A DARKTOWER é uma banda de Death/Black Metal formada em meados de 2006, na capital carioca, Rio de Janeiro.

As principais características do grupo são o peso, velocidade e melodias frias, todas elas unidas em prol do que existe de mais caótico no Metal Extremo. No decorrer do ano de 2011 a banda trabalhou na gravação de seu primeiro disco, “…Of Chaos and Ascencion”, lançado em 2013 e com uma ótima repercussão no cenário nacional. Conversamos com o vocalista Flávio Gonçalves e o baterista Rodolfo Ferreira sobre vários momentos da DARKTOWER .

(Entrevista por Hugo Veikon)
 

Arena Metal - Sem demagogia, o “... Of Chaos and Ascension”, em meu ponto de vista pode ser considerado um dos melhores álbuns do ano, 2013, essa é minha visão sobre as composições. O material vem com músicas de EPs e single, e músicas novas. Vocês passaram dois anos para concretizar o lançamento, qual foi o motivo desse demora em sair um material oficial?
Flávio Gonçalves:
Primeiramente, vida longa ao Arena Metal e saudações a todos os leitores desta entrevista. Sentimo-nos muito lisonjeados com os seus elogios. É uma grande honra para a nossa banda sabermos que há pessoas, feito você, que admiram a nossa arte.
Rodolfo Ferreira:
Sobre o lançamento, tivemos muitos problemas, sejam tanto de natureza pessoal quanto profissional, fazendo com que adiássemos nosso álbum de estreia. Problemas esses que esperamos nunca acontecer mais, pois eles atravancaram a divulgação do nosso trabalho, na dada época.

Arena Metal – Os irmãos Pirozzi (Romulo e Murilo) fizeram parte dessas composições, mas qual foi o motivo da saída deles?
Flávio:
Eles figuraram em parte desse processo de composição, não como um todo. Sobre a separação, os objetivos de vida deles não comportaram mais o fato de se dedicarem ao DarkTower. Logo, chegamos a um consenso, e a separação ocorreu de forma amigável.

Arena Metal – Tem músicas ali que são realmente inesquecíveis, mas gostaria de saber de onde veio a ideia para falar sobre Tupã? E o que essa entidade representa para vocês?
Rodolfo:
Primordialmente, somos brasileiros. Somos de um povo de muita diversidade étnica e folclore riquíssimo, porém marginalizado e, por alguns, ignorado.
Flávio:
 Na música em questão (Vengeful Warrior), falamos sobre um guerreiro que, baseando-se em seus conceitos e princípios, enfrenta uma guerra contra tudo aquilo que se opõe às suas convicções e nem a morte o faz se render.

Tupã, neste conceito, representa a força interior combativa, a resistência, vontade absoluta de lutar contra os dogmas impostos pela colonização, contra a força opressora do maldito cristianismo. Que fora usada como vetor de dizimação daqueles que já se encontravam no território (os indígenas). Tupã  simboliza o  trovão guerreiro, é um estandarte de não-rendição a essa asquerosa contracultura, que apodrece tudo que toca.

Arena Metal – Existem várias Anne pelo mundo com valores históricos surpreendentes, de qual Anne vocês se ferem na música “Murder of Anne”, a do holocausto?
Flávio:
Neste contexto, cabe ao ouvinte da nossa música fazer as correlações e interpretações que julga interessantes para si. Temos grande estima por indivíduos que pensam por si mesmos e tiram as suas próprias conclusões. Mas não. Anne, para nós, é um nome simbológico forte para ilustrar a principal entidade da nossa Música.

Arena Metal – No material, depois de uma intro, começa com uma faixa que de cara você já ouve o suspense que o teclado nos apresenta. Por que explorar o teclado em estúdio? E como isso funciona ao vivo?
Flávio:
Gostamos muito do uso deste instrumento para a criação de climas tétricos dentro da nossa música. Em algumas partes, ele se torna extremamente útil para transmitir a devida atmosfera ao ouvinte.
Rodolfo:
Sobre utilizar ao vivo, apesar de gostarmos muito do resultado no CD, somos uma banda com 5 integrantes, e não dispomos de um sexto membro (tecladista), pois achamos que a formação desta forma é consistente o bastante para reproduzir as músicas ao vivo. Seguimos a filosofia de que, quanto mais membros tem uma banda, mais problemas logísticos ela tende a enfrentar. Então, por decisão interna, nós mantivemos, por ora, as passagens orquestradas apenas no estúdio, e não na estrada.

