É com muito orgulho que entrevistamos uma das mais conceituadas banda de Death Metal do Nordeste, HEADHUNTER DC. E assim nos é explicado o que essa banda já passou lutando contra o metal modista. E é comentando o valor que eles dão a cena Metal Nordestina.

Arena Metal: Inicialmente gostaria de dizer que é uma grande honra entrevistá-los, pois é uma banda ao qual tenho grande admiração e respeito! É uma das maiores referências do nordeste, no cenário do Metal nacional e internacional. De início gostaria de saber como vão as coisas com o grande Headhunter D.C. O que estão fazendo no momento e quais os planos para o futuro?
Saudações Elvis & Arena Metal!!! É um prazer estar aqui! Tudo flui bem em nosso bunker atualmente. Recentemente tivemos mais uma mudança de formação com a saída do Fábio Nosferatus após 13 anos tocando com a gente – o que não foi algo muito fácil de lidar, mas tudo se deu da forma mais amigável possível – e a entrada do George Lessa na guitarra, o qual já estreou onstage com a gente no dia 10/04. Além disso, as coisas têm estado um tanto movimentadas por aqui por conta do lançamento de nosso Double CD comemorativo dos 20 anos via Crypts of Eternity Prods do Peru. Algo que será de grande importância para a nossa história assim como certamente será para a história do Death Metal sul-americano. Também estamos no aguardo do lançamento do tributo ao Mortem pelo selo, também peruano, Heavier Recs., com o qual estamos contribuindo com o hino “Summoned to Hell”. Por fim, estamos agora voltados aos ensaios do material novo que dará vida ao nosso próximo opus, que temos planos de gravar ainda esse ano.

Arena Metal: O Headhunter D.C. é uma das bandas mais antigas de Death Metal do Brasil ainda em atividade. Como vocês vêem as mudanças dos anos 80 até os dias atuais?
As mudanças têm sido muitas, cara. Algumas para melhor, mas, infelizmente, a maioria têm sido para pior, em minha opinião. Muitos valores foram trocados, outros perdidos com o tempo. Mas como vê, temos a força e a paixão necessárias para continuarmos na estrada e sobrevivermos a tudo isso.

Arena Metal: Fiquei sabendo sobre shows fora do país. O que vocês poderiam falar sobre isso?
Os únicos shows que fizemos fora do país foram em nossa tour sul-americana de 2007, mais um grande marco em nossa jornada. Tocarmos fora do continente ainda é um de nossos grandes objetivos a serem conquistados e as oportunidades aparecendo certamente serão aproveitadas da melhor maneira possível.

Arena Metal: Nos últimos anos temos presenciado a saída de varias bandas do nordeste para fora do Brasil, coisa que não costumava acontecer a algum tempo atrás. Como vocês vêem tudo isso?
Isso é realmente grande e nos sentimos vitoriosos também quando outras bandas dão grandes passos em nome do Metal nordestino. Nós, Headhunter D.C., quebramos muitos tabus em épocas quando tudo era infinitamente mais improvável para as bandas de Metal Extremo do Nordeste, como lançar um LP e fazer uma turnê nacional. Então sabemos da importância de se conquistar um objetivo dessa magnitude, mesmo porque ainda que estejamos vivendo uma era de muito mais facilidade e acessibilidade a tudo se comprarmos a 15, 20 anos atrás, tudo ainda é muito difícil por aqui. Fiquei muito feliz, por exemplo, em saber da tour do Decomposed God, banda que acompanho desde os seus primórdios, pela Europa. Um grande hail! a Marco Antônio e Cia! Parabéns!!!

Arena Metal: Sabemos que o Headhunter D.C. possui um grande público em Pernambuco. Já presenciei, dividindo palco e também como expectador, shows em Recife. O que vocês acham da cena Extrema Pernambucana e o que vocês conhecem daqui?

