A banda Hate Embrace lançou seu segundo álbum oficial, Sertão Saga, para esclarecer algumas dúvidas da carreira da banda e os temas deste material conversamos com um dos integrantes. Confira!

(Entrevista por Hugo Veikon)

Arena Metal – Bem, não ouvi exatamente o “Sertão Saga”, mas vi a execução das músicas ao vivo. Mas, notoriamente, vi que vocês mudaram muito do Debut "The Dawn of a New Age", passando pelo "Domination Occult Art" até chegar no “Sertão Saga”. Como vocês analisam estas três fases da banda? Evolução?
Hate Embrace: A banda agradece ao Arena Metal pelo espaço cedido. O Hate Embrace tem se esforçado em sempre buscar a evolução, em fazer um som cada vez mais trabalhado, mas sem perder os elementos característicos da banda. Além disso, a produção de Joel Lima no Sertão Saga conseguiu deixar mais evidente essa nossa busca pela evolução sonora de nosso trabalho.

Arena Metal – Sobre o que vocês abordam neste álbum, porque o tema não é tão usual?
Hate Embrace: A proposta da banda é fazer músicas sobre temas históricos e do folclore mundial. Daí, os lugares-comuns do death metal aparentemente não teriam vez, o que é um equívoco. Se formos analisar as músicas do Sertão Saga uma a uma, fora do contexto do conceito do disco, elas falam de violência, morte, terror, desespero, sangue, vingança, temas muito comuns aos gêneros mais extremos do metal. Como o álbum é conceitual, esses temas ficam no plano de fundo da história que queremos contar, que é a de Lampião e seus cangaceiros, da Volante e do povo que conviveu com o cangaço.

Arena Metal – Vocês vêm com essa temática para o “Sertão Saga”, mas a banda pernambucana Cangaço já abordava essa lírica. Vocês sofreram alguma influência deles, ou aproveitaram o momento que a banda Cangaço abriu a mente de alguns Headbangers rompendo preconceitos para tal tema?
Hate Embrace: Na verdade, o conceito do Sertão Saga já estava pronto desde 2008, depois do lançamento da demo The Dawn of a New Age, com algumas músicas e letras e as artes para capa e encarte. Seria o primeiro full length da banda, mas preferimos segurar um pouco. Havia algumas músicas prontas com a temática da demo que não haviam entrado nela, e decidimos usá-las em um outro álbum, criando novas composições com a mesma temática egípcia. Assim, o projeto do Sertão Saga ficou postergado e lançamos o Domination Occult Art. Acreditávamos na época que assim seria mais fácil conquistar outros Estados brasileiros para fazer o nome da banda, para depois tentarmos algo mais ousado. Felizmente, foi o que aconteceu.
De qualquer forma, nossa abordagem é completamente diferente dos brothers do Cangaço, já que eles usam a questão do nordeste também na estética musical de maneira muito competente, além das letras. E nós apenas contamos uma história que se passa no sertão, mas sem a pretensão de usar os elementos da música nordestina nas composições.  De certa forma, não mudamos do D.O.A para o Sertão Saga, fazemos o mesmo Death Metal que fazíamos, tentando soar mais pesado, tentando inovar, mas dentro da nossa proposta inicial. O Magno Barbosa e o Rafael Cadena do Cangaço fizeram participações no Sertão Saga, nos vocais de Intolerância e Utopia.
Apenas em uma música usamos abertamente elementos da música nordestina, que foi Utopia, que teve participação de Silvério Pessoa e Adriano Forte, mas de maneira bem sutil, para não destoar tanto do restante do álbum.

Arena Metal – A banda ainda contou com diversas participações, como também fizeram no Domination Occult Art. Vocês não acham que participação demais deixa a desejar quando a banda se apresenta ao vivo? Porque o consumidor do CD vai ouvir algo no seu Player, mas ao vivo vem outra coisa.
Hate Embrace: Buscamos parceiros da cena pernambucana para enriquecer nosso som, e felizmente conseguimos um resultado muito gratificante. Pessoas como Alcides Burn (Inner Demons Rise), Washington (The Ax), Pedro Thomaz (Necroholocaust), Wanessa Campos, Ivannubis Holanda (ex-Empty Book, atual Conservatório Pernambucano de Música) e os já citados Magno Barbosa e Rafael Cadena (Cangaço), Adriano Forte (Lethal Rising) e o Silvério Pessoa nos honraram com suas participações nos vocais de algumas músicas. São participações pontuais, em apenas alguns trechos, para dar uma voz diferente na história que contamos. Ao vivo, como 4 integrantes da banda também cantam, as partes em que tivemos participações não ficam prejudicadas, conseguimos ser fiéis ao CD. Com exceção de Utopia, com Silvério e Adriano, que foi uma música que não foi pensada para ser executada ao vivo.

Tivemos também a honra de ter a participação do violinista Sérgio Ferraz no disco, que nos fez uma música instrumental sensacional chamada Sertão Dual, que entrou como faixa bônus. Por um equívoco nosso, esquecemos de dar os créditos da música a ele no encarte, mas isso já está resolvido para as próximas tiragens do álbum.

