Banda: AFFRONT

Categoria: Death Thrash Metal

Ano: 2016

Enquanto algumas bandas têm 10 anos de carreira, mas levam tudo de forma amadora vão viver no anonimato, há aquelas que nascem e já encaram tudo de forma profissional. Neste hall temos como exemplo a banda AFFRONT. Sua formação conta com pessoas que já respiram o underground, então digamos que eles têm como experiência os passos negativos que já deram nesse árduo caminho

A banda lançou no final de 2016 o “Angry Voices”, material oficial, contando com 12 faixas que mesclam death e thrash metal. Não vou negar que pra mim o som deles ainda se permeia pelo black metal e a equipe que forma essa muralha é: M. Mictian (baixo / vocal), R. Rassan (guitarra) e Jedy Najay (bateria).

E não se tem muito arrodeio aqui, a primeira música, “Scum of the World”, já é violenta e brutal, com passagens rápidas de cadências. Na sequência, a faixa título, “Angry Voices”, é puro bate cabeça e digna de roda. Nesta mesma pegada vão as músicas “Religions Cancer” (achei o bumbo desta música muito baixo), “Under Siege", “Wartime Conspiracy” (será que há algum resquício de homenagem ao Arise nestas, visto que uma tem o mesmo título de faixa deste álbum e o título da outra é uma frase da faixa-título do álbum do Sepultura?). Som como os velhos tempos, banhado de ódio nas melodias e nas letras. Não tem como você não perceber isso e não tem como deixar passar batida a exploração que Jedy Najay faz de seu setup, Se você for detalhista vai perceber arranjos dos metais e da parte de tambores da bateria. Já a música que pega emprestado o nome da banda, “Affront”, me chama mais a atenção pela forma como as palavras são expelidas, pois parece que são cantadas de forma pra criar refrãos e garantir acompanhamento.

Vou falar também das duas instrumentais: “Terras Sem Males (Guerra Guaranítica)” é curta e explora instrumentos indígenas com sons de chocalhos e apitos, com um som sombrio de contrabaixo, como se marcasse uma caminhada. A outra instrumental é “Echoes of the Insanity”, com som de violão acústico. Confesso que gosto mais desta, mas tudo vai de momento.

Agora a homenagem ao icônico artista nordestino Mestre Vitalino na faixa “Mestre do Barro”. Trata-se da única música cantada em português e que fala sobre o artista da argila, o caruaruense Vitalino Pereira dos Santos, um homem que teve sua arte reconhecida no mundo inteiro por sua criatividade em construir uma cultura em cima de outra cultura, ou seja, tudo o que via em seu dia a dia ele modelava em bonecos de argila. E isso soa bastante interessante, porque é uma banda do sudeste do país falando sobre a cultura nordeste. No começo da música eles já usam elementos que fogem do metal e usaram levada de embolada, com guitarras agudas soando trilhas de sagas em meio às caatingas. Enfim, e por que eu falei tanto desta faixa e a destaquei? Simples: retrata minha terra mesclando com minha cultura metal.

“Carved in Stone” é mais cadenciada, com exploração de clean vocals narrados, inclusive. E o cd encerra com a participação de um importante nome do Metal brasileiro, Marcelo Pompel. Esta mesma música ganhou um clipe muito bem elaborado e assim reforça o que falei no começo desta resenha. Clipe, CD e uma aceitação absurda como tem sido esta do AFFRONT só é possível porque se trabalha de forma profissional.

[ENTREVISTA]

(por Hugo Veikon)

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