Banda: DORSAL ATLÂNTICA

Categoria: Thrash Metal

Ano: 2012

Pra ser sincero, a fase que mais saquei o Dorsal foi a final, principalmente os dois últimos trabalhos de inéditas (Alea Jacta Est e Straight), dois trabalhos de alto nível mas meio injustiçados na discografia dos caras. Mas tem motivos para isso: o dois primeiros trabalhos dos caras (Antes do Fim e Dividir & Conquistar) são, sem sombra de dúvidas clássicos máximos e os seguintes (Searching for the Light e Musical Guide for the Stellium) completam uma discografia coesa e uniforme.

Acusem os caras do que quiserem, mas, acima de tudo, lembrem que eles sempre foram desbravadores. Quando a banda surgiu, por volta de 1982 (eu mesmo tinha 5 anos de idade), a vida era bemmmmmmm diferente. O saudosismo que todos hoje em dia tentam reviver vem destas épocas. O metal engatinhava no Brasil, salvo alguns outros desbravadores aqui e ali. Era música de "drogado, revoltado, revolucionário, satanista e o escambau! Algumas bandas ainda reforçavam alguns destes temas, é verdade, mas ser metaleiro naquela época era bem mais difícil que hoje em dia.

O tempo passou e Carlos "Vândalo" Lopes deu todo tipo de murro em ponta de faca. Liricamente, o Dorsal estava anos-luz à frente de outras bandas. Mesmo cantando em português, as letras eram difíceis, tinham muito conteúdo, tinham métricas diferenciadas e tudo isso com um som pesado e característico. Mas aos poucos, o cara foi se isolando, os antigos componentes foram saindo e ele se viu sozinho. Aí ele ainda nos brindou com a regravação do primeiro disco (com o título de Antes do Fim, Depois do Fim) e "matou" de vez a banda. Aí caiu no rock n'roll da Mustang e no funk da Usina Le Bond (eu mesmo não me arrisquei a ouvir ambas. Um dia ainda tento isso), mas o metal correu de novo nas veias do cara e ele avisou ao mundo que 2012 teria novidades: a volta do Dorsal, a volta da formação clássica dos dois primeiros discos e a gravação de um disco novo!

Rolou um esquema muito legal (os puritanos, claro, acusaram o cara de tudo, novamente) de crowfounding, ou seja, a banda coletou verbas através de um site para bancar o cd e os colaboradores tinham, no mínimo, o direito a ter seus nomes no encarte e o cd. Dia 20/12/2012 recebi em casa meu exemplar. Confesso que me senti nos anos 90 novamente, recebendo o álbum pelos Correios, abrindo aquela embalagem de papelão e tendo uma surpresa após outra.

O álbum, simplesmente intitulado de 2012, é uma volta ao passado. Os riffs de Carlos são nostálgicos, mas tem melhor produção, claro. O baixo de Cláudio está mais audível e Hardcore evoluiu bastante. O resultado é um disco atual e que nos trás de volta uma banda essencial para a história do metal mundial.

Os primeiros acordes de "Meu Filho me Vingará" nos mergulham na história do metal. A letra da música nos mergulha em um dos episódios da história do Brasil (a morte do escritor Euclides da Cunha). Outras músicas do cd como “A Invasão do Brasil”, "Operação "Brother Sam", "Jango Goulart" e "Comissão da Verdade" (estas três com samples de citações que enriqueceram a música) também exploram momentos de nossa história, cantadas com a voz característica de Carlos. "Eu Minto, Todo Mundo Mente" é curta mas é bem interessante. "Corrupto Corruptor" é, simplesmente, um apanhado de fatos e frases que mostram como o brasileiro gosta de tomar vantagem em tudo. Eles também incluíram samples bem legais em "Stalingrado" e um coral na última faixa do cd, "Imortais", uma homenagem a todos os fãs da banda, que sempre estiveram acompanhando sua trajetória. Outra faixa muito interessante é “Contenda”, com sua letra mais amena e que dá lições de auto-ajuda.

Mais uma vez, Carlos não teve medo de ousar. Mais uma vez a Dorsal fez história. Mais um gigante voltou!

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(por Léo Quipapá)

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