(Entrevista por Hugo Veikon)

Arena Metal – Vamos logo atacando vocês com uma pergunta que pode soar chata: por que fazer músicas tão extensas e um EP “curto” (com apenas 3 faixas)?

Diabolical Tyrants: Preliminarmente gostaríamos de agradecer à equipe do Arena Metal por esse vultoso convite feito onde nos sentimos honrados em responder os questionamentos colocados. Já no mérito abordado no primeiro questionamento, adiantamos que enfrentamos essa pergunta sem ela soar chata. Dizemos isso pois já imaginamos, desde a construção desse material, que essa seria uma das indagações a serem feitas pelo público e também pelos profissionais midiáticos. A grande sacada desse primeiro material – a Demo EP “A Glimpse ov the Profane” - não está apenas nas músicas extensas mas sim em todo o material. Expliquemos melhor: desde o início das composições vislumbramos que poderíamos ter músicas extensas devido a quantidade de informações que tínhamos para trabalhar, ou seja, ou teríamos mais músicas para serem compostas ou trabalharíamos tudo que tínhamos em poucas músicas, mas de forma um pouco mais complexa. Em estúdio e analisando que na Diabolical Tyrants temos uma premissa na qual tentaríamos e tentamos ao máximo realizar um trabalho peculiar, tentando deixar uma marca registrada e ao mesmo tempo mantendo os pilares da tradicional escola do Black Metal, decidimos trabalhar tudo que tínhamos para colocar nesse primeiro material, e conseguimos cumprir esse objetivo. Isso resultou no EP com 3 faixas, qu até aí seria um EP normal, mas com esse detalhe de que somadas as três faixas quase atingem trinta minutos, sendo assim, entendemos que nesse ponto conseguimos fazer algo diferente e conseguimos deixar nossa marca. A particularidade nesse primeiro material continua quando se ouvem as músicas e nota-se a quantidade de variações e progressões delas. Quando percebemos que conseguimos alcançar nosso objetivo, e de certa forma deixar nossa marca registrada compondo as músicas nesses formatos, decidimos também fazer alguns ajustes na parte física do material, lançando ele com as medidas diferente das convencionais, um pouco mais estreito na largura e um pouco maior no comprimento, além de não usarmos encarte no material pois o fizemos de uma forma em que pudéssemos colocar as três letras no próprio corpo do box onde se guarda o cd. Dito isso podemos entender que as músicas ficaram extensas mais por uma vontade de fazer algo diferente, deixando assim uma marca tirano diabólica.

 

Arena Metal – Particularmente achei que o material é muito bom, tanto pelas partes criativas como pela qualidade de mixagem. Vocês pretendem juntar essas faixas a um full vindouro?

Diabolical Tyrants: Muito obrigado!. Apenas uma pequena mas valiosa ressalva, sobre a mixagem e masterização tivemos a honra de trabalhar com o grande produtor Felipe Eregion (Unearthly), que teve bastante paciência conosco e trouxe os detalhes finais para o fechamento das músicas. A ideia primeira era não colocar músicas desse EP em um full, pois vamos lançar outro material depois dele.Mas devido a excelente repercussão do EP “A Glimpse ov the Profane” e também pela história que marcou o nascimento desse primeiro material não descartamos a hipótese de colocá-las no full.

Arena Metal - “A Glimpse ov the Profane” teve o feedback esperando pela banda?

Diabolical Tyrants: Sim, e podemos dizer que continua tento um bom feedback! Uma das razões para afirmarmos isso é que em Julho/16 iniciamos a prensagem de mais 100 cópias do material (na primeira remessa foram feitas 300 cópias e não temos mais nenhuma!). Realmente tivemos um retorno que não esperávamos. Tivemos um grande receio de fazer essa grande quantidade de cópias e ficar tudo no estoque, mas já fez um ano do lançamento e como supracitado não temos mais nenhuma cópia para disponibilizar, por isso a necessidade de fazermos mais.Sendo assim, consideramos um bom retorno. Ainda sobre o feedback que tivemos é salutar ressaltar que o público teve um papel importantíssimo nesse processo pois compraram e também comentaram sobre o material, seja nas redes sociais ou pessoalmente. Nosso EP está hoje distribuído em todo território nacional e internacional também. Foi através desse trabalho feito que, inclusive, tivemos a honra de ser chamados para participar de um tributo ao Bathory, que ainda será lançado na Alemanha. Detalhe: tudo isso feito sem nenhum tipo de patrocínio, tudo de forma independente!. Claro que isso torna nosso trabalho de divulgação um pouco mais complicado, mas ao mesmo tempo é prazeroso ir nos eventos e poder trocar uma ideia pessoalmente com o hellbanger que comprou seu material, ou pelas redes sociais quando a distância é um empecilho.

Arena Metal – Até onde o satanismo influencia nas letras da Diabolical Tyrants?

