Quase 30 anos de estrada, muitas estórias pra contar, um CD novo na praça e uma simpatia ímpar. Guilherme Wiz, baterista do Chakal, nos concedeu uma longa entrevista que repassou quase todas as épocas da banda e ainda relatou alguns detalhes de uma verdadeira lenda do underground brasileiro!

(Entrevista por Léo Quipapá)

Arena Metal - Sendo o Chakal uma das precursoras do movimento de BH, e porque não, do Brasil, como você vê a cena atual, comparada à cena daquela época? Sempre ouço falar que o pessoal mais antigo era mais unido. Até que ponto isso é verdade? As famosas tretas (Sarcófago x Sepultura x Overdose x Holocausto) envolviam o Chakal também?
Wiz: Até certo ponto existia mesmo a união entre todos,  na verdade todos se conheciam por causa do estilo de som que curtiam, pelo visual que adotavam entre outras coisas. Hoje em dia não existe esse tipo de coisa porque as amizades são virtuais. Hoje você tem mil amigos em redes sociais, mas na verdade não conhece 20 e com isso fica bem mais difícil falar em união.
O Chakal sempre teve uma postura meio neutra nesse aspecto. A gente era amigo e ensaiava com o Sarcófago e Holocausto, mas éramos amigos do pessoal do Sepultura e do Overdose. Na minha opinião pessoal as coisas já são difíceis o suficiente para ficar gastando energia com briguinhas infantis.

Arena Metal - Quais suas lembranças das primeiras gravações do Chakal (no Warfare Noise e o debut Abominable Anno Domini) e como era lidar com público e crítica naquela época? Dá saudade daquela época?
Wiz: Cara, a coisa que mais me lembro de  quando fomos gravar pra valer mesmo em um estúdio foi de na 1ª batida que dei, espatifei o microfone  em mil pedaços.

Depois fiquei achando que ia ter que trabalhar o resto da vida pra pagar aquela merda. Cara tudo era bom naquela época porque afinal tudo era novidade. Não sou saudosista e acho até chato essa coisa nostálgica, acho que todas as épocas são um amontoado de coisas boas e de muita merda. Cabe à gente saber aproveitar.

 

Arena Metal - Mesmo com toda qualidade do debut e do single "Living with the Pigs", Korg resolveu sair e integrar o The Mist. Foi muito difícil essa época, visto que o cara é seu irmão, além de ter grande presença de palco e lírica?
Wiz:  Cara eu já tive um baque muito grande quando o Pepeu saiu da banda e acho que isso acabou me preparando pra esperar sempre alguma merda. Como diria o próprio Korg  na letra de “May not...”: Muita merda no caminho, mas é hora de seguir. Mas depois disso a gente fez shows insanos com o Laranja no baixo e vocal.

Arena Metal - Eu considero que a época de ouro tanto de vocês quanto de várias bandas brasileiras foi entre 91 e 93. Mas o que faltou para vocês decolarem, visto que o "The Man is your own Jackal" recebeu enxurradas de críticas positivas mundo afora e até rolou uma possibilidade de contrato internacional?
Wiz: Realmente o “The Man...” foi uma grata surpresa. Acredito que problemas internos e a falta de preparo para manter um lance profissional acabou fazendo com que o lance não decolasse.

Arena Metal - Apesar do "Death is a Lonely Business" ser um de seus albuns mais bem produzidos, a química entre vocês já estava desgastada e esse disco foi meio injustiçado?

Wiz: Tudo foi meio problemático naquele álbum, mas as músicas são muito boas até hoje (isso para o meu gosto) e elas eram incríveis quando tocadas ao vivo. O problema que eu acho é que foi um momento de transição da tecnologia então ele acaba parecendo um álbum meio sem vida, mas isso é mais por causa da gravação mesmo. O Chakal sempre foi muito orgânico e a gente sempre tentou soar em estúdio como soamos ao vivo, mas isso as vezes é uma armadilha. Tentamos fazer diferente no “Death is...” e algumas pessoas acham que funcionou já outras acham que perdemos em crueza.

