O ABSOLEM me chamou a atenção de cara e passei a apoiar e ouvir, pois mostrava ser uma banda diferente do que é apresentado hoje em dia, não desmerecendo as outras, mas fico muito feliz em saber que novas bandas estão aparecendo com uma proposta bem profissional e diferente dos padrões atuais. Eles se diferem pela sonoridade, técnica e pegada agressiva sem perder o foco na composição e andamento.

Mesmo sendo formada por músicos experientes e competentes do Rio de Janeiro-RJ, a banda é nova no cenário e, em breve, terá destaque na cena e agradará os ouvintes mais exigentes. Conhecida por fazer uma mistura homogênea de vários estilos do rock e metal, acaba sendo considerada mais uma nobre representante do “Technical Death / Thrash Metal” em nosso solo.

(Entrevista por BLP)

BLP - A banda vem da base de outras bandas profissionais da cena do Rio de Janeiro. Sabe-se que a mais importante foi o Necromancer, que teve uma longa história na cena nacional, emboraque a banda teve apenas demos, foi muito respeitada. Conte-nos como houve a mudança da carreira em uma nova banda.

Fabio Azevedo -  Durante o tempo em que estive no Necromancer, percebi uma afinidade muito forte com o Marcus (Marcus Fraga - guitarra) nas questões relacionadas a timbre, técnica e musicalidade. Quando a banda parou, no final de 2010, o convidei para iniciar esta nova empreitada. Djafre (Antônio Djafre - bateria) toca em meus projetos há mais de 20 anos e foi a primeira pessoa que pensei para ocupar as baquetas, por sua técnica refinada e por ter uma abordagem musical que transcende os limites do metal. A partir daí iniciamos uma série de jams e o resultado nos agradou tanto que resolvemos transformar o projeto em banda.

BLP- O Necromancer acabou mesmo ou ficou com menos prioridade?

Fábio Azevedo - Hoje em dia, o único que tem algum envolvimento com o Necromancer é o Marcelo Coutinho (vocal), que gravou os vocais no CD da banda. No momento, estamos todos focados e priorizando o Absolem.

BLP – Hoje sem dúvidas, posso considerar o ABSOLEM como uma banda muito original e que se difere do death/thrash praticado atualmente pelas bandas atuais devido a experiência dentro da cena e músicos com técnica elevada. Uma faca de dois gumes, pois os mais atentos percebem o diferencial e tratam este fator como o pivô para alavancar e acompanhar a banda, mas sabe-se que muitos também preferem que soem exatamente como bandas conceituadas, geralmente de fora do país. Como estão as novas composições e como pretendem manter a identidade da banda?

Fábio Azevedo  - As composições seguem a mesma linha de “NOT EVEN ALL PAIN”: metal extremo, com influência de rock progressivo e heavy metal tradicional. A idéia é manter a mesma pegada, o mesmo modo de trabalhar e o mesmo direcionamento. A identidade da banda vai se moldando naturalmente, com nossas influencias e entrosamento musical que foi construído ao longo dos anos. O material que estamos preparando para o EP, é, na verdade, a continuação do single que lançamos em Março . Não nos preocupamos muito com o modo como vai soar, mas se está tendo relevância e isto é um indicador de que estamos no caminho certo.

BLP – Considerando capital e interior, como avalia a cena do Rio de Janeiro hoje em dia?

Fábio Azevedo  - Tem muita banda boa fazendo um trabalho super profissional, gravando um ótimo material e temos alguns bons espaços, mas o público não comparece. Show de banda gringa geralmente enche, mas as bandas locais encontram dificuldades no que diz respeito a público. 

BLP - E a cena nacional em geral?

Fábio Azevedo  - A cena é muito prolífera, muitas bandas de qualidade, estúdios, produtoras sérias organizando grandes eventos, ao contrário do que alguns dizem, o underground purga. É notável a evolução e qualidade dos trabalhos feitos em estúdios e eventos hoje em dia. São poucos que investem em precariedade e insistem em trabalhos amadores.

BLP – Como chegou a estes músicos e os definiu para serem efetivados na banda?

Fábio Azevedo  - Djafre faz parte da minha história musical, começamos a nos interessar por música nos remotos anos 80. Em pouco tempo ele evoluiu muito e chamou atenção com sua técnica, musicalidade e abordagem rítmica sempre inusitada. O Marcos se destaca por dois fatores: a versatilidade dentro do estilo e a pegada. Tem a mão direita bastante calibrada e precisa, fator fundamental dentro no metal extremo. Possui também uma linha melódica muito eficiente. Foi sempre um desejo nosso ter o Marcelo no Absolem, problemas pessoais o impediram de integrar a banda logo no início. Quando estávamos mixando o single recebemos sua visita no estúdio e gravamos um track com ele no vocal. Tudo fluiu tão bem que saímos dali com um vocalisca efetivado que mostra grande entrosamento com a banda desde o começo.

BLP – Quais bandas nacionais você considera que tiveram uma importância relevante para a cena e as que fizeram parte de suas formações musicais?