Arena Metal – A saída de Fred e a entrada de George, sem dúvida, deu uma mudada na banda. Um (Fred) trabalha dois tipos de vocais e George com a parte mais gutural. Por que tais mudanças? Por que a saída de Fred? Já buscavam esse elemento chamado George?
Hate Embrace: O Freddy Houde é um excelente vocalista, além de amigo de longa data. Sua saída da banda se deu amigavelmente, por questões musicais apenas. Conhecíamos o George Queiroz quando ele cantava no Subinfected e achamos que o estilo de seu vocal se encaixava na proposta que tínhamos para o novo disco, que seria em português e ele canta de maneira agressiva mas bem inteligível. Quando ele saiu da outra banda, estávamos fazendo testes com vocalistas e o convidamos para fazer também.

Arena Metal – A banda não vem tocando muito pela região e notei que vocês resolveram atacar mais outros estados. Isso reflete a defasagem da cena local (Recife)?
Hate Embrace: Bom, na verdade, passamos metade do ano trabalhando duro nas gravações e produção do Sertão Saga e só agora no segundo semestre é que temos como focar nos shows para divulgação do álbum. As oportunidades de outros estados surgiram, mas Recife não vai nem pode ficar de fora, logo estaremos nos apresentando por aqui também.

Arena Metal – A banda Alkymenia, que considero atualmente a melhor do estado de Pernambuco, buscou e conseguiu uma tour pra fora tanto da região, como pra fora do país. Vocês têm também a pretensão de levantar vôo?
Hate Embrace: Sem dúvidas. Temos a pretensão de levar nossa música para todo o Brasil e também para fora. A receptividade do disco foi muito boa aqui no país e ficamos felizes com o fato de ter havido um impacto legal na Europa também. Vamos trabalhar para conseguir mostrar nosso trabalho por outros Estados e se tudo ocorrer como esperamos, vamos levar nosso Metal em português pra gringo ouvir também.

 Arena Metal – O que você apontaria de positivo de tempos atrás e de negativo dos dias atuais?
Hate Embrace: Bom, o saudosismo é natural e sempre tendemos a olhar para o passado com olhos mais benevolentes, achando que ele é melhor que o presente. É verdade que no passado a cena era mais agitada, havia mais espaço para as bandas tocarem, mas não vemos nada muito negativo nos dias atuais, pelo contrário. Há um número maior de bandas ativas, tanto as mais antigas como as que estão surgindo agora, que estão cada vez mais profissionais e evoluindo bastante tecnicamente, pois hoje há muito mais material para estudo à disposição, as pessoas tem um poder aquisitivo maior, o que facilita a distribuição de material e merchandising. A cena tem se renovado bastante, com muitos bangers jovens chegando agora. É um movimento cíclico, a cena, que era bem aquecida, pode ter dado uma esfriada nos últimos anos, mas acreditamos que voltará a se aquecer novamente.
Além disso, muitas bandas de renome mundial têm vindo e estão para vir tocar no Recife em um período curto de tempo, o que era difícil há algumas décadas. Entendemos que há um saldo positivo nos dias atuais.

 Arena Metal - E o “Sertão Saga” levou a banda a um degrau maior?
Hate Embrace: Felizmente, sim. Com o D.O.A, conseguimos nos estabelecer na cena e chamar a atenção nacionalmente, e o Sertão Saga sedimentou essa atenção. Tivemos críticas muito positivas do disco ao redor do Brasil e até fomos surpreendidos pelo fato de estamos sendo “pirateados” por sites europeus, que estão vendendo downloads do nosso disco sem nossa autorização. Isso mostra que o Sertão Saga realmente levou a banda a outro patamar e estamos bem satisfeitos com isso. Da mesma forma, isso nos deixa focados para que no trabalho seguinte consigamos galgar outro degrau, e assim por diante, sempre em frente.

Arena Metal – Então, a banda investiu em produção de CD, camisa, produção de clipe, assessoria... Vocês veem realmente no metal a chance de obter um futuro financeiro compensador?
Hate Embrace: Todo mundo conhece as enormes dificuldades do retorno financeiro no Metal Brasileiro, então não temos nenhuma ilusão quanto a isso. Porém, encaramos a banda de maneira profissional e não como hobby, o que nos leva a procurar alternativas de retorno como a venda de material e divulgação de nosso trabalho. Todos nossos membros têm outras atividades para se sustentar, o que nos deixa à vontade para trabalhar nossa música sem a pressa do retorno financeiro imediato. Vamos trabalhando focados no que importa agora, que é nosso som e o público que curte a banda, e se não houver uma compensação financeira no fim, poderemos dizer que nos divertimos bastante.

Arena Metal – Vamos finalizando por aqui. Fiquem à vontade para uma mensagem final
Hate Embrace: Novamente, agradecemos ao Arena Metal pelo espaço cedido. Até breve \m/


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por Hugo Veikon

 

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