Arena Metal – Explorar o vocal semi limpo de Rodolfo mostra um diferencial, bem interessante, porque não chega ser totalmente limpo como as bandas Européias costuma usar. De onde veio a ideia? E o que os inspiraram para usar esse tipo de voz?
Rodolfo:
 A inspiração veio de fato de algumas bandas europeias. Eu, pessoalmente, sou um grande admirador do trabalho de bandas como Borknagar, Vintersorg, Dimmu Borgir, então, com certeza, nomes como Simen Hestnæs Andreas Hedlund  são figuras que vêm em minha mente, no momento de composição das vozes limpas.
Além desses nomes,  um dos estilos que mais ouço é o Heavy Metal tradicional, de bandas como Judas Priest, Mercyful Fate, King Diamond, Iron Maiden, Accept, Halford etc, e por isso, vocais cantados, além, dos gritados e urrados, fazem parte da minha esfera de influências.

Eu não me considero um vocalista propriamente dito, apenas tento trazer ao som do DarkTower texturas diferentes, nuances que ajudem a compor uma personalidade musical,  mas tento fazer de uma maneira própria. E, por isso, emprego uma certa sujeira ao timbre, uma leve distorção para conferir agressividade a essas linhas, e dessa forma, sair do ponto comum, em relação a outros que se utilizam deste artifício.

Arena Metal – Em falar em Europa, vocês participaram da seletiva do Wacken, acho que foi em 2009, e tiveram uma posição muito boa (NR: segundo colocado). Vocês acham que aquele tipo de seletiva, que nem acontece mais, tinha um julgamento justo? E até onde aquela seletiva ajudou a DARK TOWER
Flávio:
Na época, encaramos estes shows como uma grande oportunidade de, quem sabe, eliminarmos algumas etapas e chegarmos diretamente ao maior festival de Metal da Europa. Preferimos não entrar no critério da coisa ser feita de modo justo ou não, até porque se eles eram jurados, deveriam primordialmente analisar as apresentações de forma imparcial, esse era o mínimo a ser exigido deles. Tais critérios vão da mente de cada um e sabemos que cada indivíduo tem a sua própria versão daquilo que é verdade ou não.
Sobre a seletiva ter nos ajudado, acredito que muita gente passou a conhecer a nossa trajetória quando fomos anunciados como uma das bandas escolhidas. Concluímos então, que dadas às devidas proporções, a experiência foi válida.

Arena Metal – Já que estamos no velho continente, a banda já está preparada para encarar um tour fora do Brasil, ou isso ainda é um meta que está longe?

Rodolfo: Estamos com negociações sobre uma turnê para a Europa em andamento. Os detalhes completos sobre esta empreitada serão divulgados em breve. Primeiramente, queremos adquirir experiência com a atual formação, como banda, mas com certeza, tocar em terras europeias é uma das metas primordiais do DarkTower.

Arena Metal – Muitas bandas do underground nacional vêm investindo mais no old school, mas vocês investem em algo bem atual. A banda tem alguma linha pra fazer o som ou é puramente 'feeling'?
Flávio:
O motivo de fazermos dessa forma se deve apenas ao que nós somos. Nossas composições são o casamento ideal das nossas influências líricas, filosóficas e predileções pessoais. É a nossa mais pura essência.
Rodolfo:
Somos uma banda formada por pessoas que gostam de Metal. Fazemos nossa música com extrema honestidade.

Arena metal – Por fim, vou citar algumas das influências que senti na musicalidade da Dark Tower: Dissection – Emperor – Keep of Kalessin – Sentenced. Mas Gostaria de saber de vocês que fonte vocês bebem, tanto nacional quanto internacional?

Flávio:  Pessoalmente, por assim dizer, Dissection e Keep of Kalessin são duas das minhas principais influências. A primeira, pela admiração ao vocal fortíssimo e metrificações/linhas vocais do Jon, que eram magníficos. E o Keep of Kalessin, por eu tentar buscar um pouco mais de versatilidade vocal, que é uma particularidade notória nas músicas deles. Também tenho como influência o Lord Belial, Naglfar, Alghazanth, assim como várias bandas de Black/Death Metal da escola escandinava, as quais tenho muito apreço.

Rodolfo: Acho que você foi diretamente ao ponto! Eu sou profundamente  influenciado por todas as bandas que você citou! Cada uma em sua devida proporção, mas são coisas que ouço muito, e com certeza ajudam a tecer a trama criativa do DarkTower.

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por Hugo Veikon

 

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