Fábio Azevedo  - Sepultura, Korzus, Ratos de Porão, Sarcófago, Krisiun ,The Mist, Witchhammer  e outras.  Daria para citar durante um dia inteiro as bandas  relevantes no metal nacional, mas estas são de fato ficam latentes que tiveram e tem ainda sua contribuição muito importante para escrever a história do metal nacional que conhecemos hoje em dia.

BLP – A banda tem um direcionamento muito profissional, até os menos entendidos percebem que a composição, gravação e produção do contexto visual supera o que o mercado atual tem oferecido.  Isso deve-se a estratégia em chegar com um impacto maior ou foi algo natural?

Fábio Azevedo - A ideia foi dar ao material o tratamento que ele merece. Quando traçamos o direcionamento da banda, decidimos ser bastante cuidadosos com todos estes temas comentados. Temos a sorte  de ter o Marcus que é designer gráfico e cuida de toda parte visual.  Acreditamos que, para passar o conceito com precisão, precisaríamos de uma arte eficiente a produção musical associada a arte

BLP – Vale ressaltar que a banda optou inicialmentepor um single de uma grande composição, com técnica apurada e andamento incomum para padrões de bandas nacionais. Esta música serviu como cartão de visita?

Fábio Azevedo - De certo modo sim. Acreditamos que ela poderia ser síntese da musicalidade que permeia o trabalho da banda. Mudanças de andamento, convenções, melodias...acho que é isso. Técnica apurada fica por sua conta (rsrsrsrsrs), mas ficamos agradecidos pelo comentário positivo.

BLP – Ví uma foto sua com camisa do OPETH, este fato mostra o gosto por músicas longas ou ocorreu naturalmente? 

Fábio Azevedo - Eu sou um grande fã de Rock Progressivo, de bandas como Yes, Renaissance, Jethro Tull e Rush. Acho muito natural que tendo esse estilo como um dos elementos que moldam a sonoridade do Absolem, as músicas são maiores que as praticadas no metal. Mas isso acontece de modo muito natural, não é planejado e / ou intencional. Usamos os elementos que acreditamos compor bem a faixa e quando vimos a música tinha quase 7 minutos.

BLP - A “Not Even All Pain” é uma música longa, mas sem castigar os ouvidos pois soa bem e cativa para escutar até o final, existe uma receita para criar as músicas? Fazem a letra e a música depois ou a música primeiro e embromation até criar a letra e conceito?

Fábio Azevedo - Nosso material foi todo composto através de jam sessions. Geralmente o Marcus vem com um riff, que funciona como uma célula. Partindo daí, tudo vai sendo construído em torno de um tema principal. As letras geralmente entram por ultimo, com a estrutura da musica relativamente definida. Mas não tem regra, acontece sem percebermos.

BLP – A banda está tendo uma boa aceitação e até agora não percebi nenhum comentário negativo em relação ao som da banda. Pelo andamento das coisas, fluindo muito bem atualmente para a banda, como serão os planos para novos registros? 

Fábio Azevedo  - Planejamos lançar no inicio de 2014 nosso primeiro EP sob o título de "Ravishers of innocense and purity". Já estamos na fase de pré produçao das músicas e devemos iniciar as gravações em Novembro deste ano. A arte ficará novamente por conta do Marcus, que apavorou em ““NOT EVEN ALL PAIN” e faremos uma prensagem inicial por conta própria.

BLP – Cansei de ver bandas maravilhosas nascerem como projetos, se tornarem bandas efetivas com grande destaque e logo dormir e aparecer um tempo depois sem os olhos atentos do público. Algumas até encerram as atividades, o que é pior. O Rio está no eixo se for levar em consideração, pois está entre SP, ES, MG e pode extender para o Nordeste. Comente este fato real que vem acontecendo a cada década desde os anos 80.

Fábio Azevedo - Cara..manter uma banda de metal autoral no Brasil é tarefa para guerreiros e muitos fatores podem incidir no êxito ou não de um projeto desses... tem que ter culhão!!!! Por isso temos que valorizar muito todas as bandas autorais, que se fodem pra se manter na ativa, independente do estilo, todas merecem nosso apoio.

BLP – Hoje percebemos algumas bandas que não investem em profissionalismo e reclamam como se fossem bandas enormes. Digo o fato de terem retorno financeiro e outros. Diga-se de passagem que o que dá grana é banda de outros estilos. Lógico que a banda merece ter o custeio de gastos e um retorno dentro do possível, pareada com o que a banda é e apresenta em cima dos palcos. Mas o que mais deixa sua banda abalada?

Fábio Azevedo - Falta de estrutura pra apresentar o trabalho ao público ao vivo em cima do palco. Equipamento e divulgação são as partes onde mais se deixa a desejar. Tocamos no underground, mas fazemos questão to fazer tudo com o máximo de qualidade e profissionalismo e sem isso preferimos nem fazer um trabalho que não tenha o respaldo que deva ser considerado essencial.

