A INFESTED BLOOD volta destruir nos palcos e com esse retorno a banda trouxe consigo o "Demonweb Pits" recrutando almas perturbadas para sua teia. Conversamos com o frontman, Diego Do'Urden, que nos falou um pouco sobre a fase extrema e técnica que a banda vem explorando, sobre o lançamento e futura tour pelo Brasil. Confiram!

(Entrevista por Hugo Veikon)

Arena Metal - Bem, logo gostaríamos de saber como está a aceitação do público com a nova pegada da INFESTED BLOOD, no álbum recém lançado, "Demonweb Pits"?
Diego Do’Urden – As gravadoras, mídia e fans ao redor do mundo estão considerado o melhor disco já feito por nós. Conseguimos distribuir toda a primeira prensagem de 1000 cópias em dois meses do lançamento nacional, e a outra prensagem gringa de 1000 cópias pela Gormageddon da Russia também já foi toda distribuida para os 4 cantos do mundo. Já vamos para a segunda prensagem nacional. O "Demonweb Pits" é um marco na carreira profissional do Infested Blood, como a turne passando por 11 paises na Europa em 2010 também foi.

Arena Metal - Vocês acham que a técnica explorada atualmente pela INFESTED BLOOD, é um risco que a banda corre em perder o público que cultua a linha mais extrema?
Diego Do’Urden – O Demonweb Pits é o primeiro disco com a formação em trio, o primeiro disco que passei para o papel de frontman, guitarra e vocal. Só pela mudança de vocalista uma banda muda bastante. No Infested Blood também teve uma grande mudança. O Infested Blood marcou uma identidade expressiva pela grande variação de timbres vocais que o Cristiano Alexandre começou desde a demo Brutality in Extrems de 1999. Eu sempre cantei, sempre gostei de treinar varios tipos e timbres de vocal desde que comecei a ouvir Death Metal nos anos 90. Então, para mim não foi um problema assumir as vozes do Infested Blood e manter essa identidade nos discos seguintes. Mas, Enquanto o Cristiano focava mais em uma linha de vocal fechado, com menos pronuncia aparente, eu estou focando em vocais mais abertos e de pronuncia mais clara, mas também faço os vocais mais ignorantes fechadões, como os 'pig squeals'. Mantendo a identidade caótica que a variação de vocais do Infested Blood faz. Fora essa mudança, as composições da banda ficaram mais claras. Se você observar, cada disco do Infested Blood é diferente. No segundo disco, Tribute to Apocalypse e no terceiro disco, Interplanar Decimation, o Infested Blood focou muito em virtuosismo e velocidade, com muita quebra de tempo, que marcou a identidade desses dois discos como um som caótico e extremo ao limite máximo. Após ter feito dois discos como esses, nós pensamos em fazer o quarto disco juntando o virtuosismo dos dois último discos com as partes mais clássicas do primeiro, o "The Masters of Grotesque", que foi um dos discos preferidos por ser mais fácil de ser compreendido.

O "Demonweb Pits" tinha que ser um passo à frente. A mudança para um vocal mais coeso e para composições extremas e virtuosas, porém mais fáceis de serem compreendidas. Nasceu o "Demonweb Pits". Mantendo a velocidade e extremismo de sempre, com uma atmosfera mais compreensivel. Até mesmo os fans da fase mais extrema estão considerando como o melhor disco feito pela banda até agora. Sem riscos, sem erros, planejamos a mudança e o caminho que tinhamos que trilhar e está dando tudo certo! Estamos ansiosos para os próximos passos!

Arena Metal - O que influenciaram vocês a seguirem essa linha?
Diego Do’Urden – A turne na Europa, o sentimento de evoluir sempre, a vontade de criar algo novo e, claro, a vontade de fazer algo extremo e brutal.  O Infested Blood sempre foi uma banda em que os membros sempre buscaram a evolução juntos. Após o estabelecimento da banda como trio, isso tudo ficou ainda mais claro. Depois de toda experiência que pegamos com a estrada, começamos a ver os novos caminhos se abrindo. Sentimos que temos muito para oferecer ainda, já pensamos no próximo disco, e as possibilidades são vastas! O quinto disco promete impressionar ainda mais. O Infested Blood sempre será uma banda que tentará fazer um disco diferente e mais ousado que o anterior, mas uma coisa é certa, os blast beats serão sempre a lei, e os gravity blast beats, os quais fomos pioneiros no Brasil, também!

Arena Metal - As pessoas acham que pra compor som extremo, obrigatoriamente o compositor precisa ouvir muito som extremo. Isso é acontece com a INFESTED BLOOD?
Diego Do’Urden – Normalmente, um músico de metal underground toca o que gosta de ouvir. Até mesmo quando em posição de contratação para 'live' ou 'recording sessions', normalmente se trabalha com o que gosta de ouvir. No Infested Blood todos nós somos viciados em som extremo. Este é nosso estilo preferido de música. Tanto Black como Death e Brutal extremo repletos de blasts e virtuose. Porém, somos bem ecléticos, dentro do Metal, claro. Curtimos desde os rocks primordiais como Pink Floyd e praticamente todos os sub-estilos de Metal.  Mas, sem dúvidas, a paixão maior, trilha sonora constante de nossas vidas é arte do Brutal Death Metal.

