(Entrevista por Ismael Guidson - Foto por Caroline Neves)

O Arena Metal teve a chance de entrevistar o baixista Sancho Rômulo da HAGBARD, uma das melhores bandas de folk metal nacional. Ele nos concedeu uma entrevista descontraída onde falou dos passos que a banda deu em seus lançamentos até chegar no seu mais novo álbum, Vortex to an Iron Age. Confiram.

Arena Metal - Sabemos que o gênero que a Hagbard vem trabalhando ainda é pouco difundido no Brasil. Foi difícil criar uma banda de folk metal e fazer com que ela chegasse no resultado que se encontra hoje?
Hagbard - Criar a banda não foi tão difícil pois nós sempre nos conhecemos como amigos e achar gordões barbudos, com um dedinho no alcoolismo,que gostem desse estilo de música é mais fácil do que parece. Porém, para ter os resultados que nós estamos tendo hoje tivemos muito trabalho, e apesar das peculiaridades que nos são impostas devido a esse estilo musical pouco difundido até mesmo dentro do underground brasileiro, as nossas dificuldades não são muito diferentes das outras bandas de estilos diversos que estão lutando dentro desse mesmo cenário. Qualquer um que tem uma banda sabe a dificuldade que é para conseguir apoio, agendar show, divulgar material...

Arena Metal - Vocês são bastante humorados quando se trata do porte físico dos integrantes da banda kkkkkk. Então o que levou ao grupo ter um desfalque no número de gordos presentes, seguindo apenas como um quinteto?
Hagbard - Os quilos nessa banda nunca são realmente perdidos, o que de fato ocorre é uma realocação de peso. Apesar da perda de valorosos quilos com a saída do Tiago e dos incansáveis esforços do nosso baterista em assassinar, não somente sua própria protuberância abdominal, como arrastando com ele o nosso redondo vocalista para essa empreitada diabólica, eu e o senhor Marreta temos nos empenhado bastante para arrecadar todos esses lipídios jogados fora.

Arena Metal - A banda é de Minas Gerais, um estado importantíssimo para cena brasileira, berço do metal nacional que vive até hojeapresentando grandes bandas para o Brasil além de ser responsável por lançar inúmeras bandas nos anos 80. Vocês possuíram alguma influência de dentro do estado? Se sim, poderiam citar quais seriam essas influencias? E quais bandas internacionais influenciam vocês? 
Hagbard - Cada um tem um gosto bem específico na nossa banda, o que deixa difícil responder sobre influência musical e artística, apesar de existirem várias bandas que eu amo e me influenciam aqui de dentro do estado. Mas algumas bandas são realmente unânimes até mesmo dentro desse nosso círculo imbecil de integrantes... Aqui de Minas eu posso citar tranquilamente o Tuatha de Dannan, que é uma banda absurdamente foda e que todos nós gostamos. Já no exterior são diversas outras, que sem fazer um acalorado debate etílico com os outros leitões dessa banda e correr o risco de tomar um soco na cara eu ouso citar Wintersun, Ensiferum, Amon Amarth ...

Arena Metal - O primeiro full da banda, Rise of the Sea King, foi lançando primeiramente por uma gravadora russa e as cópias que vieram parao Brasil esgotaram. Vocês possuem informações de como está a saída e aceitação do disco para o público europeu? Este lançamento gerou alguma possibilidade da banda excursionar por terras européias? 
Hagbard - O material foi lançado e distribuído por lá, nós recebemos feedback de pessoas que adquiriram o álbum pela gravadora e tudo mais. Tentamos acompanhar as coisas pela internet, mas não temos informações suficientes. A comunicação com a SoundAge não foi, e ainda não é, algo muito simples, apesar das nossas tentativas.

Convites para fazer turnê tanto na Europa quanto aqui na América do Sul tem sempre aparecido, só que como a gente é um bando de fudido sem grana fica realmente difícil, portanto enquanto não aparecer alguma proposta realmente atrativa (leia-se "tudo pago"), a gente continua só na expectativa. Kkkkkk

Arena Metal - Realmente hoje em dia é difícil encontrar propostas aceitáveis para bandas que estão começando, vocês já possuem um “currículo” muito bom, porém muitas das pessoas que fazem propostas não levam em conta a sonoridade e sim basicamente o tempo que a banda está na ativa ou algo do tipo, aí fecham as portas, dando outras preferências. Então já que foi difícil manter contato com a SoundAge como foi pra vocês conseguirem lançar um álbum primeiramente na Rússia? No Brasil as portas foram fechadas pelas gravadoras? Sei que é antiético citar nomes, mas isso aconteceu mesmo? Quantas gravadoras não deram a oportunidade para vocês?
Hagbard - Na verdade o que acontece normalmente não são portas se fechando para bandas iniciantes. Muitas vezes, e foi o nosso caso tanto com gravadoras daqui quanto de fora, é que você envia material e fica mesmo é na expectativa e sequer recebe uma resposta, seja por e-mail ou por correio. É bem difícil precisar quantas, mas esse processo pode te fazer ficar meio perdido e sem saber se está no caminho certo ou não. O ideal mesmo é ter bastante sobriedade nesses momentos. Mentira… beber é sempre a melhor opção! 
A princípio começamos a obter mais respostas de gravadoras de fora, seja lá por qual razão, e a SoundAge foi quem de começo se empolgou mais com o material após fazermos o primeiro contato. Isso foi muito bom, pois aumentou a repercussão e abriu algumas portas para nós. Após “Rise of the Sea King” ser lançado na Rússia nosso EP saiu por dois selos nacionais (Ihells e Genocídio) e então tivemos o relançamento do próprio “Rise of the Sea King” pela Heavy Metal Rock de Americana/SP, e agora “Vortex to An Iron Age” também saiu pela HMR, com quem temos um ótimo relacionamento.

