Arena Metal – Ainda bem que existe a net para facilitar contato como este. Bem, agradeço o tempo disponibilizado. E como fã da banda ChaoSphere, gostaria de saber qual a possibilidade de vermos a volta da banda? Já que a net está ai realizando conexão como esta nossa.
Antonio – Opa, eu que agradeço pelo interesse. Bom, em relação ao ChaoSphere eu posso afirmar categoricamente que não tem volta. A banda já tinha acabado antes da minha entrada no Korzus. Nada me impede de fazer novos projetos no futuro, mas como já disse uma vez, o Chaosphere é uma página virada pra mim, com muita certeza. Era uma banda muito boa, para qual dediquei alguns anos de minha vida. Vamos deixar o “morto” em paz. rs

Arena Metal – Naquela época você era guitarra e vocal da ChaoSphere, foi para a Korzus e o poderio de sua voz foi para backvocal. E ai você não sente vontade ou falta de cantar ao invés de ser backvocal?
Antonio – Honestamente, cantar pra mim nunca foi muito fácil... Eu tenho rinite crônica, e sempre que tinha problemas com isso minha voz ficava prejudicada. Lembro que sempre perto de shows isso acontecia, e era um tormento. Contudo, depois de todo esse tempo sem cantar, confesso que sinto falta sim... E como um bom brasileiro, não desisto nunca (HA HA HA), portanto eu pretendo voltar a cantar sim... Tem um projeto meu que está nascendo em prol disso... Com calma eu chego lá.
 

Arena Metal – É fácil identificar sua voz no “Discipline of Hate”, pois o timbre parece ser mais Power que thrash. Você não acha isso? Por mais que você tente sujá-la.

Antonio – É muito difícil rotular um timbre como sendo “power” ou “thrash”... Realmente o timbre de voz da pessoa não muda, e vira uma característica, e acho que pra quem estava acostumado a me ouvir cantando no ChaoSphere, realmente pode vir a ter essa impressão... Honestamente eu não sei... Só sei que ali eu estou gritando com uma raiva danada...

Arena Metal – E quanto vermos você em algum outro projeto fora da Korzus, fazendo outra linha de Metal, qual essa possibilidade? Ou sua cabeça está voltada totalmente a esta banda no momento?
Antonio
– O Korzus hoje consome bastante tempo, pois é uma banda com um contrato internacional de distribuição do novo CD, e que deve fazer muitos shows por aqui e por fora do Brasil nesse período. Mas ainda assim eu tenho minhas próprias idéias, que não caberiam no Korzus em hipótese alguma. Portanto vai haver sim um projeto, o mais breve o possível... Já tenho algumas músicas compostas para isso, reunindo minhas maiores influências e falando de questões importantes para mim. Vai ser basicamente o meu lado “Artista” falando mais alto... Por mais brega que isso possa soar, estou muito ligado a isso hoje em dia, procurar fazer algo que seja muito pessoal independente de quem vá gostar ou detestar...

Arena Metal – Por que alguns músicos mesmo estando em grandes bandas insistem em fazer projetos paralelos? Que vício é este?

Antonio – Acho que tem a ver com isso que eu falei antes... É impossível, como compositor, você conseguir exprimir todas as suas idéias dentro de uma banda apenas... Talvez até consiga, se for uma daquelas bandas experimentais muito loucas, ou se você for um compositor que se contenta apenas em tocar aquele estilo. Não acho que quem faz isso está certo ou errado... Mas creio que o maior valor artístico da música está na verdade que ela contém. Quanto mais genuíno o negócio for, melhor... Portanto acho que os projetos paralelos são um “mal” necessário! rsrs

Arena Metal – Migrar as inspirações e pegadas Heavy Power para um Thrash Metal “Slayeresque”, foi difícil?
Antonio – Honestamente não... Até mesmo porque, eu nunca fui o principal compositor do Chaosphere, e sempre gostei demais de Thrash, principalmente Slayer. Então tocar numa banda não só foi influenciada pelo Slayer, mas também é da mesma época, é algo muito legal e gratificante. Claro que houve um período de adaptação, mas logo que entendi qual era a “idéia” musical da banda, não foi difícil compor junto com eles. Todos são muito bons e experientes no KZS. Aprendi demais nesse tempo. Hoje em dia, componho bem mais no KZS do que o fazia no ChaoSphere.

Arena Metal – Notei que após sua entrada na Korzus seu comportamento com o público parece ter melhorado. Isso se dá pela extrema simpatia, humildade e interação de seus novos companheiros de palco com público, também?

Antonio – Não acho que meu comportamento com ninguém é diferente do que sempre foi. Sou um cara tímido, e isso já pode ter sido mal interpretado... Só que hoje em dia realmente tenho que falar com mais pessoas nos shows, e faço questão de mostrar que ser bem recebido pelos fãs do Korzus é muito importante para mim. Mas basicamente continuo sendo exatamente o mesmo cara de sempre... Feio, gordo e mal encarado... rs...

Arena Metal – Você saiu daqui de PE, mas parece ter mantido contatos com algumas pessoas, principalmente de bandas pernambucanas e organizadores daqui. Você acha que esse contato facilitará uma “ponte” da Korzus por estas terras?
Antonio – Eu sou pernambucano de coração, e essas raízes são importantíssimas... Espero que sim, se houver facilidades para o Korzus vir, ótimo... Mas queremos vir por aqui de qualquer maneira... Outro dia numa entrevista o Pompeu falou que Recife agora é a segunda casa do Korzus, e isso me deixa muito feliz... Não vejo a hora de tocar por aqui denovo.

Arena Metal – Você parece ter diversas inspirações do Heavy – Thrash e Rock’n’Roll, quais as principais influências tuas em questão de guitarra?
Antonio – Tem tanta coisa... rs... Acho que como músico é sempre bom manter uma cabeça aberta, pra pelo menos reconhecer o que há de bom em outros estilos... Eu sou um grande admirador de boa música e bons músicos em geral. Me sinto muito influenciado por tudo que ouço... Claro que uma grande influência foi meu professor de guitarra Caue, e ai vieram os básicos do metal e rock mundial... Já ouvi muito jazz e blues... Adoro Scott Henderson, principalmente na fase blues dele. Enfim... Sempre gosto de ver um guitarrista tocando pra caralho... rsrs Um dia eu chego lá!

Arena Metal – O que você indicaria para um guitarrista que queira seguir esta linha de metal mais palhetado?
Antonio – Gelol! Hahahaha... Brincadeira... Na real o único jeito é estudar bastante. Metrônomo, e muita dedicação...  A menos que isso já seja um dom pra você... Não é meu caso... Eu malho muito esse negocio de palhetada pra ficar legal.
 

Arena Metal – Qual aparelhagem você usa, desde guitarra a amps?
Antonio – Uso uma guitarra Jackson Demmelition como principal, com EMG´s ativos. No meu som, tenho duas opções... Meu amp Peavey JSX, ou minha pedaleira POD X3Live. Na maioria das vezes uso o POD... Não dá pra levar o cabeçote pra todo lugar, principalmente de avião... É muito pesado e frágil.

Arena Metal – Bem agradeço a entrevista e deixo a última questão e o espaço pra você deixar seu recado.
Antonio – Eu que agradeço novamente... Fico feliz em ver que a cena no Recife está sempre viva e se renovando. Espero tocar aqui de novo o mais rápido que puder... E que quando estivermos por aqui, o público compareça ao máximo. Abraço a todos, e continuem musicalmente insanos!

(por Hugo Veikon