Bandas:BELCHIOR

Categoria: Black Metal

Ano: 2015

Tem caras que quando pensam em montar projetos você já sabe que trabalhos excelentes serão lançados. E Belchior é um desses caras que formam o que conhecemos como one-man-band. Batalhador na cena recifense desde idos dos anos 90, esse cara tem em sua bagagem participações no Infected, Darkness Emperor e Elizabethan Walpurga. Radicado nos Estados Unidos desde 2001, ele também participou de várias bandas por lá, mas aí veio um momento de inovar e ele se armou com um home studio e pariu oito aterrorizantes faixas, que serão lançadas pelo selo  Ordo Draconian Black Label, do guerreiro Hellhammer, mente onipresente do Lord Blasphemate.

Certa vez um brother me disse "véio, arte não tem regras" e isso foi muito explorado nesse álbum homônimo de Belchior.

Já na primeira faixa, "A Life With No Light (The Olden Days)", o som de sinos anuncia uma missa negra, carregada de tormentos e torturas. Mesmo de maneira mais contida, as explorações musicais são mais evidenciadas por Belchior na bateria, mas há também uma guitarra cortante onde algumas bases são mais soltas, com um vocal único que nos remetem em muitos momentos ao Kampfar ou até mesmo a My Infinite Kingdom.

"Kingdom of the Midnight Arts" é totalmente atmosférica e considero a primeira surpresa da sequência do CD, pois faixas assim são comuns em álbuns mais voltados aos Black Metal que trabalham com temas vampirescos como a Thokk. Apesar de atmosférica e soar que vai acalmar o ouvinte, esta música tem um cheiro de sangue (semioticamente falando) com rufadas de batalhas  frias e sombrias, e o que falar da atraente espada sendo afiada para vingar com ódio? Essa é de fato a melhor parte desta extensa essa faixa, que beira aos 13min.

"Beelzebuth" é um cover do Mystifier, originária do álbum "Goethia", de 1993. Tem o mesmo teclado da versão original dando clima e acompanhando a guitarra. O vocal de Belchior é novamente extremo nesta faixa.

Em "A Life With No Light (Unholy Ghost) o ritmo acelera um pouco graças a batera de pedal duplo, guitarra trincada e vocal sufocante. E é justamente em cima do vocal desesperador, onde é trabalhada este faixa, que parece um ato (divisão de capítulo), pois se você observar bem, esta faixa soa como complemento da faixa de abertura, nítido nas bases das guitarras (tente juntar uma faixa a outra e isso fará sentido. Tem também um interlúdio meio gótico, mas ele ainda permanece na sua linha original e flertando com as bandas citadas anteriormente, pois apesar de ser um álbum feito em data tão atual, as músicas tem estruturas old school.

"Enthroned by Hell's Fire" tem fortes influências vikings. Lembra bastante o Bathory e talvez por isso seja uma das melhores faixas do CD. Esta faixa é mais trabalhada, sobretudo nos pedais de Belchior, que faz contratempos e explora melhor ainda seu set up de bateria. Mas as melodias (ritmos) são bem melhores aqui e até mesmo a voz flutua e há um solo que reforça as influências mais oitentista do Bathory. É uma faixa diferenciada e que tem um final aterrorizante.

"...Cold Winds are Calling Me" faz juz ao título, pois é um som bem arrastado, parecido com os primeiros trabalhos do Katatonia e até mesmo aquelas bandas mais antigas que dispensavam as baterias metrancadas e investiam na densidade, como o Amen Corner (em seu Jachol Vê Tehilá). É tanta coisa pra observar nessa faixa que quase você não sente a orquestração da canção, mas no final não tem como ser invadido por tal sonoridade.

"Orgy in the House of Your God" veio como faixa bônus, pois foi uma das primeiras registradas, ainda como projeto. O som é um pouco mais abafado que as demais e tem uma saturação. Notam-se algumas pitadas de Hellhammer ao longo dela e o clima sombrio se mantém presente, somada a uma depressão fria, dark, na linha da lituana Nahash. A últimafaixa do cd é "I Despise Jesus Christ", onde Belchior descarrega muito ódio e angústias em mais uma faixa bem crua, mas com uma essência extremamente carregada. Como já foi dito, esse álbum é recente, mas parece que ele ficou arquivado em seu baú e quando você vai ouvir, sente aquele saudosismo Black Metal.

Ao Belchior, nós, do Arena Metal PE, só temos a agradecer pela confiança, pois nos foi confiado o áudio do CD muito antes do lançamento e hoje podemos divulgar esta obra prima!

Cheers!!!

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(por Hugo Veikon/Léo Quipapá)

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