A banda de Black Metal As Vampiric Shades and Belial Winds formou-se em 1996, no Brasil, tendo como seu material fonográfico mais divulgado o “Faustian Sons of Hate” (1998). Atualmente a banda desenvolve seu trabalho na Áustria e já está divulgando seu material “Air Burial” que será lançado em breve. Tivemos uma conversa com Volkdlack (Guitarrista e Vocalista).

Arena Metal - Em que a banda As Vampiric Shades and Belial Winds vem trabalhando, pois de acordo com meu conhecimento, a banda só tem um demo, mas chegou a um ótimo reconhecimento na cena Black Metal brasileira.
Volkdlack- Estamos trabalhando no full-lenght que deve ser gravado ainda este ano. Fora isso, tivemos duas demos ‘lives’ que não foram lançadas oficialmente, só distribuídas entre amigos. Em 2009 um single gravado na Alemanha "At the gates to the damnation", 2010 um EP chamado "Air Burial" que ainda não foi lançado.

Arena Metal - A banda iniciou suas atividades no Brasil e mais tarde mudou-se para Áustria, qual o motivo dessa migração e como foi prospectar integrantes, ai nesse país?
Volkdlack - O motivo da minha vida para a Europa foi devido aos meus estudos. O plano era terminar o doutorado e voltar ao Brasil e continuar a banda com Canis e Goryshnack, por isso a banda ficou parada por esse tempo. Mas acabei ficando e resolvi continuar a banda aqui, inicialmente como ‘one-man-band project’. No decorrer das gravações e divulgação, fui encontrando guerreiros que se identificaram com a música e com as proposta, foi um processo natural que o projeto virou banda.

Arena Metal - Pelo que me lembro, você também integrou, aqui no Brasil, as bandas Nauseous Surgery (DF) - Into The Black Abyss (demo) - e a banda Lord Paymon (MG) e hoje morando ai na Europa, que pontos fortes e fracos você pode nos apontar da cena brasileira se comparada a cena por este continente como um todo?

Volkdlack - É verdade, tive a honra de participar do Nauseous Surgery e do Lord Paymon. Comparando a cena brasileira com a cena europeia eu diria que os Hellbangers do Brasil são muito mais maníacos, tem uma energia brutal que não se vê por aqui. Por isso o pessoal daqui fica louco quando tocam no Brasil. Os pontos fracos, comparando com a Europa, é o excesso de rotulação, falta de organização e recursos. Como toda a cena brasileira é muito dedicada e eu me orgulho dela.

Arena Metal - É bom ver que você dá valores ao seu país. Você disse que nós brasileiros temos mais energia e por isso as bandas daí têm uma grande vontade de tocar aqui no Brasil. Porém ai o “Mercado” fonográfico Metal parece ser melhor, por isso acredito que muitas bandas daqui querem fazer Tour pela Europa. Eles ai consome Metal brasileiro?
Volkdlack - Acredito que a revolução digital quebrou esses valores, o mercado fonográfico esta na base virtual por isso é acessível de qualquer lugar. No entanto, essa revolução tem vários pontos negativos: download ilegal, perda de identidade e uma quantidade enorme de banda lixo disponível, o que torna difícil para as bandas de se destacarem. Por isso tocar ao vivo é tão importante, é nos shows que as bandas provam o que elas são capazes. Em relação a pergunta em si: Muito pouco, poucas bandas conseguiram fazer o nome na Europa, normalmente as que tocaram aqui. Mesmo assim, tem muitas pessoas que buscas especificamente bandas undergrounds das Américas e Ásia.

Arena Metal - Bem, como essa nossa entrevista rendeu alguns dias para ser concluída eu pude conferir as novas composições da AVSBW, as músicas: Air Burial -  At the gate to damnation – bem como o cover da Black Vomit (Sarcófago). E é inegável uma evolução musical e criativa da banda se comparada a “Faustian Sons of Hate”, a linha da banda ainda é mesma? Falo pela essência musical e lírica.
Volkdlack - Obrigado! O conceito da banda continua os mesmo de 1996. As influências musicais são as mesmas e a ideologia não mudou. Diria que houve uma evolução natural, não poderia ser a mesma coisa depois de 14 anos, a formação é outra, estou em outro país, e por ai vai.