BLP – Fale sobre a temática das letras.

Fábio Azevedo - Eu e o Marcus escrevemos as letras. O Marcus dá uma ênfase aos temas clássicos do metal,como guerra, religião e caos. Eu trato de temas mais psicológicos como degeneração de valores humanos e enteogenia.

BLP – Música sem solo de guitarra é um tema polêmico. O Absolem está de qual lado?

Fábio Azevedo - Estamos do lado da liberdade musical que temos hoje em dia, sem nos prender a rótulos ou regras. Quando pedir solo, vai ter solo e quando não pedir, não vai ter. Nossa música não tem regras e flui de forma muito livre, vale o que fizer a musica refletir de melhor maneira a idéia a ser passada.

BLP – Cada banda tem uma estratégia para alcançar um lugar ao sol e as receitas não vem sendo copiadas. Algumas lançam uma música com clipe, outras demos, outras direto para o cd, outras gravam no PC e outras gravam várias músicas e jogam na rede. Afinal, o que considera dar certo e qual critério deveria ser adotado pelas bandas novas em sua opinião?

Fábio Azevedo - As bandas hoje em dia estão cada vez mais profissionais e lançando material muito bem gravado, tudo muito cuidado e com custo moderado. No meu ponto de vista, as bandas devem investir em qualidade. Seja uma musica, uma demo, um EP ou um CD. O mais importante é trabalhar dentro de suas possibilidades, mas sempre preservar a qualidade do material.

BLP – Eu particularmente, vejo algumas coisas como diferencial em uma banda ou lançamento de material. Um deste que se destaca hoje em dia são os vídeos clipes oficiais. Independente de ter muitas visualizações ou não, é interessante aliado a um grande lançamento. Existem planos? 

Fábio Azevedo - A prioridade no momento é concluir e lançar o Ep, com a previsão de lançamento para o inicio de 2014. Depois vamos avaliar as possibilidades, mas existem planos sim...alguma coisa ao vivo.

BLP – Como é dividir banda, família e trabalho? Tendo em vista que viver de metal no Brasil ainda é luxo para poucas bandas.

Fábio Azevedo - Sempre muito corrido. kkkkkkk . Eu tenho 3 filhos, trabalho numa emissora de TV, o Djafre (bateria) também é pai, mora em outro município... conciliar nossas agendas, trabalho e filhos é uma arte, mas a vontade de trabalhar com música e manter a banda na ativa é muito maior do que as dificuldades .

BLP – O fato de ter pessoas pagando R$ 300,00 ou mais para ver uma banda internacional e chorando para ver um evento profissional por R$ 10,00 ou até R$ 30,00 se deve a qual fator?Estamos melhorando a cada ano com bons promotores, bandas melhores e com mais recursos...mas ainda existe uma separação que não deixa ter um movimento sólido. Comente.

Fábio Azevedo - O fato do Brasil ter entrado na rota dos Shows internacionais gerou uma concorrência desleal para as bandas  nacionais. Afinal, esperávamos anos por um show de nossas bandas preferidas e hoje elas tocam de 2 em 2 anos por aqui (menos o Cynic rsrs) .O publico tem que escolher entre um evento e outro porque a grana não dá para tudo. Mas como você mencionou,estamos melhorando muito. Grande bandas, promotores, recursos, etc... Ja temos eventos por aqui de ótimo nível e a tendência é melhorar ainda mais. Espero que em breve as bandas nacionais possam equilibrar essa balança

BLP – Quais bandas gostaria de dividir o palco?

Fabio Azevedo – Eu, com o Cynic (kkkkkkkk). O Marcus com o Machine Head. O Marcelo com o Kreator e  o Djafre com o Living Colour. Para vc ver como a banda tem influencias variadas(rsrsrsrs)

BLP- Cite 10 grandes álbuns nacionais e 10 ( 5 – opcional ) gringos.

Sepultura - Beneath the Remains
Ratos de Porão - Brasil

Korzus - Mass Ilusion
WitchHammer - Mirror my Mirror
Bacamarte - Depois do fim
Mutantes - Tudo foi feito pelo sol
Quaterna Requiem - Quasimodo
Iron Maiden - Powerslave
Carcass - Heartwork
Thin Lizzy - Jailbreak
Cynic - Trace in the air
Machine Head  - Burn my eyes
Control Denied - The fragile art of Existence
Yes - Close to the edge

BLP – Agradeço muito pela disponibilidade e atenção dada na entrevista! Deixe suas palavras para leitores.

Fabio Azevedo -  Agradeço o espaço e a oportunidade de divulgar o trabalho da banda, e o apoio de todos. Em especial Reinaldo Secred Steel, Sr Wins, Clinger, Vanderley Carvalho, Tobias, Rosana & Marcelo (Dark Side), Osi Wilhens e todos que tem acompanhado a banda de perto. Espero que em breve estejamos juntos, pra curtir um som e tomar umas geladas.

Grande abraço a todos!!!

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