Bandas: DESDOMINUS

Categoria: Death Metal

Ano: 2015

Lembro que em meados de 1992 eu recebia um catálogo da Heavy Metal Rock, de Americana/SP, onde novidades  fonográficas eram vendidas no velho esquema de enviar grana em carta pelos correios e receber o vinil naquelas armaduras de papelão. A mesada tinha retorno garantido! De uns tempos pra cá, perdi o contato com eles, mas recebi este CD do DESDOMINUS, oriundo da mesma Americana/SP, intitulado “Uncreation”, lançado no final de 2015 em uma grande parceria underground formada  pela Misanthropic Records, Brutaller Records, Impact Records e a já citada Heavy Metal Rock.

O que já chama a atenção é a qualidade do trabalho, já na arte gráfica, que retrata um universo paralelo muito soturno. Ao tocar  o cd você se depara com um death / black muito competente na faixa de abertura, “Certo e Convicto”, com vocais ríspidos  do guitarrista Paulo Bruno, escudado pelo vocal limpo, mas grave, do também guitarrista Wilian Gonsalves. Detalhe que esta é a única faixa em português e a mais curta do cd (excetuando as instrumentais).

Duas boas faixas dão sequência no cd, “Erase th God Within” e “Uncreation” tem um clima mais Behemoth, mas sem tanta velocidade.

“Sacred Scrolls of Holy Lies” começa diferente das demais, com dedilhados e sons acústicos, mas Ney Paulino espanca bem seu kit de bateria, numa faixa com forte estrutura thrash, lembrando bastante os gregos do Nightrage, se bem que o vocal mais agressivo lembra também o Emperor nos momentos que os noruegueses são menos velozes. Particularmente gostei muito de “Cathedra”, que começa com sons de sinos e faz uma crítica bem embasada a escândalos pedófilos nas igreja$ mundo afora. Quebrando um pouco o clima do cd o DESDOMINUS nos apresentam “Introspection, uma faixa instrumental com violões e apenas sussurros, que abre a segunda parte do play. A faixa seguinte, “Inner Elevation” tem mais de nove minutos e meio, mas não é enfadonha. Logo no começo uma introdução com dedilhados de guitarras e um riff destacado do baixo de Rafael Faria só dão cama para uma senhora pancadaria, com direito a rufadas de bumbos duplos.

Em “Waves Collide”, eles mudam um pouco o estilo e ficam um pouco mais parecidos com o In Flames e o Dark Tranquillity dos primeiros trabalhos em faixas mais lentas, claro, com aquelas guitarras alinhadas e bateria compassadas. No meio da faixa eles ousam bastante ao colocar vocais bem limpos em meio a dedilhados, antes de voltar a pancadaria. Em minha opinião, uma das melhores faixas deste trabalho.

As duas últimas faixas são “Beyond the Allowed”, que é uma faixa mais cadenciada e “Sublimation”, outra instrumental, que fecha com chave de ouro este excelente trabalho

Pena eu ter ouvido esse material apenas agora, mas certamente entraria na briga dos melhores de 2015! Procurem, comprem, não percam tempo! Trabalho de primeira linha!

Cheers!!!!

(por Léo Quipapá)

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