Arena Metal - Atualmente apareceram muitas entrevistas, filmes, documentários, etc, principalmente a respeito da época anterior a 1995 da cena mineira. Vocês nunca pensaram em lançar algo próprio como um DVD com documentário, shows da época, gravações perdidas? Ou você acha isso um tipo de caça níquel apenas?
Wiz: Não acho caça níquel porque se lançar estas coisas desse dinheiro eu já estaria rico. Só acho que a gente por ter poucos recursos na época não tem materiais interessantes que coubessem em um DVD. Mas eu pessoalmente participo em todos os documentários que sou convidado. Se algum dia fizerem um doc sobre o Mauriztadt 87 pode ter certeza que estarei pronto para dar meu depoimento sobre como foram aqueles dias.

Arena Metal - Como fã eu posso dizer que o cd mais diferente de vocês, sem sombra de dúvidas, foi o Deadland. Ouvindo hoje o Destroy! Destroy! Destroy!, vejo que muito da parte lírica do novo cd cola com o que foi feito no Deadland. Até que ponto arriscar tanto em uma volta após 10 anos parados foi benéfico pra vocês?
Wiz: A gente não tinha a menor ideia de voltar com o Chakal. O Deadland foi um projeto que não conseguimos dar um nome e que por falta absoluta de opções resolvemos colocar como Chakal. O Andrevil e o Korg me perguntaram o que eu acharia de colocar o nome do projeto de Chakal e eu a principio relutei um pouco, mas como todo mundo que ia ao ensaio falava que parecia Chakal, apesar de ser diferente de tudo que o Chakal já tinha feito, eu acabei achando que era uma boa.

Arena Metal - O Demonking botou tudo no "lugar" novamente. Foi o Mark que trouxe a áurea antiga ou vocês resolveram deixar os experimentalismos de lado?

Wiz: Como disse antes o Deadland não era um projeto para ser um álbum do Chakal. Isso foi apenas um acidente que no final se mostrou um super acidente pois isso acabou fazendo com que convidássemos o Mark para participar no Deadland e consequentemente para voltar ao  Chakal. O álbum está sendo muito procurado hoje em dia , talvez tenha sido mal interpretado na época mas acho o Demonking um álbum animal.

Arena Metal - Uma das coisas que notei no Destroy! Destroy! Destroy! foi uma raça que, sinceramente, vi muito mais latente no Abominable. O fato do cd ter sido feito sem pressa (visto que eu acompanhava pelo Facebook a mais de um ano que ele estava sendo preparado) ajudou neste ponto?
Wiz: Acho muito difícil aliar a crueza de um show ao vivo com o lance de estúdio. Vejo muitas bandas que soam muito técnicas e profissionais em estúdio, mas são fracas ao vivo. Acho que quando a gente grava sempre procura aliar essas duas coisas e se algum dia alguém me perguntar posso até mostrar coisas que poderiam ser consertadas em todos os nossos trabalhos e que no final de contas deixamos passar alguns “erros” em prol de parecer mais real. Mas com certeza que ter mais tempo para gravar e usar o estúdio engenho do Andrevil nos dá um tempo muito maior de estúdio tanto de ensaio como de gravação para poder fazer as coisas saírem bem mais naturais.

Arena Metal - O fato de vocês lançarem o CD de maneira independente, sem gravadora, ajudou a vocês darem um tapa na cara de aproveitadores e contarem com os fãs para segurar a barra?
Wiz: Na verdade somos gratos a todos que sempre nos apoiaram, mas acredito que sempre contamos com nós mesmos para segurar a barra. Não temos uma tão extensa legião de fãs como muitas bandas inclusive do Brasil tem. Nós somos como uma banda cult só que não estamos deitados em berço esplêndido e sim chutando muitas bundas ainda rsrs.