Arena Metal - Essencialmente a AVSBW trata sobre o vampirismo, isto está explicito no nome da banda, isso para mim é Black Metal, pois a essência do Black Metal está em melodias caótica e filosofia Satânica, Ocultismo, O ser como centro (responsável) pelo resultado natural... Enfim! Porém existem bandas que abordam algo nacionalista você ver isso como Black Metal?

Volkdlack - Não falamos essencialmente sobre vampirismo. A ideia do nome veio de uma pergunta que fizemos à nós mesmos: Quem nós somos: ... como sombras de Vampiros e ventos de Belial. Tem um jogo de significados, como vampiros só se movem à noite e não refletem em espelhos sua sombra não projeta nessa dimensão. Como os ventos de Belial é a forma que destruímos a luz e a falsa esperança cristã.

O Black Metal pode ser definido de formas variadas dependendo do ponto de vista, eu concordo com a sua concepção. Quando eu penso na primeira definição de Black Metal eu sempre volto para Venon e Bathory, em particular eu não gosto de misturar politica com Metal, isso é coisa de Punk.

Arena Metal - Eu particularmente ouço aquele primeiro material (o tenho em tape) e me identifiquei com o mesmo por ele transparecer uma ‘true’ essência Black Metal. Aqui no Brasil existem muitas bandas que preferem viver no total underground a se vender a tendências. Qual a sua linha de pensamento crítico a essas bandas e também para com as bandas que se vendem a magazines, gravadoras e até mesmo a shows que envolvem bandas White e paralelos?

Volkdlack - É uma filosofia de existência. O melhor exemplo para mim é o Embalmed Souls, uma banda grandiosa que flui nas entranhas do Underground por mais de 20 anos, sem o mínimo de interesse em se vender ou tornar-se conhecida. Essas outras bandas que você mencionou, na verdade elas não se vendem, elas compram posição em magazines, gravadores e etc por pura INCOMPETENCIA. Quem se envolve com White é White!

Arena Metal – Existem bandas que pregam um tipo de doutrina obscura e chegam a criticar outras, você acredita que algumas bandas de Black Metal tentam aparecer mais e esquecem qual a verdadeira finalidade da filosofia Black Metal?
Volkdlack - Sim, mas eu não me interesso. Se uma banda esquece a doutrina, ela esta automaticamente fora. A onda Black-Metal já passou.

Arena Metal – Eu admiro mesmo, bandas que lutam por seus ideais, e qual o conceito abordado no material vindouro? Vai ser lançado de forma independente?
Volkdlack - Air Burial trata de um ritual de sepultamento do Tibé. Eu desenvolvi uma ficção baseado nesse ritual e nos contos de Neil Gaiman. Misanthropic recorde esta planejando lançar esse em vinil no Brasil. O próximo trabalho vai ser baseado nos contos de Robert E. Howard.

Arena Metal - Eu particularmente acho as histórias de Robert E. Howard muito utópico, como você pretende abordar essa lírica? Vai ser algo mais utópico também, ou vai se direcionar mais a raça humana?
Volkdlack - É verdade, é utópico e ao mesmo tempo baseado em sentimentos humanos, nos seus monstros internos. Eu me deixo inspirar, e escrevo as minhas próprias estórias utópicas, como foi o caso de Air Burial.

Arena Metal - Essa ficção vai ser lançada como livro, ou você pretende tornar essas escritas em música?
Volkdlack - Vai fazer parte do conceito do novo álbum em forma de letras. Eu não sei se teria o talento para escrever um livro mesmo, quem sabe um dia.

Arena Metal – Há alguma esperança da AVSBW voltar ao Brasil, pelo menos para alguma apresentação? E divulgar o material At the gates to the damnation, ou material vindouro?
Volkdlack - É o nosso objetivo tocar no Brasil. Eu sinceramente espero fazer uma pequena tour com pelo menos umas 5 datas no Brasil em um futuro próximo, e de preferencia levando nossa banda irmã: Irdorath

Arena Metal - Para finalizar, deixo o espaço para você comentar algo que eu não perguntei e que você gostaria de divulgar acerca da banda ou de algo que eu nao perguntei.
Volkdlack - Valeu Hugo warbrother! É o trabalho sincero de guerreiros como você que mantem o Underground forte. Hail a todos os maníacos Brasileiros! Keep the destruction!

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                                                                                             (Por Hugo Veikon)

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