal o conteúdo da música. De quem foi a ideia do clipe, de quem foi o roteiro e quem compõe o elenco?

Nilmon: Ficamos naquela situação que ou investimos uma grana boa ou não faríamos o vídeo. A ideia era usar a ideia de câmera amadora mesmo, em primeira pessoa e mostrar a agonia que a letra quer passar. Acho que valeu o registro, mas não posso dizer que é excelente. Sobre o elenco, Adriano Facuri, meu amigo é o psicopata e a minha esposa é a vítima... ficou tudo em família.

Rodson: Queremos ainda lançar, pelo menos, um clipe de alguma música do Legion... acho que vale o registro no YouTube

Arena Metal - Cara, saquei as letras de todos os CDs mais notei que no Corrosive Legion, a última faixa, Die, vocês mesclam as letras em português e inglês, por que isso? E o trecho dessa música que vou mostrar, foi direcionado para alguém em especial: "Banda de playboy vai tudo se fudê". (trecho da música)
Nilmon: Essa música, originalmente, foi escrita toda em inglês e descrevia o nosso ódio aos playboys filhinho de papai e funkeiros aqui do Rio. Para gravarmos em 2011, resolvemos focar mais em quem realmente não merece o oxigênio que respira. E, como é direcionado ao Brasil, preferimos chamar o Adriano (o mesmo que foi ator do clipe) para um dueto com o Rodson. Afinal era algo que já fazíamos nas gravações demo dos anos 90. A citação “Banda de Playboy” é dedicada a todas e cada bandas emo, que diz que faz rock mas não passam de aproveitadores da onda atual. Desde Restart até as mais antigas como CPM22 ou NXzero... vai fazer axé, vai tocar forró, mas não me aparece de Les Paul e Marshall para tocar essas músicas de corno e ainda tirar onde de rockeiro. Vai se fuder!

Arena Metal - A banda lança quase um material por  ano mas 2012 passou batido. Podemos esperar algo para 2013?
Nilmon: Acho que só vamos poder colocar algo no mercado em 2014. Mas ainda não posso confirmar. Estamos escrevendo, temos ideias, riffs, pedaços de músicas. Mas dessas vez vai ter um planejamento de fato.

Rodson: Na verdade, já temos o nome dos próximos três.. mas a hora de revelar não é agora.

Arena Metal – Já que a KILLRAPE vem trabalhando em um novo material. O que podemos esperar de impactante nele?
Nilmon: Esperem velocidade, agressividade, mais riffs marcantes e refrões que vão ficar na cabeça. Queremos elevar o nível de complexidade nos arranjos e até arriscar uma orquestra. Com certeza, será o mais épico e trabalhado de todos.

Arena Metal - Eu sempre senti uma forte influência do Slayer em ambos os CDs. Estou enganado? E para esse novo material a banda ficará mais pesada ou manterá essa pegada?
Nilmon: Slayer é influência clara. Também tem muitos riffs inspirados em Black e Death Metal mas todos voltados para o Thrash. Devemos manter a pegada sim, mas não vamos fazer mais do mesmo. Agora a história foi renovada. É uma nova fase da banda. Os dois primeiros foram uma apresentação. Agora é para marcar o nosso lugar.

Arena Metal - Para finalizar quero saber da esperança de um cara que admira o trabalho da KILLRAPE vê-la em atividade aqui pelo nordeste brasileiro
Nilmon: Hoje eu acho bem provável organizar shows fora do Rio. Vamos divulgar o terceiro álbum como gente grande. Esperamos tocar pelas suas terras também, com certeza!

Rodson: Nossa vontade é divulgar mesmo o terceiro álbum com shows que terão um set mais variado, com músicas de todos os três. Assim que der, convocamos o pessoal!

 

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