A Antropofagia foi formada em março de 2004, em Paulista / PE, por João Grind e Fernando Kenedy, com o objetivo de quebrar conceitos da sociedade, instigar a revolta social e acabar com a monotonia da cidade. Após vários reconhecimentos de Metalheads e de bandas a banda conseguiu lançar seu primeiro material fonográfico neste ano de 2011. Aqui o site Arena Metal tira algumas dúvidas sobre letras e fala um pouco sobre a trajetória da banda e o lançamento do “Contos Estúpidos de uma Nação Decadente”.

Arena Metal - Caros amigos da ANTROPOFAGIA, A banda foi fornada em 2004, teve mudança até se estabilizar com o line-up que se encontra hoje, qual foi a dificuldade de poder recrutar todos os integrantes atuais?
Antropofagia: A princípio, a coisa fluiu sem forçar nem planejar nada. Já conhecíamos Leo e Augusto, na época eles tocavam no Verdrinken. As duas bandas já eram amigas, ensaiávamos no mesmo estúdio, muitas vezes em dobradinha... Logo que a vaga de baterista da Antropofagia foi aberta, Augusto foi o primeiro nome em que pensamos. Com a entrada dele a banda mudou muito. Passamos a compor com mais facilidade e agressividade. Daí com alguns meses, nosso antigo vocalista, Val, passou por problemas pessoais e precisou desligar-se da banda. A entrada de Leo foi um lance engraçado. Ele tinha o perfil que queríamos para a Antropofagia e ele também estava a fim de entrar na banda quando soube da vaga, e numa conversa resolvemos tudo. E foi isso, a coisa deu liga, o entrosamento foi perfeito e cada vez mais temos a certeza de que todas as escolhas foram corretas!

Arena Metal – E qual a dificuldade que a banda encontra para manter uma banda de Grindcore em Pernambuco?
Antropofagia: Cara, acho que como a maioria das bandas, nossa principal dificuldade é a financeira mesmo. Ralamos trabalhando todo dia para manter a banda na ativa. Gastamos com ensaios semanais, gravação e materiais de divulgação da banda. Tudo é bem difícil para nós, talvez seja por isso que temos tanto tesão e vontade de tocar e de conquistar nossos objetivos como banda.

Arena Metal – A banda é identificada como Death / Grindcore, mas qual o estilo que a banda mais trabalha em seu instrumental? E quanto às partes líricas?

Antropofagia: Não nos prendemos a rótulos. Ficamos livres para compor a nossa vontade, tudo depende do momento. O objetivo é fazer melodias cruas, altamente violentas que é o que a banda na verdade quer passar. As letras também não fogem à regra. Tudo depende do nosso estado de espírito e inspiração, nada nos prende. Situações do dia-a-dia, desabafos pessoais, indignação sobre o sistema brasileiro, bizarrices em geral... A Antropofagia não se restringe a nada, se transmitir o que realmente queremos para aquela musica ta valendo.

Arena Metal –  Onde a banda tira suas inspirações para compor músicas como CU – Benzinho – Coprofobia...? Aproveite e explique que tipo de Coprofobia é esse que a música expressa, da merda em si, ou alguém da banda tem prisão de ventre?
Antropofagia: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Bixo, como falei antes, vêm da inspiração que temos na hora. Qualquer coisa serve... a letra de Benzinho fizemos eu e Fernando em 20 minutos no máximo. Estávamos fazendo um curso em Olinda e enquanto a instrutora explicava a gente fazia a letra. Nessa música nossa intenção era mesmo levar para o lado escroto da coisa. Todas as palavras usadas foram propositais. Quanto a Coprofobia, a letra foi de Leo mesmo! Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Compomos ela no estúdio sem nenhuma idéia pré-fixada, criamos na hora. Para a letra queríamos uma coisa impactante, algo que chocasse. E Leo com toda sua criatividade, e não por prisão de ventre, a criou lindamente! rsrsrsrs... “Se quer escutar algo que te faça refletir sobre o rumo da humanidade, escute outra coisa!"

