Banda: ELIZABETHAN WALPURGA

Categoria: Black Metal

Ano: 2016

Eis que estamos diante de uma obra histórica do Metal pernambucano. Voltando um pouco no tempo, em 2001, a ELIZABETHAN WALPURGA veio com uma histórica e rara demo intitulada ‘Desire’. Este material foi feito de forma mais precária e ainda é tido com um clássico do Black Metal, lançado pela Blackout Discos. Mas a volta da banda veio atrair ainda mais o público e um só show já foi o suficiente pra arrancar mais uma vez a atenção dos hellbangers. E neste retorno houve uma mudança no line-up, trazendo Arthur Lira (ex-Cangaço e Pandemmy) na bateria.

Sem muita demora a banda disponibilizou o novo material em formato digital e o intitulou de ‘Walpurgisnacht’ (noite em honra a Valpurga). O material contém 9 músicas sendo que 4 faixas são regravações de músicas da Demo ‘Desire’ e não foram meras regravações como também ganharam nova roupagem.

Parece que eles começaram se vingando da gravação da demo, porque o cd inicia justamente com “Vampyre”, que na demo tem uma péssima gravação, mas desta vez a música ganhou o cuidado necessário à criatividade que esta música esbanja. Mas confesso que gosto também da versão original, pela naturalidade que ela foi feita. Atualmente, é claro, eles soam mais profissionais, até porque ouvimos cada instrumento em seus devidos momentos, sobretudo as guitarras de Erick Lira e Breno Lira, que são o destaque da banda. Completa o pandemônio o baixista Renato Matos, que é um dos caras que podemos chamar de agitador do retorno do Elizabethan Walpurga e Léo Mal’lak, que também estava presente nas primeiras gravações. A regravação de “Clamitat Vox Sanguinis” ficou excelente. Sinceramente, não sei dizer se na original eu não conseguia ouvir os arranjos devido à precária gravação, ou se, de fato, nesta versão atual eles deram um plus nas guitarras.

No meio do álbum nos foram apresentadas algumas músicas antigas, mas inéditas. “Infernorium” tem a mesma linha do Black Metal explorado por eles nos tempos passados, típico daquelas bandas européias que trabalham o vampiric Black Metal, como o Thy Serpent. “The Serpent´s Eyes and the Horns of Crown” dá sequência à proposta musical da ELIZABETHAN WALPURGA, que a meu ver é mesclar o tradicional Heavy ao Black Metal. Em algumas músicas eles exploraram os vocais semi-limpos e “The Elizabethan Dark Moon” ganha esse tipo de arranjo. Ainda nesta música é possível destacar a bateria e os arranjos do contrabaixo, além da utilização de partes acústicas. E atenção pra “The Canine Enchantment by the Phlebotomy (In the Julgular Streams)” pois ao ouvir essa faixa com um único fone é perder detalhes importantes de guitarras. Falo isto pois fui “vítima” deste detalhe. Outra regravação, “Walpurgisnacht”, foi a que soou um pouco diferente da versão original.

O resultado é, como falei no começo desta resenha: uma obra histórica. Agora esperar a banda lançar esse material de forma física, pois até agora está apenas disponível nas plataformas digitais. Outra espera ansiosa são composições novas. Os caras estão 666% prontos para ganhar o mundo e conquistar os apreciadores das diversas vertentes do Heavy Metal.

Quando fiz uma resenha sobre a demo de 2001, em tempos passados, falei de forma saudosa que a banda havia acabado e que os irmão guitarristas sumiram da cena, mas agora comento de forma satisfatória que a banda está de volta e os irmãos, Erick e Breno, retornaram monstruosamente melhor.

 

[Resenha de demo]

(por Hugo Veikon)

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