A primeira vez que tocamos em Recife foi no início de 92 e de lá pra cá temos tocado aí com uma certa freqüência ano após ano. Acho que até já podemos nos considerar um pouco pernambucanos também, haha! Eu particularmente acompanho a cena Pernambucana desde sempre,

e vejo bandas como Decomposed God e mais recentemente o Inner Demons Rise (hails Burn!!!) grandes aliados em nossa causa. Temos grandes irmãos aí no estado e sempre que aparecemos por aí somos muito bem recebidos, então nos sentimos em casa.

Arena Metal: Percebo nas letras um conteúdo niilista com tendências ateístas e agnósticas principalmente no material mais recente God’s Spreading Cancer..., ao qual possui grandes referências a Nietzsche.  A que se devem essas passagens?
Eu sou um grande apreciador da obra de Nietzsche, e me identifico bastante com suas idéias, daí as citações de alguns fragmentos seus em algumas letras do “GSC...”.  Sou também um ateu por natureza e carrego um forte senso niilista em minha personalidade, e isso certamente reflete-se em minhas letras.

Arena Metal: A Bahia é um estado do Nordeste onde sempre floresceu bandas de Death e Black Metal de grande respaldo e reconhecimento no cenário nacional. O que você poderia falar da atual cena Baiana?
A cena baiana, atualmente, felizmente tem voltado a chamar mais atenção pela qualidade do trabalho de algumas bandas do que pela ignorância de alguns acéfalos que se dizem fazer parte da mesma como acontecia há até bem pouco tempo.

É claro que não aconteceu nenhum milagre (negro?) e de uma hora pra outra todos os parasitas desapareceram da cena (“Satã não dá cobra a asas...”), mas felizmente, ao que me parece, acontecimentos positivos têm se sobressaído aos negativos, o que já é alguma coisa. Bandas como Poisonous, Incrust, Eternal Sacrifice, Mystifier, Necrobscure, Inside Hatred, Keter e outras (poucas, é verdade) têm desenvolvido seus trabalhos de forma séria e verdadeira, dissipando um pouco o “ranço” que fazia pesar a atmosfera de uma cena que já foi muito respeitada no passado pelo seu extremismo e identidade e que aos poucos aparentemente volta a chamar atenção por aquilo que temos de melhor, e não pelo que há de pior por aqui.

Arena Metal: Durante muito tempo a cena nordestina foi, de uma certa forma, esquecida pelo resto do país. Atualmente isso mudou muito, apesar de ainda existir muito oportunismo e coisas pequenas que atrapalham. O que você acha que poderia acontecer para nos mantermos unidos para mostrar ainda mais nossa força?
Eu sempre fui um grande entusiasta da cena nordestina, e sempre achei que temos luz própria aqui, com um cenário que cresce a cada dia tanto em estrutura quanto em qualidade de bandas, então não precisamos baixar a cabeça nem pagar pau pra ninguém. Ninguém mesmo. É claro que ainda há muita merda e oportunismo barato, como você mesmo disse, e temos que ser sinceros nesses aspectos também, ou seja, saber reconhecer e apontar o que é merda e o que não é. Não é tudo que é feito dentro da cena nordestina que eu gosto e/ou admiro, mas sei reconhecer quando uma banda tem talento e identidade, independente do estilo ou de gostar da mesma a ponto de ouvi-la com mais freqüência ou não. Mas enfim, como disse recentemente num artigo sobre o Metal do Nordeste: o nordestino é um forte por natureza, e no âmbito do Metal isso não seria diferente, afinal enfrentamos todas as dificuldades possíveis para mantermos a chama acesa por aqui, então precisamos ser sempre verdadeiros com nós mesmos e mostrar ao resto do país onde é que se faz o Metal mais fudido e selvagem daqui.