Arena Metal - Este CD novo tem o clássico (Korg e seu vocal assustador, Mark solando com classe, Cabelo segurando bem as bases) mas também tem inovações (variações ritmicas do Wiz muito precisas e inovadoras e um baixo muito claro e marcante do Cassio). Como foi manter a áurea antiga aliada a novos elementos?

Wiz: o Chakal sempre teve este tipo de variações, muitas vezes fomos até questionados sobre isso, acho que  a distancia entre os lançamentos dos nossos trabalhos nos propicia muito tempo para resolver o que queremos fazer. Acredito que cada álbum do Chakal seja único e ao mesmo tempo seja sempre o Chakal na sua essência.

Arena Metal - Como está a agenda de shows de vocês? A última vez que vocês estiveram aqui em Recife foi há bastante tempo. Será que poderemos receber o show de lançamento do Destroy! Destroy! Destroy! aqui e mantermos uma constancia de shows do Chakal por essas terras?
Wiz: Realmente, faz tempo. Estivemos aí no lançamento do “The Man Is his own Jackal” em 91 se não estiver enganado. Posso garantir que estaremos aí o mais breve possível, o Destroy ! está tendo uma aceitação inacreditável e estamos recebendo convites para tocar em vários lugares inclusive em Pernambuco.

Arena Metal - Para finalizar, eu gosto muito de saber o que meus ídolos curtiam/curtem. Você poderia listar 5 cds nacionais e 5 internacionais que te marcaram e que você indicaria para um novato ouvir e se estruturar para ter uma boa formação musical?
Wiz: Boa formação musical vai muito do gosto pessoal,  impossível uma lista q tenha menos de 50 nomes, mas vai lá.
Lista difícil demais se me perguntarem amanha eu mudo tudo.

Deep Purple -  Made in Japan: Para muitos é o melhor ao vivo de todos os tempos, para mim é simplesmente arrasador do começo ao fim.
Ozzy Osbourne – Diary of a Madman: Randy Rhoads, meu guitarrista favorito de todos os tempos! Não preciso dizer mais nada.
Rainbow - On Stage: Outro ao vivo. Só de ter Dio e Cozy Powell já devia ganhar um Grammy.
Judas Priest  - Screaming for Vengeance: Nem é o que mais gosto do Judas , mas me marcou muito, principalmente por assistir direto o vídeo da Screming for Vengeance Tour.
Possessed – Seven Churches: mais pela influencia que causou em toda a cena oitentista em BH, apesar de que o Chakal sempre teve mais influencias de Destruction, Slayer entre outros.

Brasil:

Chakal – Abominable Anno Domini: quando saiu este álbum até eu fiquei meio surpreso com o resultado.
Dorsal Atlântica
– Antes do Fim: Sabia todas as letras do começo ao fim e entendia tudo que o Carlos cantava. Discaço.
Sepultura
- Schizophrenia: Aqui é o grande salto do Sepultura. Na época foi um arrasa quarteirão.
Sarcófago
– INRI: A gente ensaiava junto. Vi cada música dessa ser feita e tocada de várias maneiras até se tornar a coisa mais monstruosa que já tinha sido feita. Lembro-me do dia que eles estavam se preparando para ir tirar as fotos.
Psychic Possessor
– Toxin diffusion: Muito doido esse álbum. Acho que ouvi um milhão de vezes essa merda.

Obs: Essa não é a lista dos que acho melhores, mas é a lista dos que eu acho que me mudaram de uma maneira ou de outra.

Obs:2 : não está em ordem de importância.

(Entrevista por Léo Quipapá)


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REGULAMENTO:
O sorteio só é válido para quem tem perfil no Facebook. Você precisa curtir a fanpage do Arena Metal PE [
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As duas melhores frases serão as ganhadoras e  divulgadas em nossos canais.

(sorteio válido até dia 27/fev/2014, com resultado dia 28/fev/2014. Os ganhadores serão contatados em seu perfil)


 

 

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