(Entrevista por Hugo Veikon)

Arena Metal - Cara, primeiramente me fala como surgiu a ideia da banda AFFRONT, porque foi justamente quando um dos membros de sua outra banda teve que se afastar. Ou estou errado?

M.Mictian: O Affront era um projeto que eu tinha na minha cabeça já há algum tempo e não tive chances de colocar em prática, já que estava sempre ocupado com o Unearthly. A partir do momento que, por vários motivos, tive tempo livre eu pensei e coloquei em prática todas as ideias que eu tinha e isso se transformou no Affront.

Arena Metal - Vocês vieram de uma forma bastante organizada, clip, CD, uma divulgação fuderosa. Isso foi pra mostrar que o amadorismo passa longe do AFFRONT?

M.Mictian: Quem conhece os trabalhos que fiz no decorrer da minha carreira sabe que sempre tentei mostrar e fazer tudo o mais organizado e profissional possível, desta forma não seria diferente com o Affront. Eu só segui minha linha de pensamento, que é sempre fazer trabalhos dignos e dar o melhor possível para o público que gosta de metal.

Arena Metal - A banda surgiu justamente num momento em que o Brasil estava passando por um conflito civil e político... Vi seu envolvimento de indignação em rede social. O nome da banda já existia em mente ou foi um pouco do reflexo desse seu sentimento naquela ocasião?

M.Mictian: As ideias todas eu já tinha a algum tempo, mas realmente o nome da banda surgiu em meio aquele turbilhão de coisas que começaram a acontecer em 2013 como as manifestações e a revolta do povo. Eu sempre estive envolvido com a parte politica de nosso país e aqueles fatos de 2013 me influenciaram bastante para que eu colocasse esse nome na banda.

Arena Metal – Vocês já pararam pra pensar na volta da Unearthly e o nome da AFFRONT venha decolar? Como levar essas duas bandas à frente em composições, lançamento e tour, por exemplo?

M.Mictian: No momento estamos mesmo focados no Affront. É o que queremos fazer agora pois as coisas estão indo muito bem. Vamos levar isso em frente pois lançamos um bom álbum, que está sendo bem recebido e há toda uma energia em volta desse trabalho, então vamos seguir em frente com o Affront.

Arena Metal - Além dos temas políticos/atritos civis e críticas religiosas o Affront apresentou uma música acerca do Mestre Vitalino (NR: falo sobre a música “Mestre do Barro”). Como surgiu a ideia de falar sobre esse ícone da cultura nordestina?

M.Mictian: Eu sou bastante ligado a este tipo de Cultura, eu admiro vários artistas como Luiz Gonzaga, Zé Geraldo, Alceu Valença, Zé Ramalho...etc, e a cultura, literatura, comida nordestinas me fascinam. Eu sempre achei muito interessante e acabo consumindo um pouco disso tudo, e um belo dia quando me deparei com um documentário sobre o Mestre Vitalino fiquei encantado. Eu já tinha ouvido falar nele, mas não conhecia a fundo toda sua História, então decidi perguntar a várias pessoas se elas conheciam Mestre Vitalino. Por incrível que pareça, poucas pessoas conheciam a riqueza de sua existência foi aí que decidi escrever sobre ele pois me senti na obrigação de fazer essa homenagem.

Arena Metal – Sim, sim... seu perfil sempre foi muito profissional. Mas o que você me diria de um investimento fonográfico num mundo tão digital, como os tempos atuais?

M.Mictian: Acredito que ainda há espaço para a música em formato físico talvez porque eu seja “das antigas” (risos), e o cd está aí pra quem quiser comprar, ouvir e se divertir um pouco. Acreditamos que os headbangers ainda gostem de ter seu material em casa em formato cd ou vinil pra ouvir.

Arena Metal - De fato, o AFFRONT não é projeto pois já vi que começou a agenda da banda. Há alguma possibilidade de rolar uma tour pelo Nordeste, pois sei de sua admiração por nossa região (vide mais uma vez música dedica a nossa cultura)? E o velho continente?

M.Mictian: Estamos abertos a qualquer negociação de show, gostamos de estar no palco, e, com certeza, se aparecer uma oportunidade de irmos ao Nordeste. Pra uma turnê, com certeza iremos, não vejo empecilho nenhum nisso. Sempre fomos bem recebidos nestas terras, nos sentimos em casa e seria uma honra para o AFFRONT.

Arena Metal - Você, Mictian, tem muito envolvimento com o backstage da banda, inclusive me lembro até de sua dedicação com a arte das últimas capas do Unearthly e por que não fazer isso com na AFFRONT?

M.Mictian: Até cheguei a fazer algo pra capa do AFFRONT mas o Marcelo Vasco me escreveu e queria fazer a capa, e com certeza seria uma honra além de ser um amigo de longa data é um dos maiores artista do mundo, deixei ele a vontade e resultou na capa do Angry Voices. Eu fiquei muito satisfeito com o resultado.

Arena Metal – O “Angry Voices” já superou as expectativas do que vocês planejaram ou tem algo mais foda vindo por aí?

M.Mictian: Estamos sempre trabalhando constantemente nos bastidores e queremos sempre mais. O AFFRONT está com um trabalho muito novo, tem alguns meses que o cd foi lançado; Nós queremos fazer muitos shows, já estamos planejando um vídeo clipe novo e estamos em contato com produtores na Europa para uma possível turnê por lá. Como eu disse: é um trabalho constante que não pode parar.

Arena Metal – Por que inserir músicas instrumentais no cd, visto que a mensagem lírica soa tão forte frente à AFFRONT?

M.Mictian: Eu acho que algumas canções são tão fortes que simplesmente não precisam ter inserido um tema lírico e foi assim que visualizei a “Terra Sem Males” e a “Echoes Of The Insanity”. De certa forma serve para mesclar com as outras canções do disco pois chega aquele momento do álbum que você relaxa pra ouvir algo acústico mais lento arrastado...

Arena Metal – Dentro de tantos nomes importantes no estado do Rio de Janeiro, casa da AFFRONT, por que escolher Marcelo Pompeu que é de São Paulo? (NR: Não desmerecendo o valor de Pompeu, é só uma curiosidade)

M.Mictian: Na verdade a principio este disco seria um trabalho bem “egoísta”. Eu e R.Rassan decidimos no começo que seria bem nosso, bem fechado, onde colocaríamos toda nossa experiência musical. Mas de repente o Pompeu se tornou um amigo e passamos a conversar muito. Eu mostrei a "Under Siege" mesmo antes de lançarmos o vídeo e ele gostou muito da música. Nesse meio tempo ele me disse que se tivesse que gravar alguma música ele gravaria essa canção; Então eu falei você não que gravar? (risos) Ele na mesma hora disse que sim, foi algo bem natural. O Pompeu é um grande cara uma pessoa incrível.

 

por Hugo Veikon

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