Banda: DIABLO MOTOR

Categoria: Rock'n'Roll

Ano: 2013

Vou abrir meu encarte do Diablo Motor desta vez pra sabe-se lá quando abrir novamente, porque temo rasgar as folhas dessa obra de arte que considero como pérola do Rock'n'Roll pernambucano.

A banda lançou seu Debut EP em 2009 e seu álbum, homônimo em 2013, que de lá pra cá só rendeu bons frutos para a banda. Vamos começar dizendo porque abrir poucas vezes o encarte: A arte acompanha um poster, ilustrado por Felipe Soares, e quase um quarto da imagem total se torna a capa do digipack. Em meio ao poster você vê de tudo (até uma tatuagem na bunda com as iniciais DM). Vale a pena prestar atenção a tudo.

Da gravação do debut pra cá a banda sofreu alguns alterações, como a troca de vocalista (saiu Tomaz Magalhães e entrou Rafael Sales) e a saída de Alexandre Furmiiga (deixando a banda com apenas uma guitarra, posição assumida com ótimo desempenho por Filipe Cabral, que faz os arranjos das gravações). Mas ainda assim Alexandre Furmiiga participou da gravação das guitarras base de todas as faixas. Tente calar um dos lados do caixa de som, que você notará uma grande diferença e que falta faz um sem o outro. Totalmente fundamental a participação de Alexandre nesta gravação.

Ao todo, 10 músicas compõem este CD, sendo seis novas e quatro do EP. As músicas do EP soam um pouco (mas só um pouco mesmo), diferentes das demais. Mas vou logo adiantando: Não foi legal retirar o ronco do motor da música de abertura "Sem Moderação". Gostei da qualidade do som, que ficou mais refinado e mais limpo (até os arranjos de contrabaixo no começo da música, executados por Bruno Patrício, conseguimos ouvir melhor). "Garota Fogo" perdeu sua microfonia e ficou melhor, como deve ser uma garota fogo. Mais uma do EP que ganhou uma vida no pulsar do contrabaixo foi "Não Quero Te Entender", mas perdeu o peso da explosão que Thiago Sabino fazia no seu surdo e caixa, aos 16'' da introdução dessa clássica música. "Cafa Song" também perdeu o peso que fica no final da música (agora ela ganhou um "fade out"), mas não deixará de ser uma ótima canção. Agora uma observação geral para todas essa faixas supra comentadas, que não poderia deixar de passar batido: a mudança dos vocais. Evidente que algo mudaria, pois Tomaz Magalhães tem uma voz mais psicodélica e você, que é fã do EP, perceberá e poderá sentir falta de alguns momentos e acentuações de palavras que o mesmo fazia. Mas Rafael se mostra um ótimo substituto, um frontman com desenvoltura no palco (recordo-me quando ele homenageou uma vendedora de coxinhas com a música Garota Fogo). A voz de Rafael Sales tem mais peso e é mais ríspida, ele até criou mais fôlego no "...oh yeah..." da "Cafa Song".

Bem, comparações feitas. Vamos partir para as outras seis músicas do álbum. Pra não ficar tão extenso, digo logo que é impossível, literalmente impossível, destacar apenas uma música. Todo o álbum é perfeito. As letras e instrumentais se mantém na linha Rock'n'Roll das antigas, até porque algumas delas foram compostas naquela época (do EP) e levam a assinatura dos que integraram a banda. Algumas delas, como "A Mesma História" tem um pegada mais acelerada, isso faz também com que ganhe mais peso. Essa faixa também conta com uma participação especial de Djalma Rodrigues, que foi técnico de som do primeiro e desse segundo trabalho da banda.  Outra participação interessante é a de Johnny Hooker, na faixa "Silly Little Game". Particularmente não curto a carreira de Johnny em sua banda (Candeias Rock City), mas aqui sua voz e seus arranjos funcionando como delay da voz de Sales em algumas frases, ficou muito bom.

Posso não abrir mais o encarte com medo de rasgá-lo, mas, sem dúvida, a caixa digipack abrirei várias vezes pra colocar essa obra prima pra tocar.

[site oficial]

(por Hugo Veikon)

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