Diabolical Tyrants: Na Horda podemos abordar o Satanismo como uma espécie de gênero do Ocultismo. Nossa ideia primeira é abordar todosos temas relacionados ao ocultismo, tudo aquilo que está além da seara do processo cognitivo empírico, ou seja, o próprio satanismo, Goetia, Thelema, Luciferianismo, Paganismo, entre várias outras vertentes, abordando seus conceitos filosóficos e metafísicos, tentando assim passar essa experiência através das letras, para quem se interessa por nosso trabalho. Recentemente cedemos uma entrevista ao programa Apocalipse, explicando nossa rotina de estudos e debates que serve, inclusive, de inspiração para criação de nossas letras. Seria interessante que o leitor desse uma conferida nesta outra entrevista, que, inclusive, está na nossa página do Facebook. Dito isso, o satanismo é uma peça chave em nossos estudos e um grande orientador na composição das letras feitas por Consemptius Tenebrarum.

Arena Metal – Notei que o EP também abriu muito as portas pra shows. Vocês acreditam nessa possibilidade, ou sempre tocaram e eu só notei agora?

Diabolical Tyrants: Com toda certeza abriu muitas portas. Fizemos algumas apresentações antes mesmo de lançar o material. Pelo fato de sermos membros de antigas hordas e sempre termos o costume de irmos em vários eventos pelo Brasil os convites vieram naturalmente pois tínhamos alguns contatos com produtores e amigos, mas, com toda certeza, depois que lançamos nosso material a procura aumentou e para esse segundo semestre de 2016 esperamos participar de aproximadamente 5 eventos, inclusive tocando ao lado de bandas internacionais. Portanto, acreditamos que o lançamento de um bom material traz a expectativa de novos shows e indo um pouco além, podemos afirmar, por esses três anos de Diabolical Tyrants, que shows trazem mais shows.

 

Arena Metal – Vocês têm a previsão de quando sairá o próximo material?

Diabolical Tyrants: Sim, já estamos finalizando as composições do próximo trabalho. Lançaremos um Maxi Single antes de começarmos a trabalhar no full. A intenção é lançarmos mais 3 músicas nesse projeto, sendo duas de autoria nossa e um bônus. Esse material receberá o título de “Prime Evil Synthesis”, que também será a faixa título e também terá a música “The Call ov the Shadowlord”, que inclusive já tocamos em nossos dois últimos shows. O bônus será o tributo que fizemos para o Bathory, com a música “Man of Iron”, que é o projeto a ser lançado na Alemanha. A expectativa é que esse material saia até o final do primeiro semestre de 2017, uma vez que estamos no processo final de composição e provavelmente teremos a produção mais uma vez do produtor Felipe Eregion. Aproveitando o espaço, gostaria de agradecer a todos que estão nos mandando mensagem na página ou nos nossos perfis particulares ansiosos pelo próximo material da Diabolical Tyrants.

 

Arena Metal – O cenário Black Metal e diria até mesmo o Death Metal é bem mais fechado que as outras vertentes do Metal, Vocês têm essa forma de pensar também? Por exemplo, tocar em eventos que não variam, ou seja, apenas composto por bandas de Black e Death? Participar de revistas, sites, blogs também só dedicados ao extremo, ou não?

Diabolical Tyrants: Temos um grande respeito por todas outras vertentes do metal e se acontecer de dividirmos com essas bandas será uma honra para nós, agora, é claro que a única ressalva é quanto aos que se dizem White Metal pois não faz nenhum sentido apoiarmos ou dividirmos palco com algo que é totalmente o oposto à nossa ideologia.

 

Arena Metal – Vocês soam bastante com a escola grega e diria até de algumas daquelas bandas dinamarquesas e finlandesas. Mas o que vocês consomem de Metal Nacional?

Diabolical Tyrants: Temos, sim, bastante influência européia, e não temos problema nenhum em afirmar isso, mesmo porque eles sedimentaram o alicerce daquilo que conhecemos como metal extremo. Porém, no Brasil existem várias hordas que merecem o nosso respeito, e também precursoras do nosso estilo e que possuem a sonoridade tão boa quanto as estrangeiras. Seria injusto citar nomes de bandas, pois podemos correr o risco de esquecermos de alguma, mas garantimos que nosso background é vasto.

 

Arena Metal – Ainda nessa parte de Metal Nacional, vocês acreditam que o público consumidor desse segmento Black Metal passou a ser mais fiel as bandas nacionais?

Diabolical Tyrants: Na grande maioria, sim. Sobrevivemos de nós mesmos, de adquirirmos o seu material e vocês o nosso. Com essa mentalidade, esse mercado interno se tornou a sobrevivência de várias bandas, e o nascimento de grandes alianças.

[RESENHA DO EP]

 

por Hugo Veikon

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