Arena Metal - A Hagbard está lançando mais um álbum, Vortex to an Iron Age, com músicas totalmente inéditas, mas cerca de um ano atrás lançou o Ep Tales of Frost and Flames. Naquele tempo do lançamento do Ep as músicas deste novo álbum já estavam prontas ou sendo trabalhadas? O que levou o grupo não utilizar músicas do ep no álbum? 
Hagbard - A gente não queria ficar tanto tempo sem lançar material, e nessa banda nós possuímos a imensurável felicidade de contar com a compacta máquina de composição chamada Gaybriel Suadis, que além de ser super gato, ainda consegue criar músicas fodas na mesma proporção que eu consigo inventar desculpas pra acordar depois do meio dia. Quando nós gravamos e lançamos o EP, até tinham algumas músicas sendo trabalhadas que só vieram a sair agora no álbum, mas em sua grande maioria foram genialidades posteriormente maculadas pelo nosso notório tecladista.

Arena Metal - A sonoridade de Vortex to an Iron Age que mudou um pouco e teve uma saturação (bastante agradável) nos violinos, deixando o som mais sinfônico em relação aos lançamentos anteriores. Você poderia dizer o que a banda mais explorou no atual lançamento? Teve algum um ponto que pensaram “vamos mudar nisto” ou o disco saiu de maneira toda espontânea?
Hagbard - Talvez o violino esteja mais presente neste disco como você destacou, mas é um elemento que já exploramos desde o começo. É algo que gostamos de somar às melodias já presentes, o resultado é sempre muito interessante. Acho que a banda passa por uma evolução natural desde nosso trabalho de estreia, passando pelo EP e chegando agora no nosso segundo disco.  Algo que mudamos propositalmente foi o peso, pois tocamos desde o EP com guitarra de 7 cordas e temos trabalhado com mais riffs. De resto acredito na espontaneidade das composições. 

Arena Metal - Vocês estão num processo de crescimento e estão criando história por todo o trabalho feito até os dias mais recentes, sendo reconhecidos nacional e internacionalmente. Como descreveria o atual momento da banda?
Hagbard - Pois a sua pessoa é mais bondosa do que a gente merece, nós somos uma banda de merda do interior e não é brincadeira quando eu digo que nós ficamos extasiados quando recebemos esse tipo de comentário e essa oportunidade para responder uma entrevista do distante e querido Pernambuco. A gente agradece tanto o seu apoio quanto o de todos os nossos charmosos seguidores de sanidade questionável no Nordeste. Quanto ao nosso atual momento, é continuar de cabeça baixa, ralando cada vez mais, tentando produzir material com qualidade cada vez melhor e torcer para, em um futuro próximo, poder estar tocando aí pra esses lados.

Arena Metal - Bom, como foi pra vocês a experiência de dividir o palco com os suecos do Sabaton? Anteriormente fizemos uma entrevista com um dos membros, antes da vinda deles ao Brasil e falamos sobre bandas brasileiras. Como boa parte dos gringos, ele citou o Sepultura. Vocês tiveram alguma oportunidade de apresentar melhor a banda para os cara e alguém do Sabaton será que numa próxima entrevista citará a Hagbard?
Hagbard - Admito que foi realmente surreal poder abrir um show pra eles pois todo mundo aqui da banda é muito fã dos caras e ter tido esse privilégio é algo que eu pretendo me gabar até o fim dos tempos. O que rolou de bem maneiro nesse sentido foi que enquanto nós estávamos passando o som antes da casa abrir, alguns dos caras do Sabaton vieram assistir e ficaram curtindo enquanto a gente tocava. Agora, se em um lapso de loucura alguns dos caras citarem a Hagbard em uma entrevista, vai ser só pra dizer que é a banda mais suada que eles já viram tocando.

Arena Metal - Em nome do Arena Metal gostaria de agradecer o tempo disposto para com o site e os leitores. Queria que vocês deixassem uma mensagem para os leitores e para quem vem acompanhando o trabalho da Hagbard. E caso não esteja de saco cheio, se possível dizer os próximos planos da banda.
Hagbard - Pois quem agradece somos nós, e a todos vocês, nossos charmosos paladinos contemporâneos de discernimento questionável, o nosso mais sincero obrigado. Titio Sancho ama todos vocês! E quanto aos nossos próximos planos eu só posso dizer que envolvem um barril de chope, 10 kg de picanha e trajes de banho indecentemente pequenos. Grande abraço \o/


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por Ismael Guidson

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