Arena Metal – A banda apesar de existir desde 2004 veio só neste ano, de 2011, lançar seu debut cd, qual o motivo da demora? E quanto o resultado da produção geral, a banda ficou totalmente satisfeita?
Antropofagia: É o seguinte... Antes da entrada de Leo e Augusto já tínhamos gravado uma demo nunca divulgada. Foi uma coisa meio feito as pressas, com pouca experiência e por isso o resultado final não foi o esperado. Com a entrada de Augusto, reformulamos várias delas, outras decidimos abominar do repertório... Já com a formação atual, vínhamos sempre planejando gravar nosso material, mas por várias vezes, passamos por turbulências as vezes financeiras as vezes pessoais que terminava adiando esse fato. Muita gente nos cobrava esse CD e isso nos motivou mesmo com toda dificuldade a lançá-lo! Quanto à produção, foi demorado, muito demorado. Mas ao final ficamos satisfeitos com o resultado e esperamos atender as expectativas dos antropófagos!

Arena Metal –  Me responda se a banda já tem convite para participar de algum selo, distro ou até mesmo coletânea?
Antropofagia: Não, não. Ainda não tivemos convites para nenhum desses.

Arena Metal – Apesar do lançamento do “Contos Estúpidos de uma Nação Decadente” a banda tem mais músicas em seu set? e o que costumam tocar como cover para cumprir o set?

Antropofagia: Temos sim, e várias! No CD “Contos Estúpidos de uma Nação Decadente” tem 12 musicas e uma introdução... Temos prontas, em média, outras 20 músicas que estamos definindo para o segundo CD. Fora as músicas próprias, temos alguns covers na agulha (Ratos de Porão, Sepultura, Brutal Truth, Extreme Noise Terror...)

Arena Metal – Esses covers são realmente bandas que inspiram a Antropofagia ou são apenas músicas parar manter a chama dos metalheads acesa?
Antropofagia: Não, os covers que tiramos são realmente de bandas que nós nos inspiramos, inclusive estamos preparando novidades para os próximos shows!!! Geralmente a escolha dos covers é feita por um consenso entre todos. A democracia prevalece nesse quesito.

'

Arena Metal – Em falar em chama, me responda. Que demônio é aquele, que baixa em Léo Montana (vocalista), quando ele sobe no palco? Parece um pandemônio, de fato.
Antropofagia: São espasmos descontrolados, de alucinação!!! A música, a adrenalina, a energia sexista que ela invoca é a verdadeira essência do que sou, como não toco nenhum instrumento, tenho que passar o que a música que dizer e faço isso com meu corpo, saca? Jamais conseguiria subir num palco e ficar parado como uma porra de uma estátua!

Arena Metal – Bem, não somos de maquiar nada, quem quiser pode até conferir nosso site, gostaria de saber qual a opinião da banda sobre a cena atual do estado.
Antropofagia: Cara, acho legal. Longe do ideal ainda, mas legal! Temos aqui em Recife e região metropolitana, excelentes bandas de todos os gêneros. Em relação à quantidade e qualidade das bandas, nossa cena é riquíssima. O ponto negativo é a desunião que muitas vezes rola por aqui. Banda “A” que não se mistura com banda “B”, banda “C” que só toca se banda “D” tocar também... A supervalorização de umas bandas e desvalorização de outras, por motivos banais, também atrapalha um pouco o andamento da coisa.

Arena Metal – Por fim, agradeço pela entrevista e por tudo que a banda tem feito por este site. Deixo só uma última pergunta: qual o envolvimento e entendimento da Antropofagia com o público e com as bandas na cena underground no geral (Pernambucana – Nordestina – Brasileiras e Mundial)?
Antropofagia: Obrigado também pela oportunidade da entrevista e pelo trabalho de vocês. Todo e qualquer trabalho voltado para divulgar e apoiar nossa cena é bem vindo e vocês contribuem muito bem para isso. Bom, nunca agradaremos a todos, mas temos uma boa aceitação tanto do público quanto das bandas de forma geral, inclusive, fizemos bons amigos com a turma de algumas bandas e com uma galera que curti o som da Antropofagia. Estamos sempre abertos a oportunidades e trabalhando firme para conquistar nossos objetivos!

Myspace

Contatos: joaotrz_angra@yahoo.com.br

(Por Hugo Veikon)

<< Voltar ao Site