Arena Metal: No começo da entrevista se falou na gravação de um novo disco ainda esse ano. O que pode se esperar da proposta musical e lírica desse próximo material?
Todos podem aguardar por mais uma flecha negra direto no coração do cristianismo em forma de hinos de morte e pecado; puro, profano e assombroso Metal da Morte, verdadeiramente brutal e grotescamente pesado! As letras mantêm o desprezo e a negação a tudo que é então-hipocritamente-chamado “sagrado” e a manutenção do Culto à Morte enquanto nosso inexorável destino, final absoluto, longe de crenças espirituais e ilusões absurdas. Only darkness is real!

Arena Metal: Nos últimos anos temos presenciado a depreciação e a banalização do Metal extremo como arte e filosofia, devido à exploração da mídia e de uma molecada que vem surgindo, transformando em alguns ambientes o Metal em mero “modismo” e forma de rebeldia juvenil, o que mancha a imagem do verdadeiro espírito do Metal. O que você poderia colocar sobre isso?
Eu tenho lutado por toda a minha vida de banger contra tudo aquilo que ajuda a massificar e conseqüentemente banalizar e depreciar o Metal enquanto música e principalmente enquanto ideologia, mas o que tenho visto é que quanto mais o tempo passa mais fácil e acessível a qualquer um se torna tudo o que é relacionado ao Heavy Metal, e conseqüentemente mais gente despreparada e não evoluída suficientemente para lidar com isso surge no meio como verdadeiros “pára-quedistas” (esse termo eu peguei emprestado do Leon Manssur, haha!), sem rumo. Então percebo que a luta é meio que em vão, se entende o que quero dizer. Ainda antes da chegada da Internet e suas diversas ferramentas, as coisas já estavam bem feias para o lado ideológico do Metal; tudo já havia se tornado normal demais, a outrora marginalização do headbanger estava aos poucos se tornando sinal de status dentro da sociedade, e o que antes era um culto já estava fadado a se tornar um grande circo de banalidades. Após a chegada desta, então, quando tudo se tornou disponível através de um único ‘click’, as coisas ruíram de vez, dando vazão ao surgimento de uma cena cada vez mais virtual, quase nula de verdadeiras emoções, distante anos-luz daquilo que vivemos nos anos de glória que foram os anos 80 - era de revolução, magia, de essência e espírito verdadeiros - quando todas as dificuldades serviam como uma prova de sobrevivência dentro da cena e o valor dado a cada conquista, por menor que parecesse ser, era infinitamente maior. Enfim, eu poderia escrever linhas e mais linhas sobre esse assunto, deixar a nostalgia tomar conta e enumerar cada desvantagem que vejo em toda essa “evolução ao avesso” que acontece atualmente, mas tenho sempre que procurar encontrar alguma harmonia em meio a esse caos e levar adiante a minha saga de devoção ao verdadeiro Metal da forma mais honesta possível assim como sempre foi, porém sem JAMAIS render-nos, nem eu nem a minha banda, a tudo aquilo que sempre abominei e desprezei. Eu sei de qual cena faço parte, e nesta os princípios do verdadeiro Underground continuam intactos. O resto não me interessa, definitivamente...

Arena Metal: Bem, somos gratos pela entrevista e ficamos a esperar ansiosamente pelo próximo material e próximos shows aqui por nossa terra. Deixo esse espaço aberto para as considerações finais!
Eu é que agradeço a você, Elvis, pelo suporte e pelo espaço aberto ao Headhunter Death Cult. Esperamos poder voltar a brutalizar com rituais de Culto à Morte aí em sua área o mais breve possível. É sempre um grandioso prazer poder estar entre nossos irmãos pernambucanos do Metal! Uma nova oferenda de blasfêmia, heresia e brutalidade death-metálica está a caminho, portanto aguardem! Um grande hail a todos! Vocês podem contar sempre conosco no eterno caminho da morte total! Nós somos o câncer de Deus que se espalha... DEATH METAL RULES SUPREME!!! 666!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

(por Elvis Oliver)

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