Arena Metal - A banda aproveitou o fim do ano passado e fez dois shows de divulgação do Demonweb Pits. E isso também anunciou a volta da banda ao palco em seu estado. Como foi essa volta?
Diego Do’Urden – Essa volta aos palcos foi bastante esperada, tanto por nós quando pelos fans. Não tocavamos desde junho de 2011, quando fizemos nosso último show na região metropolitana de Recife com o Ratos de Porão. Pois entre 2011 e 2012 o "Demonweb Pits" foi forjado, e em 2013 gravado. Não queríamos tocar antes de lançar o disco apresentando a nova fase da banda com a formação em trio. Então a expectativa foi alta para todos.

Em 7 de dezembro de 2013 em Caruaru foi o primeiro show de lançamento, com o Benediction. Ficamos muito satisfeitos com o show, os caras do Benediction chegaram até nós espantados, elogiando e dizendo que nunca viram nada tão rápido e coeso ao vivo antes! Ainda disseram: "E olhe que somos velhos! Hahahahaha". Sensação de missão cumprida! Em Recife em 13 de dezembro 2013, foi um pouco diferente. Foi ainda melhor. Quem sacou os dois shows falou que o som estava ainda melhor. A nova fase começou do jeito que tinhamos planejado. Sucesso total, mas mesmo assim o sentimento de adrenalina e fortes emoções são as drogas que somos viciados e nos possui na hora de tocar ao vivo essas músicas infames.

Arena Metal - Por que a banda passa tanto tempo pra tocar em seu estado?
Diego Do’Urden – Não vemos a necessidade de tocar em uma mesma cidade mais de 1 vez ao ano. No máximo duas, se for uma boa proposta. Sem contar com isso, já expliquei que passamos o ano de 2012 compondo e 2013 gravando. Recife tem o constante problema de casa de show. O que dificulta ainda mais para se montar uma estrutura de som apropriada para o som que precisamos e que tenha conforto para os fans. Até mesmo as melhores estruturas como o Teatro Mauricio de Nassau possuem falhas que prejudicam um evento, como o calor infernal que faz lá. Esperamos que os produtores locais consigam um local legal para que a cena do Recife possa ter o que merece. As bandas fodas e público foda de Recife merecem respeito e profissionalismo.

Arena Metal - Já estão articulando algum show mais amplo, para outros estados vizinhos?
Diego Do’Urden – Sim! 2014 promete! Turne nacional, incluindo a primeira ida do Infested Blood ao Sul do país e a turne internacional serão anunciadas em breve!

Arena Metal - Pela experiência que a banda teve em tocar fora do Brasil, o que vocês apontariam de diferente de tocar fora, em termo de som e termo de público.
Diego Do’Urden – Europa não é só o berço da civilização, mas também o berço de uma importante parte do Metal. Logo, a cena metal lá é a mais antiga e experiente. Chegamos a tocar em locais pequenos e com som pequeno. Mas equipamentos de qualidade, e técnicos de som especializados em Metal eram uma constante. Muito mais fácil quando se tem um técnico que sabe resolver os problemas e equalizar o som rápido.

Isso faz com que a banda se preocupe só com a execução no palco. Deixa a banda mais focada. Por isso mesmo que decidimos após a tour européia a admitir um técnico de som que também fosse stage manager. Nosso amigo George se habilitou para a função e nos dá uma grande força que faz uma grande diferença na hora do corre-corre do 'set-up' do palco e passagem de som.

Arena Metal - Vocês acham que o viver de metal, ou no metal na cena nacional é um caminho árduo? A banda já passou por algumas formações, por entre essas mudança de vocal, saída de guitarra e tal... Para o Power Trio fodido que se encontra hoje. O que a INFESTED BLOOD representa para cada um que nela está.
Diego Do’Urden – Somente o fato de viver no Brasil é um caminho árduo. Pra quem toca Metal por hobby é dificil, pois existe toda a dificuldade de trabalho e familia para conciliar. Várias bandas nascem, e a maioria delas se dissolvem. Viver somente de Metal Underground é um sonho. Que poucos conseguem atingir. Praticamente uma utopia. Até mesmo membros das maiores bandas do mundo tem trabalho fora do meio metal para poder se sustentar. Como por exemplo o vocalista do Suffocation, Frank Mullen,  que algumas turnes não pode ir fazer e a banda tem que contratar um vocalista. Fazemos o que fazemos pelo prazer. Porque amamos tocar essa porra extrema e insana que possui nossas almas, eleva nossas mentes e melhora tudo nessa árdua vida. E continuaremos até o fim de nossas vidas fazendo tudo pelo prazer do Metal. Como dizia um velho sábio... parar só na cova!  Enterrado de cabeça para baixo e amarrado com arame farpado. Um Hail infernal para todos os malditos fans do Infested Blood!

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